Segundo a autora, NÃO se caracteriza ...

Segundo a autora, NÃO se caracteriza como apropriação cultural


publicidade
📖 Texto associado ▼
Leia o texto a seguir para responder à questãoproposta.



Apropriação cultural é um problema do sistema, não de indivíduos


É necessário se discutir essa questão com seriedade, porém, sem intransigências e desonestidade

Publicado em 05/04/2016 por DJAMILA RIBEIRO


Ultimamente tem se falado muito sobre apropriação cultural nas redes sociais. Textos e mais textos sobre o tema, discussões, muitas vezes infrutíferas, e esvaziamento de conceitos. Sim, acredito que é necessário se discutir essa questão com seriedade, porém, sem intransigências e desonestidade. Há colunistas, por exemplo, escrevendo que apropriação cultural não existe, e, por outro lado, pessoas colocando a responsabilidade nos indivíduos, ignorando as questões estruturais. Acredito que ambos os caminhos são equivocados.
Precisamos entender como o sistema funciona. Por exemplo: durante muito tempo, o samba foi criminalizado, tido como coisa de “preto favelado”, mas, a partir do momento que se percebe a possibilidade de lucro do samba, a imagem muda. E a imagem mudar significa que se embranquece seus símbolos e atores para com o objetivo de mercantilização. Para ganhar dinheiro, o capitalista coloca o branco como a nova cara do samba.
Por que isso é um problema? Porque esvazia de sentido uma cultura com o propósito de mercantilização ao mesmo tempo em que exclui e invisibiliza quem produz. Essa apropriação cultural cínica não se transforma em respeito e em direitos na prática do dia a dia. Mulheres negras não passaram a ser tratadas com dignidade, por exemplo, porque o samba ganhou o status de símbolo nacional. E é extremamente importante apontar isso: falar sobre apropriação cultural significa apontar uma questão que envolve um apagamento de quem sempre foi inferiorizado e vê sua cultura ganhando proporções maiores, mas com outro protagonista. Uma frase do poeta americano B. Easy, compartilhada no Twitter, e bastante compartilhadas nas redes sociais faz todo o sentido nessa discussão:
“A cultura negra é popular, mas as pessoas negras, não”.
Uma coisa é a troca, o intercâmbio de culturas, o que é muito positivo. Outra coisa é a apropriação. No nosso país, as culturas foram hierarquizadas, sendo a negra colocada como inferior, exótica. Dentro desse contexto é possível falar em troca? A troca só é possível quando não existem hierarquias. Enquanto terreiros são invadidos, há marcas que acham cult colocar modelos brancas representando Iemanjá. Esse discurso de que a cultura é humana só é válido quando querem apropriá-la. No momento de considerar a humanidade daqueles que produzem essa cultura, a história é bem diferente. No momento de perceber a necessidade histórica de ser representado e ter posse de sua história, é ignorado. E esse é ponto nevrálgico da nossa crítica em relação à apropriação cultural.
Porém, isso não significa culpabilizar os indivíduos que estão inseridos dentro dessa lógica. Não julgo certo apontar dedos para pessoas brancas que fazem uso da cultura negra por alguns motivos. Primeiro, muitas dessas pessoas desconhecem a discussão sobre apropriação cultural, segundo, não se pode responsabilizar somente os sujeitos e, por fim, estamos falando de um problema estrutural.
A crítica deve ser feitas às indústrias que lucram com isso. Achei correta a crítica feita à marca Farm quando colocou várias modelos brancas usando turbantes e nenhuma negra. A marca estava lucrando com um símbolo sem dar protagonismo aos sujeitos que os produzem. Agora, criticar uma pessoa somente por fazer o mesmo, acho energia gasta com o alvo errado.
É necessário, sim, se problematizar essas questões, mas tendo em mente que vivemos numa sociedade capitalista e nesta, tudo vira mercadoria.

Disponível em: http://azmina.com.br/2016/04/apropriacao-cultural-e-um-problema-do-sistema-nao-de-individuos/. Acesso em: 05/04/2017. [adaptado].
Segundo a autora, NÃO se caracteriza como apropriação cultural
Analisando...
publicidade

🚀 Desbloqueie a explicação completa

Veja comentários detalhados e resoluções exclusivas para entender o gabarito desta questão.

Criar conta grátis
  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    24/09/2026 • 21:01
    Vamos falar sobre apropriação cultural, que é um tema bastante discutido e bem complexo. A questão envolve entender a diferença entre apropriação e intercâmbio cultural, além de saber que a apropriação acontece num contexto de desigualdade e hierarquias sociais.

    No texto que acompanhou a questão, a autora Djamilia Ribeiro afirma claramente que a apropriação cultural está ligada a um problema estrutural e sistêmico, e não à simples ação individual. Ela explica que quando símbolos e elementos culturais de um grupo historicamente marginalizado são usados por outro grupo — geralmente dominante — sem respeito e reconhecimento, ocorre a apropriação. Exemplos dados incluem a criminalização do samba e depois sua mercantilização com a ascensão de representantes brancos desse gênero, e também o uso cínico de símbolos culturais em situações que excluem os verdadeiros produtores da cultura.

    Na questão, as alternativas mostram casos diferentes, e a autora deixa claro que algumas atitudes são problemáticas porque configuram apropriação cultural, como usar modelos brancas representando Iemanjá ou utilizar o branco como rosto do samba para fins de lucro. Já o compartilhamento de frases de escritores negros no Twitter por pessoas brancas não é citado como apropriação cultural, pois isso corresponde a uma troca de ideias e visibilidade, não ao uso comercial ou à descontextualização da cultura.

    Portanto, a alternativa que NÃO configura apropriação cultural, conforme o texto, é o compartilhamento dessas frases no Twitter. Isso é mais uma forma de divulgação ou intercâmbio cultural, e não uma apropriação que desrespeita e invisibiliza os criadores da cultura.

    Gabarito: letra c.
publicidade
🍪

Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes para aprimorar sua experiência de navegação. Política de Privacidade.