Homem, 63 anos, com antecedente de infarto do miocárdio há 3 anos, procura se...

Homem, 63 anos, com antecedente de infarto do miocárdio há 3 anos, procura seguimento ambulatorial por dispneia aos esforços habituais e fadiga progressiva há 5 meses. Encontra-se clinicamente está...


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Homem, 63 anos, com antecedente de infarto do miocárdio há 3 anos, procura seguimento ambulatorial por dispneia aos esforços habituais e fadiga progressiva há 5 meses. Encontra-se clinicamente estável, sem sinais de congestão ao exame físico. Apresenta pressão arterial de 112 x 68 mmHg, frequência cardíaca de 72 bpm, ritmo regular, saturação de 97% em ar ambiente e ausência de edema periférico. Ecocardiograma mostra fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 31%. Creatinina sérica 1,1 mg/dL, potássio 4,6 mEq/L. Faz uso regular de enalapril, carvedilol, furosemida e AAS.

Considerando o quadro descrito, a conduta com maior potencial de reduzir mortalidade e internações por insuficiência cardíaca, no contexto atual, é:
Analisando...
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  • Matheus Fernandes
    Matheus Fernandes EQUIPE
    11/10/2026 • 19:01
    Essa questão aborda a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) e a conduta terapêutica para o paciente em estabilidade clínica, mas com baixa fração de ejeção do ventrículo esquerdo (31%), que indica disfunção significativa.

    O tratamento da ICFEr tem como pilares os medicamentos que demonstraram redução de mortalidade e hospitalizações: inibidores do sistema renina-angiotensina (IECA, BRA ou ARNI), betabloqueadores, antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM) e inibidores de SGLT2. A combinação adequada dessas classes gera benefício robusto na melhora do prognóstico.

    O paciente já faz uso de enalapril (IECA), carvedilol (betabloqueador), furosemida (diurético) e ácido acetilsalicílico. A furosemida é importante para controle de congestão, mas não melhora prognóstico nem reduz mortalidade, sendo usada para sintomas.

    Analisar as alternativas:

    a) Dobrar furosemida sem sinais de congestão e sem otimizar drogas modificadoras de prognóstico não é o ideal, pois diuréticos não reduzem mortalidade.

    b) Associar antagonista do receptor mineralocorticoide (ex. espironolactona) e inibidor de SGLT2 (ex. dapagliflozina) é recomendado na ICFEr para redução de mortalidade e hospitalizações. A reavaliação do IECA para possível troca por sacubitril/valsartana (ARNI) também é considerada, mas não obrigatória imediatamente.

    c) Substituir betabloqueador por diltiazem é incorreto, pois diltiazem não tem papel na ICFEr e pode piorar função ventricular.

    d) Digoxina não reduz mortalidade, sua indicação é para sintomas persistentes e controle de frequência em fibrilação atrial, não primeira linha para reduzir mortalidade.

    e) Suspender enalapril não é indicado, pois IECA melhora sobrevida e pode ser mantido mesmo com pressão arterial um pouco baixa desde que tolerado.

    Portanto, a conduta com maior potencial de redução de mortalidade e internações no momento é a associação do antagonista do receptor mineralocorticoide e inibidor de SGLT2, com reavaliação para troca do IECA por sacubitril/valsartana dependendo da resposta e tolerabilidade.

    Gabarito: b
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