A única forma verbal que pode ser substituída adequadamente pela forma à sua ...

A única forma verbal que pode ser substituída adequadamente pela forma à sua direita é:


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O sabiá político

     Do ano passado para cá, o setor canoro das árvores,
aqui na ilha, sofreu importantes alterações.
Aguinaldo, o sabiá titular e decano da mangueira, terminou
por falecer, como se vinha temendo.
     Embora nunca se tenha aposentado, já mostrava
sinais de cansaço e era cada vez mais substituído,
tanto nos saraus matutinos quanto nos vespertinos,
pelo sabiá-tenor Armando Carlos, então grande promessa
jovem do bel canto no Recôncavo. Morreu de
velho, cercado pela admiração da coletividade, pois
pouco se ouviram, em toda a nossa longa história, timbre
e afinação tão maviosos, além de um repertório
de árias incriticável, bem como diversas canções românticas.
(...) Armando Carlos também morava na
mangueira e, apesar de já adivinhar que o velho
Aguinaldo não estaria mais entre nós neste verão, eu
não esperava grandes novidades na pauta das apresentações
artísticas na mangueira. Sofri, pois, rude
surpresa, quando, na sessão alvorada, pontualmente
iniciada às quinze para as cinco da manhã, o canto de
Armando Carlos, em pleno vigor de sua pujante mocidade,
soou meio distante.
     Apurei os ouvidos, esfreguei as orelhas como se
estivessem empoeiradas.
     Mas não havia engano. Passei pelo portão apreensivo
quanto ao que meus sentidos me mostravam,
voltei o olhar para cima, vasculhei as frondes das árvores
e não precisei procurar muito. Na ponta de um
galho alto, levantando a cabeça para soltar pelos ares
um dó arrebatador e estufando o peito belamente ornado
de tons de cobre vibrantes, Armando Carlos principiava
a função.
     Dessa vez foram meus olhos incrédulos que tive
de esfregar e, quando os abri novamente, a verdade
era inescapável.
     E a verdade era – e ainda é – que ele tinha inequivocamente
se mudado para o oitizeiro de meu vizinho
Ary de Maninha, festejado e premiado orador da ilha
(...).
     Estou acostumado à perfidez e à ingratidão humanas,
mas sempre se falou bem do caráter das aves
em geral e dos sabiás em particular. O sabiá costuma
ser fiel à sua árvore, como Aguinaldo foi até o fim. Estaríamos
então diante de mais um exemplo do comportamento
herético das novas gerações? Os sabiás
de hoje em dia serão degenerados? Eu teria dado algum
motivo para agravo ou melindre? Ou, pior, haveria
uma possível esposa de Armando Carlos sido mais
uma vítima do mico canalha que também mora na
mangueira? Bem, talvez se tratasse de algo passageiro;
podia ser que, na minha ausência, para não ficar
sem plateia, Armando Carlos tivesse temporariamente
transferido sua ribalta para o oitizeiro. Mas nada
disso. À medida que o tempo passava, o concerto das
dez também soando distante e o mesmo para o recital
do meio-dia, a ficha acabou de cair. A mangueira agora
está reduzida aos sanhaços, pessoal zoadeiro, inconstante
e agitado; aos cardeais, cujo coral tenta,
heroica mas inutilmente, preencher a lacuna dos
sabiás. (...)

RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 14 fev. 2010. (Adaptado)
A única forma verbal que pode ser substituída adequadamente pela forma à sua direita é:
Analisando...
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  • Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    09/04/2012 • 14:35
    Resposta correta: Letra E
    letra A : está errada pois a forma “temeria” representa o futuro do pretérito do
    modo indicativo. Ao se resolver questões de verbos, pergunte-se primeiro pelo modo
    (É certeza? Indicativo. É dúvida, possibilidade, condição? Subjuntivo. É ordem,
    pedido? Imperativo.) Após descobrir que é Modo Indicativo, lembre-se de que há um
    presente e dois futuros. O futuro imediato ao presente (hoje) é o futuro do presente
    (amanhã). Hoje eu temo. Amanhã eu temerei. O futuro do pretérito é um futuro com
    relação ao passado. Disse várias vezes em sala: “Cuidado com esse tempo, pois ele
    sempre aparece para confundi-los com o modo subjuntivo.” Eu temeria pelo erro de
    vocês se não houvesse enfatizado isso. Ele expressa um agendamento, uma certeza
    que é marcada mas não se realiza. Eu faria todas as atividades amanhã. Não pode ser
    substituindo pela forma composta de gerúndio “vinha temendo”, pois. O gerúndio
    nos passa a idéia, muitas vezes, de ação contínua, que está sendo realizada.
  • Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    09/04/2012 • 14:36
    A letra B : Novamente o futuro do pretérito “estaria” que não pode ser
    substituído pelo pretérito imperfeito “estava”. Lembre-se de que no Indicativo
    há três passados: o perfeito, [o que já está feito e terminado] ( “Ontem eu
    terminei.”) e aquele que se situa no passado, mas expressa ação contínua
    (“Naquele tempo eu terminava todos os dias meu trabalho e ...).
  • Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    09/04/2012 • 14:36
    A letra C : “estivessem” é modo Subjuntivo. Idéia subjetiva, nesse caso, de uma
    comparação especulativa ( “esfreguei as folhas como se elas estivessem..”
    Repare: elas não estavam empoeiradas. Não é indicativo. Indicativo é o que é, o
    que foi e o que será.) Disse muitas vezes, em sala, sobre o pretérito do
    subjuntivo: “Notícia boa é que 90% das questões que cobram pretérito do
    subjuntivo cobram o imperfeito. A dica é o ‘se’: se eu estudasse, se tu
    estudasses...”
  • Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    Gilson Cristiano Nogueira da Silva
    09/04/2012 • 14:36
    A letra D : Tive de esfregar = Tinha de esfregar. O Tive é pretérito perfeito e o
    tinha pretérito imperfeito. Repare que no texto, ele expressa uma ação anterior
    a uma ação passada. “Tive (deveria ser “tivera”) de esfregar e, quando os abri
    novamente, a verdade era inescapável.”: Na ordem direta: Eu esfregara (ou
    tinha esfregado) meus olhos e quando os abri novamente, a verdade era
    inescapável...” Nesse sentido, o tive de esfregar no texto poderia estabelecer
    uma relação de pretérito mais- que- perfeito, caso houvesse a presença do
    particípio, marca fundamental do pretérito-mais-que-perfeito. Trata-se de uma
    questão um tanto mal elaborada, mas não me parece que se já o caso de
    recurso, pois lhe falta a estrutura do particípio. O que só acontece na letra E, a
    opção correta.
  • Lucas morais
    Lucas morais
    21/08/2015 • 03:29
    cara, tu num faz outra coisa não é?
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