No trecho “Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. De...

No trecho “Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e praze...


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Para responder à questão, leia o texto do imperador Marco Aurélio (121 – 180 d.C.) a seguir:


O próprio Hipócrates, que curou muitas doenças, caiu doente e morreu. Os caldeus* previram as mortes de multidões e, ao final, o destino também ceifou suas vidas. Alexandre Pompeu e Caio César, que destruíram muitas cidades e tiraram a vida de milhares de soldados de cavalaria e infantaria no campo de batalha, também um dia deixaram esta vida. Heráclito, que muito especulou sobre a conflagração do mundo, morreu engolido pela água e coberto de estrume de gado. Demócrito foi destruído por vermes; Sócrates foi morto por outro tipo de verme. Por que tudo isso?

Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo. A alma é, pois, inteligência e divindade, mas o corpo, pó e corrupção.

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)


*Caldeus: habitantes da Caldeia, país na antiga Mesopotâmia.
No trecho “Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo” (2° parágrafo), as frases com verbo no imperativo, interpelando o leitor, caracterizam estilisticamente a função
Analisando...
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  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    18/09/2026 • 12:02
    Vamos entender bem o que está acontecendo nessa questão, que envolve um trecho das Meditações de Marco Aurélio, um texto filosófico que fala sobre a vida, a morte e o destino da alma. O ponto principal aqui é identificar a função da linguagem usada nas frases que estão no modo imperativo: “Embarcaste, empreendeste tua viagem... Desembarca...”.

    A função da linguagem é um conceito que ajuda a entender o objetivo da mensagem. Nesse caso, o modo imperativo serve para 'chamar' ou 'convocar' o leitor a refletir, sugerindo uma atitude ou uma ação, mesmo que simbólica, como se fosse uma orientação ou conselho direto. Isso é típico da função apelativa, que tem como foco o receptor da mensagem e busca influenciar ou provocar uma resposta dele.

    Vamos analisar as alternativas:
    - A função representativa é mais para informar fatos, transmitir uma realidade objetiva; aqui não é isso, pois o imperativo é uma chamada para reflexão.
    - A função emotiva destaca sentimentos do emissor, mas no trecho não tem expressões claras de emoção pessoal do autor.
    - A função apelativa, sim, aparece porque o texto convoca o leitor a agir mentalmente, a aceitar o destino e refletir sobre a vida e a morte.
    - Repare que as opções que falam em apelativa (c e e) trazem nuances diferentes: a letra c fala de ideias e atitudes para reflexão, o que bate bem com o convite do imperativo. A letra e menciona consequências de evitar situações difíceis, e no texto não há essa ideia de evitar, mas de aceitar a realidade.

    Portanto, a função da linguagem representada pelas frases no modo imperativo, que interpelam o leitor, é a função apelativa, expressando ideias e atitudes que o autor submete à reflexão do leitor. Isso corresponde à alternativa c.

    Gabarito: c
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