Homem de 32 anos, vítima de colisão moto–carro, é admitido com traumatismo cr...

Homem de 32 anos, vítima de colisão moto–carro, é admitido com traumatismo cranioencefálico (TCE) grave, hipotensão (PAM 55 mmHg), bradicardia (FC 48 bpm) e pupilas midriáticas não fotorreagentes. ...


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Homem de 32 anos, vítima de colisão moto–carro, é admitido com traumatismo cranioencefálico (TCE) grave, hipotensão (PAM 55 mmHg), bradicardia (FC 48 bpm) e pupilas midriáticas não fotorreagentes. Após estabilização inicial, mantém instabilidade hemodinâmica refratária à reposição volêmica e vasopressores em doses crescentes para manutenção de níveis de pressão arterial média (PAM) em torno de 65 mmHg. O ecocardiograma mostra disfunção ventricular leve, sem sinais de tamponamento, e a tomografia evidencia edema cerebral difuso.

A equipe considera choque neurogênico associado à lesão cervical e TCE. O paciente evolui para Glasgow 3T, sem sedação e sem bloqueadores neuromusculares, sem reflexos de tronco encefálico. Diante da instabilidade hemodinâmica persistente, é considerada a implantação de ECMO venoarterial (ECMO VA). A família ainda não foi informada sobre a possibilidade de morte encefálica.

Com base na legislação brasileira vigente, na fisiopatologia do choque e nos princípios éticos aplicáveis, assinale a alternativa correta.
Analisando...
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  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    01/10/2026 • 23:01
    Vamos analisar essa questão complexa que envolve trauma grave, choque neurogênico, morte encefálica e o uso da ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea). O paciente sofreu um TCE grave com sinais de comprometimento neurológico severo, está hemodinamicamente instável, e a equipe cogita iniciar ECMO VA, que é usada para suporte circulatório e respiratório em casos graves.

    Primeiro, quanto ao início da ECMO VA, não é eticamente aceitável usá-la apenas para preservar órgãos para transplante antes da confirmação formal da morte encefálica, pois isso pode violar o princípio da autonomia e da legalidade, a menos que o paciente esteja vivo e o tratamento seja para seu benefício direto (alternativa a incorreta).

    Segundo, a presença da ECMO VA não inviabiliza o diagnóstico clínico de morte encefálica. Embora a ECMO possa interferir em alguns parâmetros, a legislação e os protocolos atuais permitem a realização do diagnóstico com técnicas específicas, mesmo com suporte extracorpóreo (alternativa b está incorreta).

    Terceiro, o choque neurogênico realmente pode complicar a estabilização hemodinâmica, contudo, desde que as principais causas confundidoras sejam afastadas e o paciente esteja em condições adequadas, é possível abrir e concluir o protocolo para morte encefálica normalmente. Essa alternativa está correta e condiz com a prática clínica e legislação vigente (alternativa c correta).

    Por fim, a suspensão imediata da ECMO após confirmação da morte encefálica não é recomendada automaticamente. O suporte pode ser mantido para manter a viabilidade dos órgãos para doação, respeitando o consentimento da família e os protocolos éticos (alternativa d incorreta).

    Portanto, o enunciado correto é o da alternativa c.
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