Homem de 72 anos, tabagista há 40 anos (20 cigarros/ dia), etilista social, a...

Homem de 72 anos, tabagista há 40 anos (20 cigarros/ dia), etilista social, apresenta disfonia progressiva há oito meses, associada a dispneia aos médios esforços nas últimas semanas. Nasofibrolari...


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Q1135342 • Medicina • Oncologia • VUNESP • EsFCEx • Oficial • 2025
Homem de 72 anos, tabagista há 40 anos (20 cigarros/ dia), etilista social, apresenta disfonia progressiva há oito meses, associada a dispneia aos médios esforços nas últimas semanas. Nasofibrolaringoscopia mostrou lesão ulceroinfiltrativa em supraglote, envolvendo a prega vestibular e a prega ariepiglótica à direita, paralisia da hemilaringe direita. Tomografia computadorizada e ressonância magnética evidenciam lesão com invasão da cartilagem tireoide, sem extensão extralaríngea, e presença de linfonodo cervical no nível IIA homolateral de 2,5 cm, sem sinais de ruptura capsular. PET-CT confirma captação em lesão primária e linfonodo cervical, sem evidência de metástases à distância. Após laringectomia total com esvaziamento cervical radical modificado à direita e esvaziamento cervical seletivo II-IV à esquerda, o exame anatomopatológico revela: carcinoma espinocelular moderadamente diferenciado, com 3,8 cm no maior diâmetro, invasão da cartilagem tireoide, margens cirúrgicas livres, ausência de embolização vascular e linfática e invasão perineural ausente, com metástase em quatro de 32 linfonodos dissecados, sem ruptura capsular, homolaterais ao tumor primário.
Qual a conduta mais adequada no pós-operatório?
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  • Marcos de Castro
    Marcos de Castro EQUIPE
    19/09/2026 • 20:01
    Vamos entender primeiro o contexto dessa questão que aborda um caso de câncer de laringe com tratamento cirúrgico e o manejo pós-operatório adequado. O paciente tem um carcinoma espinocelular moderadamente diferenciado, invasão da cartilagem tireoide, margens livres, ausência de embolização vascular e linfática, e metástase em 4 de 32 linfonodos, mas sem ruptura capsular.

    O manejo do câncer de cabeça e pescoço no pós-operatório depende principalmente do risco de recidiva local/regional. Fatores considerados de alto risco incluem margens positivas, invasão perineural extensa, embolização linfática e vascular, e ruptura capsular dos linfonodos metastáticos. Quando esses fatores estão presentes, utiliza-se radioterapia associada à quimioterapia (geralmente com cisplatina) para tentar diminuir o risco de recidiva.

    No caso apresentado, embora haja invasão da cartilagem tireoide e múltiplas metástases linfonodais (4 linfonodos afetados), as margens estão livres, não há invasão perineural ou vascular, e não há ruptura capsular, o que caracteriza um risco intermediário. Para pacientes com fatores intermediários (como >2 linfonodos acometidos), a radioterapia adjuvante é recomendada para aumentar o controle local e regional.

    Portanto, a quimioterapia adjuvante exclusiva não é indicada, e a quimiorradioterapia é normalmente reservada para casos com fatores de alto risco. Observação simples também não seria apropriada devido ao comprometimento linfonodal.

    Assim, a conduta mais adequada no pós-operatório deste paciente é a radioterapia adjuvante no leito tumoral e nas cadeias cervicais bilaterais, já que houve acometimento ganglionar homolateral e necessidade de controle regional. Essa abordagem é padronizada para pacientes com características apresentadas.

    Gabarito: d
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