Eu já estava deitada quando ouvi as vozes das crianças anunciando que estavam passando cinema na rua.
Não acreditei no que ouvia. Resolvi ir ver. Era a Secretaria da Saúde. Veio passar um filme para os favelados
ver como é que o caramujo transmite a doença anêmica. Para não usar as águas do rio. Que as larvas
desenvolve-se nas águas. Até a água... que em vez de nos auxiliar, nos contamina. Nem o ar que respiramos,
não é puro, porque jogam lixo aqui na favela.
JESUS, C. M. de. Quarto de Despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014. p. 39.
Disponível em: https://dpid.cidadaopg.sp.gov.br. Acesso em: 14 jun. 2024.
Um professor de Geografia ao ministrar uma aula para o 7º ano do Ensino Fundamental sobre a formação
territorial brasileira, no intuito de construir uma aula dialógica que estimule o pensar a partir da escala
de vivência dos seus estudantes, leu o fragmento apresentado do livro Quarto de Despejo: diários de uma
favelada, de Carolina Maria de Jesus. Em seguida, contextualizou as históricas desigualdades socioespaciais
que ainda imperam na produção do espaço urbano contemporâneo das cidades brasileiras.
Com base nos textos apresentados e na contextualização trazida pela docente, é correto afirmar que as
favelas no Brasil, compreendidas como áreas urbanas caracterizadas por moradias precárias e condições
socioeconômicas vulneráveis,