Ingrid Nunes
EQUIPE
29/08/2026 • 19:01
Essa questão aborda um tema muito discutido na historiografia recente: a materialidade do arquivo, ou seja, como as formas de organização, guarda e processamento dos documentos afetam diretamente o trabalho do historiador e, mais importante, se relacionam com as dinâmicas de poder na sociedade. Isso provoca a chamada 'virada arquivística' que levou os historiadores a refletirem não só sobre o conteúdo dos documentos, mas também sobre o próprio processo que determina o que é guardado, o que é descartado, o que se torna 'lembrança oficial' ou 'esquecimento institucionalizado'.
Vamos analisar as alternativas. A letra A está incorreta porque afirma que a sobrevivência dos conjuntos documentais está desvinculada das assimetrias de poder, quando justamente a crítica contemporânea mostra o contrário: o que é preservado ou não está profundamente ligado ao poder dos grupos sociais. A letra B também está equivocada, pois desconsidera o debate importante sobre as hierarquias documentais e a responsabilidade dos historiadores em questionar as escolhas feitas nos arquivos. C idem: reduzir a noção de silenciamento arquivístico a acidentes físicos, como incêndios, exclui totalmente a dinâmica de poder e de escolha/socialização e exclusão que compõe o arquivo.
A letra D é a correta. Ela mostra que a organização dos arquivos institucionais, mesmo quando parece neutra e puramente técnica, é, na verdade, produto de escolhas sociais e políticas que favorecem certos registros e silenciam outros. Por isso, essas classificações e recortes são objeto de estudo para a historiografia, especialmente na tentativa de entender como certas populações acabam sendo pouco ou nada registradas oficialmente.
A alternativa E exagera a solução metodológica, como se fosse simplesmente possível substituir toda fonte oficial por relatos orais e magicamente resolver o problema do silenciamento e da desigualdade de registro. Na prática, isso não garante a "reconstituição plena" das experiências históricas excluídas.
Portanto, o gabarito é a letra D.
Vamos analisar as alternativas. A letra A está incorreta porque afirma que a sobrevivência dos conjuntos documentais está desvinculada das assimetrias de poder, quando justamente a crítica contemporânea mostra o contrário: o que é preservado ou não está profundamente ligado ao poder dos grupos sociais. A letra B também está equivocada, pois desconsidera o debate importante sobre as hierarquias documentais e a responsabilidade dos historiadores em questionar as escolhas feitas nos arquivos. C idem: reduzir a noção de silenciamento arquivístico a acidentes físicos, como incêndios, exclui totalmente a dinâmica de poder e de escolha/socialização e exclusão que compõe o arquivo.
A letra D é a correta. Ela mostra que a organização dos arquivos institucionais, mesmo quando parece neutra e puramente técnica, é, na verdade, produto de escolhas sociais e políticas que favorecem certos registros e silenciam outros. Por isso, essas classificações e recortes são objeto de estudo para a historiografia, especialmente na tentativa de entender como certas populações acabam sendo pouco ou nada registradas oficialmente.
A alternativa E exagera a solução metodológica, como se fosse simplesmente possível substituir toda fonte oficial por relatos orais e magicamente resolver o problema do silenciamento e da desigualdade de registro. Na prática, isso não garante a "reconstituição plena" das experiências históricas excluídas.
Portanto, o gabarito é a letra D.