A compreensão de fenômenos naturais exige a análise integrada de causas, cond...

A compreensão de fenômenos naturais exige a análise integrada de causas, condições atmosféricas e consequências observadas. Em textos de divulgação científica, é comum que diferentes informações se...


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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A relação entre o El Niño e a frente de rajada, fenômeno que causou ventos de mais de 120 km/h no Brasil


Fortes ventos entre São Paulo e Rio de Janeiro provocaram ao menos cinco mortes, apagões, quedas de árvores e interrupções em serviços essenciais. As rajadas ultrapassaram 120 km/h no interior paulista e chegaram a cerca de 100 km/h na capital fluminense, levando à suspensão temporária de pousos e decolagens no Aeroporto Santos Dumont. Trata-se de um fenômeno conhecido na meteorologia como frente de rajada, resultante do intenso contraste térmico entre o ar quente e seco que predominava no Sudeste e uma massa de ar frio e úmido vinda do Sul.

De acordo com o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o fenômeno foi provocado por uma linha de instabilidade que se formou sobre a própria frente fria e avançou rapidamente. O especialista compara o evento às rajadas comuns de verão, porém com nuvens alinhadas.

Antes da chegada do sistema, as temperaturas estavam elevadas no Sudeste. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 35,8 °C na cidade do Rio de Janeiro, um dos dias mais quentes para julho desde 2007. No litoral paulista, os termômetros atingiram 34 °C no Guarujá e 35,2 °C em Santos, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

O meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Inmet, atribui a força dos ventos a uma brusca queda de temperatura, de cerca de 14 a 15 graus em pouco mais de uma hora. Ele ressalta que as rajadas se normalizaram na medida em que as massas de ar se equilibraram, enquanto a frente fria se deslocou para o Espírito Santo, gerando ventos mais amenos, em torno de 70 km/h. Seluchi acrescenta que a ocorrência desse tipo de frente é mais comum em períodos chuvosos, com chance de novos episódios a partir de setembro.

Sobre a relação com o El Niño, os especialistas esclarecem que é difícil estabelecer um vínculo direto sem estudos mais aprofundados. O fenômeno altera a circulação atmosférica ao aquecer anormalmente as águas do Oceano Pacífico Equatorial. Seluchi explica que a relação ocorre de forma indireta, pois o El Niño mantém as frentes frias estagnadas por mais tempo no Sul, gerando tempestades severas e linhas de instabilidade que se deslocam.

Diniz complementa que o El Niño acelera o aquecimento das temperaturas e intensifica os sistemas meteorológicos. Como o país atravessa o inverno, o encontro das frentes frias com regiões bastante aquecidas gera o forte contraste térmico responsável pelas ventanias. Ele cita os recentes temporais no Sul e no interior de São Paulo como reflexos dessa intensificação, e Seluchi prevê que as chuvas ganhem força na primavera.

No Rio de Janeiro, além do fechamento momentâneo do Aeroporto Santos Dumont, a ventania atingiu 105 km/h no Galeão, causou quedas de energia, afetou o transporte sobre trilhos, fechou a Ponte Rio-Niterói e provocou duas mortes em Santa Teresa após a queda de um muro. Em São Paulo, a Defesa Civil emitiu alerta severo para a região metropolitana diante dos riscos de destelhamento e falta de luz. Houve atrasos nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, e o estado registrou pico de 124,9 km/h em Itaporanga.

Enquanto a frente fria avançava para o Sudeste, o Rio Grande do Sul enfrentou severa instabilidade. Um tornado provocado por uma supercélula — tempestade com corrente ascendente giratória — atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, deixando quatro feridos, dezenas de casas destruídas e rastro de devastação com ventos que alcançaram 300 km/h, segundo a MetSul Meteorologia. Diferentemente da frente de rajada, o tornado é um fenômeno concentrado de intensa rotação. A tendência para o estado sulista é de gradual normalização do tempo com a chegada de uma massa de ar seco.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/czrjy4jrg13o.adaptado.
A compreensão de fenômenos naturais exige a análise integrada de causas, condições atmosféricas e consequências observadas. Em textos de divulgação científica, é comum que diferentes informações sejam articuladas para explicar a dinâmica de eventos meteorológicos e seus impactos.

Com base no texto, assinale a alternativa CORRETA.
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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite EQUIPE
    09/09/2026 • 08:02
    Vamos entender um pouco sobre a meteorologia e fenômenos atmosféricos para responder essa questão. A frente de rajada é um fenômeno que ocorre quando há um forte contraste térmico entre massas de ar de características distintas, causando ventos intensos e rápidos. O texto mostra um exemplo disso no Sudeste do Brasil, onde ventos de mais de 120 km/h foram registrados devido ao encontro de ar quente e seco com uma massa de ar frio e úmido que avançou do Sul.

    Analisando cada alternativa:

    - A opção (a) está incorreta pois o texto não fala que a massa de ar frio permaneceu sobre o Sudeste por dias e nem que a frente fria atuou isoladamente, pelo contrário, fala que a combinação e o avanço dessa massa foram importantes.

    - A alternativa (b) está correta, pois o texto explica claramente que o fenômeno da frente de rajada resultou do intenso contraste térmico entre o ar quente e seco no Sudeste e a massa fria e úmida vinda do Sul, gerando ventos fortes.

    - A alternativa (c) está errada porque o texto mostra que era a massa de ar frio que se deslocava do Sul e que a queda abrupta de temperatura causou as rajadas, não uma massa quente do Sul avançando.

    - A (d) é incorreta porque o texto diz exatamente o contrário: houve uma brusca queda nas temperaturas, o que intensificou os ventos, e após o equilíbrio das massas de ar, as rajadas diminuíram.

    - A (e) também está errada porque os especialistas afirmam que não há vínculo direto comprovado entre o El Niño e a frente de rajada, apenas uma influência indireta e que seriam necessários estudos mais aprofundados.

    Portanto, a resposta correta é a letra b.
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