Apartir da leitura do fragmento: “Do outro lado, a coisa não anda muito melho...

Apartir da leitura do fragmento: “Do outro lado, a coisa não anda muito melhor” (15º parágrafo), a análise das assertivas a seguir indica que o verbo “anda”:


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Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Bom dia, por favor e obrigado

Dou “bom dia” e ele passa em silêncio, com ar de desdém. Peço “por favor” e ela me olha com curiosidade. Agradeço a um terceiro e só consigo uma expressão de indiferença.
É só comigo ou já aconteceu com o leitor?
Pois então somos dois. A má educação militante está se espalhando: na reunião de condomínio, no clube, no escritório. De quem é a culpa?
Talvez tenha sido do isolamento da pandemia, talvez daqueles de maior ficha corrida na decadência da civilização contemporânea: redes sociais, polarização e overdose de telas.
Por aqui os códigos mais ortodoxos da boa educação nunca fizeram muito sucesso, mas havia uma gentileza genuína, uma boa vontade natural. Demonstrada de maneira informal, a simpatia era a marca nacional. Se o “bom dia”, o “por favor” e o “obrigado” eram às vezes esquecidos, nunca foi por rispidez; talvez por um lapso de memória ou mesmo pela falta de uma educação formal. Indelicadeza? Jamais.
Você dava “bom dia” e a pessoa não respondia, mas sorria com sinceridade. Se não tinha um “por favor” literal, existiam expressões e gestos que se podiam considerar equivalentes. Na falta de um “obrigado”, valia um tapinha nas costas ou até um abraço.
Ficavam claras as boas intenções.
A gente se entendia, ou ao menos se respeitava. A fama de boa praça do país tropical correu mundo. A razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria, como cantou Jorge Ben Jor.
De um tempo para cá, a mistura fina dessa educação informal desandou.
As redes, as telas e a polarização demonstram que, no barata-voa do mundo online, o respeito é algo dispensável, quando não inconveniente. O algoritmo sabe que cortesia não dá engajamento, muito menos lucro, então promove todo tipo de discórdia e estupidez. A senhorinha que dá “bom dia” no grupo é tratada com desprezo, o rapaz que responde com calma é ignorado e quem não é um raivoso contumaz torna-se um subversivo que precisa ser bloqueado.
Educação? Boas maneiras? Sai pra lá, vovô!
O problema é que, depois da pandemia, esse comportamento deletério transbordou para as ruas, para as esquinas, para a convivência no mundo real. Atal gentileza nativa foi arquivada, e a boa vontade ficou na memória.
Civilidade? Vá procurar a sua turma!
A grosseria se tornou o padrão em todo o espectro. Muitos conservadores passaram a considerar qualquer tipo de polidez como frescura. “Bom dia” é coisa de velho; “por favor”, de fraco; dizer “obrigado” é uma humilhação desnecessária.
Do outro lado, a coisa não anda muito melhor. Há vários progressistas, daqueles que tratam CPF como se fossem CNPJs, decretaram que quem não é da sua tribo é indigno de respeito. Como dar “bom dia” a uma pessoa que parece o opressor? Como dizer “obrigado” a quem não celebra a nossa virtude? É o que questionam, com cândida intransigência.
Cabe a quem ainda vive no país da gentileza e da boa vontade ensinar aos neosselvagens o básico da convivência civilizada.
“Bom dia”, “por favor” e “obrigado” são um bom começo.


Fonte: AVERSA, Leo. Bom dia, por favor e obrigado. O Globo, Rio de Janeiro, 22 abr. 2026 (Adaptado).
Apartir da leitura do fragmento: “Do outro lado, a coisa não anda muito melhor” (15º parágrafo), a análise das assertivas a seguir indica que o verbo “anda”:

I- Está empregado em sentido conotativo, indicando estado, e não deslocamento físico.
II- Funciona como verbo de ligação, ligando o sujeito “a coisa” ao predicativo “muito melhor”.
III- Poderia ser substituído por “caminha”, sem alteração de sentido, pois mantém ideia de movimento literal.
IV- Está conjugado na terceira pessoa do singular e está sendo empregado para indicar ação.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Analisando...
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  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    01/09/2026 • 16:02
    Esta questão aborda o uso e a função do verbo "andar" na expressão "a coisa não anda muito melhor" presente no 15º parágrafo do texto. O verbo "andar" neste contexto está sendo usado de forma conotativa, isto é, com sentido figurado, e não literal de deslocamento físico. Ele indica a condição ou estado da "coisa" (que, no texto, representa a situação dos progressistas), ou seja, como as coisas estão evoluindo ou não. Por isso, a assertiva I está correta, pois o verbo indica estado, não movimento físico.

    A assertiva II diz que o verbo "anda" funciona como verbo de ligação, ligando o sujeito "a coisa" ao predicativo "muito melhor". Na análise sintática, verbo de ligação relaciona o sujeito ao seu predicativo, indicando estado. No exemplo, "anda" é um verbo que pode funcionar nessa função com sentido de estado, e neste caso está ligando o sujeito a um predicativo. Assim, a segunda afirmativa também está correta.

    A terceira afirmativa considera que "andar" poderia ser substituído por "caminha" mantendo o mesmo sentido literal de movimento físico. Contudo, "andar" está sendo usado com sentido figurado, e "caminhar" traria um sentido mais literal de movimento, embora possa ser usado figuradamente, essa substituição pode afetar o sentido original. Portanto, a assertiva III não está totalmente correta.

    Por fim, a assertiva IV afirma que o verbo está conjugado na terceira pessoa do singular e indica ação. Embora o verbo esteja mesmo na terceira pessoa do singular ("anda"), neste contexto ele não expressa ação, mas estado ou condição conotativa, portanto essa parte está incorreta.

    Assim, só as afirmativas I e II são corretas.

    Gabarito: a
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