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Na passagem “Não se trata apenas de ‘estar na natureza’, mas de reconhecer que não há uma separação entre o humano e o ambiente.”, em relação ao uso do pronome “se”, é


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INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere. Texto 01


Entre o estranho e o essencial: o que há em abraçar uma árvore?

Um gesto simples pode parecer estranho aos olhos de quem desaprendeu a sentir. Abraçar uma árvore pode ser motivo de chacota para aqueles que se afastaram do sentir. Em meio à pressa das cidades, ao ritmo produtivo — que (des)organiza nossas necessidades — e às regras silenciosas do comportamento social, parar diante de uma árvore, encostar o corpo em seu tronco e permanecer ali por alguns instantes pode ser visto como algo excêntrico e digno de rótulos preconceituosos. Mas o que exatamente está sendo julgado nesse gesto? Talvez não seja o ato em si, mas aquilo que ele revela.


Vivemos um tempo marcado por um massivo afastamento da natureza. As paisagens naturais vêm sendo substituídas por estruturas artificiais e, junto com essa transformação externa, a nossa capacidade de nos reconhecer como parte dela também se deslocou. Fomos nos habituando a existir como se estivéssemos separados, como se fôssemos apenas observadores do mundo, e não parte dele.


Nesse contexto, o gesto de abraçar uma árvore pode soar estranho porque rompe uma lógica dominante. Ele não é produtivo, não é performático, não responde a uma finalidade valorizada pela lógica da massa tecnológica. É um gestoque não “serve” para nada, além do descanso, do relaxamento e do deleite de não precisar cumprir nada para fora de si. Por isso, é tão difícil de ser compreendido em um mundo onde o descanso é visto como perda de tempo.


O contato com a natureza tem sido amplamente estudado, e práticas como o shinrin-yoku, o chamado “banho de floresta”, evidenciam efeitos importantes sobre o organismo físico e emocional. A simples presença em ambientes naturais, especialmente quando mediada pelo toque, pode contribuir para a redução dos níveis de estresse, para a regulação do sistema nervoso e para a promoção de estados de relaxamento e bem-estar.


No campo da ecopsicologia, essa relação é compreendida de forma ainda mais ampla. Não se trata apenas de “estar na natureza”, mas de reconhecer que não há uma separação entre o humano e o ambiente. A sensação de calma que emerge nesse contato não vem de fora, é um retorno a um estado de integração. Sob essas perspectivas, abraçar uma árvore deixa de ser um gesto excêntrico e passa a ser compreendido como uma forma essencial de nutrição e reconexão. Essa reconexão não acontece como uma ideia, mas sim com a experiência. [...]


Fonte: TORREZAN, Laura. Entre o estranho e o essencial: o que há em abraçar uma árvore?

Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 20 jun. 2026. Adaptado.

Na passagem “Não se trata apenas de ‘estar na natureza’, mas de reconhecer que não há uma separação entre o humano e o ambiente.”, em relação ao uso do pronome “se”, é CORRETO afirmar que, de acordo com a norma,
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  • Ingrid Nunes
    Ingrid Nunes EQUIPE
    01/09/2026 • 14:02
    Essa questão trata de um aspecto importante da gramática normativa do português: o uso dos pronomes oblíquos átonos em formas como próclise, ênclise e mesóclise.

    O texto apresenta a frase 'Não se trata apenas de “estar na natureza”, mas de reconhecer que não há uma separação entre o humano e o ambiente.' O foco está no uso do pronome 'se' que aparece antes do verbo 'trata', indicando próclise.

    Na norma padrão, a próclise ocorre quando existem palavras atrativas, que são termos negativos (como 'não'), advérbios, pronomes relativos e indefinidos, conjunções subordinativas, entre outros, que puxam o pronome para antes do verbo. Aqui, o 'não' antes do verbo exige a próclise, que é, portanto, obrigatória neste caso.

    Sobre as alternativas: a primeira opção (a) diz que a ênclise poderia ser usada porque não há palavra atrativa, o que é falso, pois temos 'não', que é palavra atrativa. A alternativa (b) erra ao dizer que a ênclise poderia ser usada mesmo com palavra atrativa, pois não pode. A (c) afirma que a próclise foi usada obrigatoriamente pela presença da palavra atrativa, e isso está correto. A (d) fala de próclise facultativa, o que não ocorre com palavras negativas que exigem o pronome antes do verbo. A (e) menciona a mesóclise, que só pode ocorrer em futuro do presente ou futuro do pretérito do indicativo e sem palavra atrativa, o que não é o caso.

    Dessa forma, a alternativa correta é a letra c.
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