Adolescente, sexo feminino, 14 anos, cursando o 9º ano em escola regular, foi...

Adolescente, sexo feminino, 14 anos, cursando o 9º ano em escola regular, foi encaminhada ao psiquiatra pelo pediatra que estava preocupado com sua queda abaixo do percentil 10 para peso. A menina ...


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Adolescente, sexo feminino, 14 anos, cursando o 9º ano em escola regular, foi encaminhada ao psiquiatra pelo pediatra que estava preocupado com sua queda abaixo do percentil 10 para peso. A menina vinha em acompanhamento psicoterápico com psicólogo para quadro de perfeccionismo que lhe causava ansiedade significativa.

As dificuldades alimentares dela começaram aos 12 anos, quando ela começou a se recusar a comer, alegando medo de vomitar. Na época, os pais buscaram o tratamento do pediatra, que tranquilizou a família, afirmando que era normal que crianças passem por fases.

Durante os últimos dois anos, consumia apenas quantidades muito pequenas de alimentos ao longo de períodos muito grandes de tempo. Ela forneceu vários motivos para sua pouca ingestão de alimentos, e manifestava o desejo de ganhar peso, pois estava infeliz com seu baixo peso.

A adolescente negou compulsão alimentar, purgação ou outros comportamentos relacionados com a perda de peso. Era sedentária. Ela não relatou outros sintomas psiquiátricos além da ingestão inadequada de alimentos. Parecia eutímica e não relatou sintomas de depressão. Negou uso de álcool ou de drogas ilícitas.

O diagnóstico mais provável apresentado pela paciente segundo o DSM-5 é:
Analisando...
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  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    13/10/2026 • 00:01
    Vamos conversar um pouco sobre os transtornos alimentares, que são condições psiquiátricas que envolvem comportamentos alimentares preocupantes e podem prejudicar a saúde física e mental. Os mais comuns são a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, mas também há outros, como o transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE) e categorias para casos que não se encaixam perfeitamente nesses diagnósticos.

    No caso apresentado, temos uma adolescente de 14 anos que teve início dos sintomas aos 12 anos, com recusa alimentar por medo de vomitar e ingestão muito baixa de alimentos nos últimos 2 anos. Ela quer ganhar peso, está abaixo do percentil 10 para peso, não tem episódios de compulsão alimentar ou purgação, não apresenta sintomas depressivos e está eutímica. A presença do medo de vomitar e a restrição alimentar longa são importantes para o diagnóstico.

    A anorexia nervosa tipo restritivo é caracterizada por restrição alimentar que leva a um peso abaixo do esperado para a idade e altura, medo intenso de ganhar peso ou engordar, e percepção distorcida do peso ou forma corporal. No entanto, a paciente não relata medo de engordar, mas sim medo de vomitar, e quer ganhar peso, o que não é típico da anorexia.

    A bulimia nervosa envolve episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, jejum ou exercícios excessivos, que não ocorrem no caso.

    O transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE) é caracterizado por uma restrição alimentar significativa, que pode levar à perda de peso ou atraso no crescimento, sem preocupação com peso ou forma corporal. Muitas vezes, está relacionada a medo de consequências aversivas relacionadas à alimentação, como medo de engasgar, vomitar ou aspectos sensoriais dos alimentos. Neste caso, o medo de vomitar e a restrição alimentar se encaixam bem com o TARE.

    O transtorno alimentar não especificado é uma categoria geral usada quando os critérios para os transtornos específicos não são totalmente atendidos, mas a apresentação clínica não se encaixa nitidamente em outras categorias.

    Diante da apresentação clínica desta adolescente, onde o principal sintoma é a restrição alimentar motivada pelo medo de vomitar, sem preocupação com o peso, o diagnóstico mais apropriado segundo o DSM-5 é o transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE). Portanto, a alternativa correta é a letra c).
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