A poesia da angolana Ana Paula Ribeiro Tavares, autora do texto, é marcada po...

A poesia da angolana Ana Paula Ribeiro Tavares, autora do texto, é marcada por um lirismo intenso e se apresenta como uma voz singular, construída a partir de uma concepção feminina e intimista.


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E as margens

Respira mansa a superfície do lago
silêncio e lágrimas pesam-lhe as margens.

Uma mulher quieta
enche as mãos de sangue
cortando o azul
da superfície de vidro.


Tavares, Ana Paula. As margens. In: Amargos como os frutos: poesia reunida. Rio de Janeiro: Pallas, 2011. p. 130.
A poesia da angolana Ana Paula Ribeiro Tavares, autora do texto, é marcada por um lirismo intenso e se apresenta como uma voz singular, construída a partir de uma concepção feminina e intimista.
No contexto do poema “E as margens”, avalie as afirmações a seguir e marque V para as verdadeiras e F para as falsas.

(__) A relação entre os vocábulos “superfície” e “margens”, nos dois primeiros versos, é de aquiescência entre a mansuetude da superfície do lago e o peso das margens provocado pelo silêncio e pelas lágrimas do eu lírico.
(__) “Estar na margem”, metaforicamente, pode significar “não estar no centro”, considerando-se que o eu lírico se trata de uma personagem afrofeminina, o que enfatiza a perspectiva dessa voz poética, seus desafios e sua (re)existência.
(__) O lago, no poema, simboliza nascimento, fonte de vida, sacralidade, ancestralidade. O eu lírico está diante de uma superfície espelhada, que reflete sua imagem e sua condição de existência, com suas dores e seus desafios.
(__) A mansidão do lago, apresentada na primeira estrofe, é quebrada pelos três últimos versos do poema, sugerindo que o eu lírico, ao tocar a água, rompe com a própria imagem e provoca desequilíbrios pessoais e sociais.

A sequência que preenche os parênteses CORRETAMENTE é:
Analisando...
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  • Matheus Fernandes
    Matheus Fernandes EQUIPE
    04/10/2026 • 03:01
    Vamos falar um pouco sobre poesia, que é um jeito lindo e sensível de expressar sentimentos, imagens e pensamentos. Nesse poema, temos uma forte carga simbólica e uma perspectiva feminina muito presente.

    No primeiro verso, a "superfície do lago" é descrita como mansa, ou seja, tranquila. Já as "margens" pesam devido ao silêncio e às lágrimas, indicando que há um peso emocional ou uma dor nas bordas, nas extremidades do lago. Então, a relação entre 'superfície' e 'margens' não é exatamente de aquiescência (harmonia), pois a superfície é calma e mansueta, enquanto as margens têm um peso, um fardo. Logo, a primeira afirmação é falsa.

    Na segunda afirmação, "estar na margem" como metáfora para estar fora do centro ou do poder é muito comum e faz bastante sentido, principalmente se considerarmos que o eu lírico é uma personagem afrofeminina. Ela, então, representa essa condição de estar, de certa forma, à margem da sociedade dominante, o que reforça seus desafios e a sua existência de resistência (reexistência). Isso torna a segunda afirmação verdadeira.

    O lago simboliza, frequentemente na literatura, elementos como nascimento, vida, ancestralidade e um lugar de ligação com o passado. A superfície do lago, como um espelho, mostra a imagem refletida e, simbolicamente, a identidade e as dores do eu lírico. Isso confirma a terceira afirmação como verdadeira.

    Por fim, o contraste entre a mansidão inicial do lago e a ação da mulher que enche as mãos de sangue e corta o azul da superfície reforça o rompimento dessa paz, criando desequilíbrios, que podem ser entendidos tanto pessoais quanto sociais. Portanto, a quarta afirmação é verdadeira.

    Assim, a sequência correta é: Falso, Verdadeiro, Verdadeiro, Verdadeiro.

    Gabarito: Letra a) F- V- V- V.
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