No livro “Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre
Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos”, o economista André Nassif compara as formas distintas através
das quais se manifesta o fenômeno da chamada “doença
holandesa”.
A chamada doença holandesa (Dutch disease ), como
sugere a expressão, acometeu a Holanda nos anos
1960, quando foram descobertas consideráveis reservas de gás natural. Com mercados relativamente
desregulados, o aumento da rentabilidade esperada
acabou provocando forte realocação dos recursos produtivos da economia para o setor de recursos naturais
não renováveis, reduzindo os investimentos na indústria manufatureira do país. Em 1977, a revista The Economist cunhou a expressão “doença holandesa” em
alusão ao fenômeno […]. De acordo com a concepção
novo-desenvolvimentista, a doença holandesa na periferia latino-americana e em diversos outros países em
desenvolvimento, ao invés de replicar a forma clássica
que afetou a Holanda, assume a forma concebida originalmente por Gabriel Palma. Nesse novo conceito de
doença holandesa, o aumento da participação do setor
de commodities na estrutura produtiva e na cesta exportadora resulta do conjunto de reformas econômicas
liberalizantes (liberalização comercial, abertura ao fluxo
internacional de capitais de curto prazo etc.), adotadas
sob a forma de tratamento de choque, haja vista a intensidade e rapidez com que foram implementadas a
partir da década de 1990.
NASSIF, A. Desenvolvimento e Estagnação: o Debate entre Desenvolvimentistas e Liberais Neoclássicos. São Paulo: Contracorrente, 2023. p. 219; 283-284. Adaptado.
Para os países fortemente dependentes das exportações
de produtos primários e outras commodities, como o Brasil, nos períodos de boom de preços desses produtos nos
mercados globais, a doença holandesa acarreta
✂️ a) sobrevalorização das moedas nacionais em relação ao
dólar e desindustrialização. ✂️ b) sobrevalorização da moeda nacional em relação ao
dólar e aumento da participação dos serviços de alta
tecnologia no PIB. ✂️ c) subvalorização das moedas nacionais em relação ao
dólar e aumento da participação do setor manufatureiro no PIB. ✂️ d) subvalorização da moeda nacional em relação ao dólar e fuga de capitais estrangeiros. ✂️ e) subvalorização da moeda nacional em relação ao dólar e aumento da produtividade média agregada.