Ao analisar a resistência de um setor a uma nova rotina de prestação de conta...

Ao analisar a resistência de um setor a uma nova rotina de prestação de contas, um analista observa que as regras de conduta vigentes não dependem da adesão subjetiva de cada servidor: elas preexis...


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Ao analisar a resistência de um setor a uma nova rotina de prestação de contas, um analista observa que as regras de conduta vigentes não dependem da adesão subjetiva de cada servidor: elas preexistem ao seu ingresso, são compartilhadas pelo conjunto do órgão e se impõem com força tal que o seu descumprimento aciona sanções. Ele reconhece nesse fenômeno aquilo que Émile Durkheim, em As regras do método sociológico, caracterizou como toda maneira de agir — fixa ou não — capaz de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior, geral no âmbito de uma dada sociedade e dotada de existência própria, independente de suas manifestações individuais. A consequência metodológica que Durkheim extrai dessa definição, e que orienta o trabalho do analista, é a de que os fatos sociais devem ser:
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  • Matheus Fernandes
    Matheus Fernandes EQUIPE
    29/08/2026 • 07:01
    Vamos analisar essa questão que envolve a teoria sociológica de Émile Durkheim. O texto fala sobre regras de conduta dentro de um setor, indicando que elas não dependem da vontade de cada indivíduo, preexistem à sua entrada e apresentam força coercitiva — caso não sejam cumpridas, há sanções. Essa é a definição típica de fato social em Durkheim.

    Durkheim defendia que os fatos sociais são formas de agir, pensar e sentir externas ao indivíduo e dotadas de um poder de coerção sobre ele. Ou seja, a sociedade impõe normas e valores que persistem independentemente de quem as integra.

    O ponto principal da metodologia durkheimiana é a ideia de que os fatos sociais devem ser tratados como coisas (ou seja, como objetos de estudo externos, observáveis e mensuráveis, e não como algo subjetivo). Isso tem uma implicação: o pesquisador deve analisar suas propriedades externas, colocando de lado qualquer julgamento de valor ou ideia pré-concebida. Daí que Durkheim sugere a postura de neutralidade e objetividade do cientista social.

    Vamos à análise das alternativas:

    A) Incorreta. Essa alternativa fala de explicação biológica e racial, que não é a abordagem de Durkheim, mas sim de outros autores como Comte ou teorias raciais do século XIX.
    B) Incorreta. Aqui propõe-se uma análise introspectiva e subjetiva das intenções dos indivíduos, típica da fenomenologia ou de Weber, não de Durkheim.
    C) Também errada. Essa reduz o social ao psicológico, ao contrário do que Durkheim propõe; ele diz que o social não é o simples somatório dos indivíduos.
    D) Correta. Essa inverte bem a chave durkheimiana: fatos sociais são tratados como coisas, observando suas características externas e constantes, ignorando pré-noções do pesquisador, exatamente como ele propôs.
    E) Errada. Não se trata de avaliar moralmente a partir dos valores pessoais do observador; Durkheim defendia neutralidade.

    Dessa forma, a alternativa correta é a D.
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