Paciente de 42 anos em tratamento para esquizofrenia com haloperidol 15 mg/di...

Paciente de 42 anos em tratamento para esquizofrenia com haloperidol 15 mg/dia há 3 anos. Há 7 dias acrescentouse sertralina 50 mg/dia, aumentada para 100 mg/dia há 48 horas. Trazido ao pronto-soco...


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Paciente de 42 anos em tratamento para esquizofrenia com haloperidol 15 mg/dia há 3 anos. Há 7 dias acrescentouse sertralina 50 mg/dia, aumentada para 100 mg/dia há 48 horas. Trazido ao pronto-socorro por confusão mental progressiva nas últimas 24 horas. Exame: temperatura 39,8 °C, PA 160/100 mmHg, FC 120 bpm, sudorese, tremores, mioclonias, hiperreflexia com clônus aquiliano bilateral, rigidez moderada, pupilas midriáticas. CPK 2.800 U/L, leucócitos 13.000/mm³, creatinina 1,8 mg/dL.
Assinale a alternativa com o diagnóstico mais provável e a conduta prioritária a ser adotada.
Analisando...
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  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    21/09/2026 • 00:01
    Essa questão aborda uma situação clínica muito importante em psiquiatria e medicina de emergência: os efeitos colaterais graves de medicamentos psiquiátricos. Neste caso, temos um paciente esquizofrênico em uso crônico de haloperidol, um antipsicótico típico, que teve recentemente o início e aumento da dose de sertralina, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS). Após o ajuste da sertralina, o paciente apresentou quadro agudo de confusão mental, febre alta, hipertensão, taquicardia, sudorese, tremores, mioclonias, hiperreflexia com clônus, rigidez moderada, midríase pupilar, além de alterações laboratoriais sugestivas de rabdomiólise (CPK elevada) e insuficiência renal leve (aumento da creatinina).
    Esses sinais e sintomas são bastante característicos da síndrome serotoninérgica, uma condição causada pelo excesso de serotonina no sistema nervoso central, geralmente pela associação ou aumento recente de medicamentos serotonérgicos como a sertralina. A hiperreflexia, clônus e mioclonias, associadas à midríase, são sinais típicos que a diferenciam da síndrome neuroléptica maligna, que cursa com rigidez severa tipo 'piège de cire'.
    A síndrome neuroléptica maligna estaria associada ao haloperidol, mas o início recente das alterações após aumento da sertralina, e sinais como hiperreflexia e mioclonias com clônus orientam para síndrome serotoninérgica. O tratamento prioritário é a suspensão imediata da sertralina, suporte intensivo e o uso de ciproheptadina, um antagonista serotoninérgico. Os outros diagnósticos são menos compatíveis com o quadro descrito: catatonia maligna não cursa com hiperreflexia e clônus, e hipertermia maligna está mais relacionada a anestésicos e não psicofármacos.
    Portanto, a alternativa correta é a letra c: Síndrome serotoninérgica; suspender sertralina, instituir suporte intensivo e considerar cipro-heptadina.
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