Equipe Gabarite
EQUIPE
29/08/2026 • 18:01
Vamos interpretar as alternativas dando um panorama do debate antropológico sobre burocracias, administração e legitimidade.
A alternativa A é a mais rica teoricamente: ela menciona a antropologia das burocracias em diálogo com Foucault e a discussão de como fluxos, protocolos e formulários não são só coisa de 'regra por regra', mas articulam tecnologias de poder (no sentido foucaultiano), influenciando subjetividades e modos de agir. Isso realmente amplia a leitura clássica weberiana, pois para Max Weber o foco era muito mais a eficiência da racionalidade legal, enquanto Foucault leva o olhar para as engrenagens do poder — o que casa perfeitamente com os estudos antropológicos atuais de instituições e rotinas administrativas.
A alternativa B erra ao dizer que o conceito de neopatrimonialismo foi criado por Weber em 'Economia e Sociedade'. Weber fala de patrimonialismo, mas o conceito de neopatrimonialismo é posterior e descreve exatamente a mistura de elementos burocráticos com lógicas patrimoniais, comum em alguns contextos latino-americanos, não tendo sido "superada" completamente.
A opção C deturpa Eisenstadt, pois o neopatrimonialismo não implica substituição completa da burocracia pela relação personalista, mas sim a convivência de ambas — é isso que distingue este conceito e justifica seu uso analítico.
Já a alternativa D se equivoca ao limitar a noção de performatividade de Butler somente à área de estudos de gênero, desconsiderando que essa noção tem sido frutífera e sim adaptada por estudos em antropologia organizacional contemporânea, justamente para entender como instituições se 'fazem' e não apenas se 'dizem'.
Por fim, a alternativa E faz uma mistureba: Schein trabalha cultura organizacional a partir de uma abordagem funcionalista, mas Pierre Bourdieu não está nessa tradição. Habitus, para Bourdieu, é um conceito bem mais processual, ligado a disposições sociais, e não a uma leitura funcionalista durkheimiana aplicada a burocracias.
Portanto, o gabarito correto é a alternativa A.
A alternativa A é a mais rica teoricamente: ela menciona a antropologia das burocracias em diálogo com Foucault e a discussão de como fluxos, protocolos e formulários não são só coisa de 'regra por regra', mas articulam tecnologias de poder (no sentido foucaultiano), influenciando subjetividades e modos de agir. Isso realmente amplia a leitura clássica weberiana, pois para Max Weber o foco era muito mais a eficiência da racionalidade legal, enquanto Foucault leva o olhar para as engrenagens do poder — o que casa perfeitamente com os estudos antropológicos atuais de instituições e rotinas administrativas.
A alternativa B erra ao dizer que o conceito de neopatrimonialismo foi criado por Weber em 'Economia e Sociedade'. Weber fala de patrimonialismo, mas o conceito de neopatrimonialismo é posterior e descreve exatamente a mistura de elementos burocráticos com lógicas patrimoniais, comum em alguns contextos latino-americanos, não tendo sido "superada" completamente.
A opção C deturpa Eisenstadt, pois o neopatrimonialismo não implica substituição completa da burocracia pela relação personalista, mas sim a convivência de ambas — é isso que distingue este conceito e justifica seu uso analítico.
Já a alternativa D se equivoca ao limitar a noção de performatividade de Butler somente à área de estudos de gênero, desconsiderando que essa noção tem sido frutífera e sim adaptada por estudos em antropologia organizacional contemporânea, justamente para entender como instituições se 'fazem' e não apenas se 'dizem'.
Por fim, a alternativa E faz uma mistureba: Schein trabalha cultura organizacional a partir de uma abordagem funcionalista, mas Pierre Bourdieu não está nessa tradição. Habitus, para Bourdieu, é um conceito bem mais processual, ligado a disposições sociais, e não a uma leitura funcionalista durkheimiana aplicada a burocracias.
Portanto, o gabarito correto é a alternativa A.