Em determinado contexto urbano, instituições culturais de prestígio passaram ...

Em determinado contexto urbano, instituições culturais de prestígio passaram a desenvolver programas de “democratização do acesso”, ampliando a entrada gratuita em museus, concertos e exposições. A...


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Em determinado contexto urbano, instituições culturais de prestígio passaram a desenvolver programas de “democratização do acesso”, ampliando a entrada gratuita em museus, concertos e exposições. Apesar disso, pesquisas posteriores identificaram que a frequência continuava concentrada em grupos socialmente privilegiados, enquanto parcelas populares demonstravam sensação de inadequação, distanciamento simbólico e dificuldade de identificação com os códigos valorizados nesses espaços. Considerando as interpretações sociológicas da cultura e das relações de poder, tal situação evidencia que:
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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite EQUIPE
    29/08/2026 • 18:01
    Para começar, vamos analisar o contexto apresentado: mesmo com a abertura gratuita dos museus e outras instituições culturais, a frequência desses locais ainda era majoritariamente de grupos socialmente privilegiados. Ou seja, só facilitar o acesso físico ou econômico não resolveu o problema da desigualdade de participação. Pesquisas mostram que pessoas das classes populares ainda se sentem deslocadas, não pertencentes ou sem entender os códigos e comportamentos valorizados nesses espaços.

    A chave para essa questão está nos conceitos da sociologia da cultura, especialmente os estudos de Pierre Bourdieu sobre capital cultural e distinção social. Bourdieu explica que além do capital econômico, há um capital cultural (conhecimento, gostos, hábitos) que é transmitido pela família, escola e círculo social, e que influencia o acesso e a apropriação legítima de certos espaços e práticas. Assim, abrir museus não basta: há signos, códigos e hábitos que continuam sendo barreiras simbólicas para a plena participação.

    Vamos olhar as alternativas: A opção 'a' está errada porque supõe que a ampliação de acesso elimina as desigualdades simbólicas, desprezando os processos de socialização cultural anteriores; 'b' erra ao ser extrema, pois não impede apropriação ou ressignificação, apenas a torna mais difícil; 'c' reduz o fenômeno a questões apenas econômicas, ignorando desigualdades simbólicas; 'e' limita capital cultural a diplomas, o que não é correto, pois inclui hábitos, gostos e formas de agir no mundo. Já a alternativa 'd' está correta: ela reconhece que práticas culturais estão relacionadas à distinção social, e que disposições incorporadas e repertórios legitimados fazem diferença no pertencimento e circulação nesses ambientes.

    Desta forma, o gabarito é a alternativa d.
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