Leia as alternativas que seguem e, em seguida, assinale a única alternativa q...

Leia as alternativas que seguem e, em seguida, assinale a única alternativa que apresenta um objeto indireto.


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Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Bom dia, por favor e obrigado

Dou “bom dia” e ele passa em silêncio, com ar de desdém. Peço “por favor” e ela me olha com curiosidade. Agradeço a um terceiro e só consigo uma expressão de indiferença.
É só comigo ou já aconteceu com o leitor?
Pois então somos dois. A má educação militante está se espalhando: na reunião de condomínio, no clube, no escritório. De quem é a culpa?
Talvez tenha sido do isolamento da pandemia, talvez daqueles de maior ficha corrida na decadência da civilização contemporânea: redes sociais, polarização e overdose de telas.
Por aqui os códigos mais ortodoxos da boa educação nunca fizeram muito sucesso, mas havia uma gentileza genuína, uma boa vontade natural. Demonstrada de maneira informal, a simpatia era a marca nacional. Se o “bom dia”, o “por favor” e o “obrigado” eram às vezes esquecidos, nunca foi por rispidez; talvez por um lapso de memória ou mesmo pela falta de uma educação formal. Indelicadeza? Jamais.
Você dava “bom dia” e a pessoa não respondia, mas sorria com sinceridade. Se não tinha um “por favor” literal, existiam expressões e gestos que se podiam considerar equivalentes. Na falta de um “obrigado”, valia um tapinha nas costas ou até um abraço.
Ficavam claras as boas intenções.
A gente se entendia, ou ao menos se respeitava. A fama de boa praça do país tropical correu mundo. A razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria, como cantou Jorge Ben Jor.
De um tempo para cá, a mistura fina dessa educação informal desandou.
As redes, as telas e a polarização demonstram que, no barata-voa do mundo online, o respeito é algo dispensável, quando não inconveniente. O algoritmo sabe que cortesia não dá engajamento, muito menos lucro, então promove todo tipo de discórdia e estupidez. A senhorinha que dá “bom dia” no grupo é tratada com desprezo, o rapaz que responde com calma é ignorado e quem não é um raivoso contumaz torna-se um subversivo que precisa ser bloqueado.
Educação? Boas maneiras? Sai pra lá, vovô!
O problema é que, depois da pandemia, esse comportamento deletério transbordou para as ruas, para as esquinas, para a convivência no mundo real. Atal gentileza nativa foi arquivada, e a boa vontade ficou na memória.
Civilidade? Vá procurar a sua turma!
A grosseria se tornou o padrão em todo o espectro. Muitos conservadores passaram a considerar qualquer tipo de polidez como frescura. “Bom dia” é coisa de velho; “por favor”, de fraco; dizer “obrigado” é uma humilhação desnecessária.
Do outro lado, a coisa não anda muito melhor. Há vários progressistas, daqueles que tratam CPF como se fossem CNPJs, decretaram que quem não é da sua tribo é indigno de respeito. Como dar “bom dia” a uma pessoa que parece o opressor? Como dizer “obrigado” a quem não celebra a nossa virtude? É o que questionam, com cândida intransigência.
Cabe a quem ainda vive no país da gentileza e da boa vontade ensinar aos neosselvagens o básico da convivência civilizada.
“Bom dia”, “por favor” e “obrigado” são um bom começo.


Fonte: AVERSA, Leo. Bom dia, por favor e obrigado. O Globo, Rio de Janeiro, 22 abr. 2026 (Adaptado).
Leia as alternativas que seguem e, em seguida, assinale a única alternativa que apresenta um objeto indireto.
Analisando...
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  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    01/09/2026 • 16:02
    Vamos entender primeiro o que é um objeto indireto: é um termo que completa o sentido do verbo e se liga a ele por preposição, indicando geralmente para quem ou para o quê a ação é dirigida. Agora, analisando as alternativas, vamos identificar qual contém objeto indireto.

    Na alternativa a), 'O algoritmo sabe que cortesia não dá engajamento', o verbo 'dar' é transitivo direto e indireto, mas aqui 'engajamento' é objeto direto de 'dá' e 'cortesia' é sujeito. Não há objeto indireto nem preposição ligando objeto ao verbo.

    Na alternativa b), 'dizer "obrigado" é uma humilhação desnecessária', o verbo 'dizer' está no infinitivo e não apresenta objeto indireto, 'obrigado' é um complemento dentro da oração.

    Na alternativa c), 'ainda vive no país da gentileza', o verbo 'vive' é intransitivo. A expressão 'no país da gentileza' é um adjunto adverbial de lugar, não objeto indireto.

    Na alternativa d), 'a coisa não anda muito melhor', o verbo 'andar' aqui é intransitivo. Não tem objeto indireto.

    Finalmente, na alternativa e), 'Agradeço a um terceiro e só consigo uma expressão de indiferença', o verbo 'agradecer' é transitivo indireto e exige um objeto indireto com a preposição 'a'. Aqui, 'a um terceiro' é claramente o objeto indireto do verbo 'agradeço'.

    Portanto, a única alternativa que apresenta objeto indireto é a alternativa 'e'. Gabarito: e.
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