Paciente de 26 anos, sexo feminino, atendida após tentativa de suicídio. Hist...

Paciente de 26 anos, sexo feminino, atendida após tentativa de suicídio. Histórico de múltiplas internações desde os 19 anos. Apresenta períodos de humor elevado com duração de 2–3 dias (aumento de...


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Paciente de 26 anos, sexo feminino, atendida após tentativa de suicídio. Histórico de múltiplas internações desde os 19 anos. Apresenta períodos de humor elevado com duração de 2–3 dias (aumento de energia, redução de sono, sociabilidade, gastos excessivos), sempre desencadeados por eventos interpessoais positivos. Em seguida, “quedas” abruptas com disforia intensa, ideação suicida e automutilação quando ocorre rejeição. Entre episódios, mantém instabilidade afetiva crônica, impulsividade, relacionamentos instáveis e medo intenso de abandono. Tratamentos com antidepressivos e estabilizadores têm resposta inconsistente.
Qual diagnóstico melhor explica a apresentação clínica descrita acima?
Analisando...
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  • Marcos de Castro
    Marcos de Castro EQUIPE
    21/09/2026 • 00:01
    Vamos analisar essa questão com calma. O paciente apresenta episódios de humor elevado com duração de 2 a 3 dias, com aumento de energia, redução do sono e comportamentos impulsivos, desencadeados por eventos positivos. Em seguida, há quedas abruptas com disforia intensa, ideação suicida e automutilação, especialmente após rejeição. Além disso, entre esses episódios, ela mantém instabilidade afetiva crônica, impulsividade, relacionamentos instáveis e medo intenso de abandono. Esses sinais são característicos de um transtorno que envolve instabilidade emocional profunda, associada a comportamentos autodestrutivos e relações interpessoais tumultuadas.

    Diferente dos transtornos bipolares (tipos I e II), onde os episódios de humor alterado (mania ou hipomania) possuem durações maiores (mínimo de uma semana para mania e 4 dias para hipomania) e apresentam sintomas distintos entre os episódios, esse caso tem uma instabilidade mais rápida e marcada pela impulsividade e pelos sintomas de medo de abandono e relacionamentos intensos e frágeis.

    Portanto, o quadro descrito é clássico para o transtorno de personalidade borderline, que é caracterizado exatamente por esses elementos: instabilidade afetiva, impulsividade, automutilação, medo de abandono e mudanças bruscas no humor desencadeadas por relações interpessoais.

    Sobre as outras opções:
    - Transtorno bipolar tipo I: exige mania com pelo menos 7 dias, o que não ocorre aqui.
    - Transtorno bipolar tipo II: hipomania dura pelo menos 4 dias, e o paciente apresenta oscilações de humor mais rápidas e instabilidade crônica.
    - Transtorno ciclotímico e ansiedade generalizada: não explicam bem automutilação, medo de abandono e instabilidade interpessoal.

    Por tudo isso, a melhor opção é a letra c) Transtorno de personalidade borderline.
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