“[...] como há muito se sabe, a prevalência de crimes e a percepção de segura...

“[...] como há muito se sabe, a prevalência de crimes e a percepção de segurança não caminham necessariamente juntas” (2º parágrafo). Nessa frase, a vírgula tem a função de:


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CONJUNTURA DA VIOLÊNCIA NO BRASIL


Entre 2022 e 2023, houve redução de 2,3% na taxa de homicídio por 100 mil habitantes no país. Com isso, o Brasil atingiu o índice de 21,2, o menor dos últimos 11 anos. Em 2023, 45.747 pessoas perderam as vidas em face dos homicídios. Depois de uma estagnação nas taxas de homicídio entre 2019 e 2022, que estacionou no patamar de 21,7, voltamos timidamente à trajetória de queda iniciada em 2018 [...].

Não obstante, uma pesquisa de opinião feita recentemente pela Genial/Quaest apontou que 29% dos entrevistados enxergavam a questão da criminalidade como o maior problema do Brasil. Essa proporção aumentou 19 pontos percentuais em pouco mais de um ano, uma vez que em dezembro de 2023, apenas 10% dos entrevistados citavam a violência. Essa aparente contradição entre a redução das taxas de homicídio e o aumento da percepção do crime e de insegurança como maior problema a ser enfrentado pode ser compreendida por duas razões. Em primeiro lugar, como há muito se sabe, a prevalência de crimes e a percepção de segurança não caminham necessariamente juntas. Existem inúmeros elementos que interferem nessa relação que, entre outras questões, passa pela intensidade de como os incidentes são tratados nas mídias e redes sociais, pela localização geoespacial dos conflitos e pela maneira como as pessoas se sentem expostas aos crimes praticados.

O segundo ponto diz respeito à mudança do padrão de criminalidade. Sobre esse aspecto, além da citada queda dos homicídios, em 2023 observou-se redução em quase todos os crimes contra o patrimônio praticados na rua, no comércio e nas residências, como apontado no 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Entretanto, o estelionato praticado em meios digitais aumentou de forma extraordinária nos últimos anos, alcançando quase dois milhões de registros de ocorrência, apenas em 2023, ou um golpe a cada 16 segundos.

A transformação digital da sociedade ao mesmo tempo em que ajuda a revelar os altos níveis de violência que permeiam as relações sociais (inclusive intrafamiliares e relacionadas ao ambiente escolar, como o cyberbullying), traz em seu bojo novas relações que potencializam o medo do crime. Esse é o caso do estelionato no rastro do furto ou roubo de celular, que pode ocasionar prejuízos significativos às vítimas, em valores muitas vezes superiores ao valor do aparelho subtraído.

Em síntese, ao mesmo tempo em que houve redução de crimes violentos letais nos últimos anos – tendo o número de homicídios reduzido cerca de 30%, de 65.602, em 2017 para 45.747, em 2023 – vivenciamos um aumento da percepção de insegurança.


Fonte: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/05/atlasviolencia-2025.pdf. Acesso em 03/09/2025. Excerto.
“[...] como há muito se sabe, a prevalência de crimes e a percepção de segurança não caminham necessariamente juntas” (2º parágrafo). Nessa frase, a vírgula tem a função de:
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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite EQUIPE
    03/10/2026 • 03:01
    A questão aborda a função da vírgula na frase “como há muito se sabe, a prevalência de crimes e a percepção de segurança não caminham necessariamente juntas”. Quando analisamos o uso da vírgula, é importante observar a estrutura da frase e qual elemento está sendo separado.

    Aqui, a frase começa com uma oração subordinada adverbial reduzida (que poderia ser expandida para uma oração subordinada adverbial causal, como “como há muito se sabe” = “visto que se sabe há muito tempo”). Essa oração vem antes da oração principal, e a vírgula é usada para destacá-la, pois está deslocada para o início da frase.

    Vamos analisar as opções:
    - (a) Isolar vocativo: Não há vocativo na frase, então essa opção é incorreta.
    - (b) Marcar enumeração: Não há enumeração na frase, logo essa opção está errada.
    - (c) Separar orações coordenadas: A vírgula não está separando orações coordenadas, mas sim uma oração subordinada adverbial seguida da oração principal.
    - (d) Destacar oração subordinada adverbial deslocada: Essa é a função correta da vírgula; destaca a oração subordinada adverbial no começo da frase, separando-a da oração principal.

    Portanto, a alternativa certa é a letra d.

    Gabarito: d
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