Caso pluvios...

Caso pluvioso A chuva me irritava. Até que um dia descobri que maria é que chovia. A chuva era maria. ...


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Caso pluvioso

A chuva me irritava. Até que um dia

descobri que maria é que chovia.

A chuva era maria. E cada pingo

de maria ensopava o meu domingo.

E meus ossos molhando, me deixava

como terra que a chuva lavra e lava.

E eu era todo barro, sem verdura...

maria, chuvosíssima criatura!

Ela chovia em mim, em cada gesto,

pensamento, desejo, sono, e o resto.

Era chuva fininha e chuva grossa,

Matinal e noturna, ativa... Nossa!

ANDRADE, C. D. Viola de bolso. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952 (fragmento).


Considerando-se a exploração das palavras “maria” e “chuvosíssima” no poema, conclui-se que tal recurso expressivo é um(a)

Analisando...
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  • Marcos de Castro
    Marcos de Castro EQUIPE
    01/10/2026 • 01:01
    Vamos falar um pouco sobre como a linguagem literária funciona, especialmente na poesia, que é o caso desse trecho do livro 'Viola de bolso' de Carlos Drummond de Andrade. Na poesia, os autores frequentemente brincam com as palavras, criando formas novas, inovações que trazem um toque único ao texto e permitem expressar ideias, emoções e imagens de maneira singular. Nesse poema, temos o uso da palavra “maria” para representar a chuva, uma personificação que transforma a chuva em uma personagem, e a palavra “chuvosíssima”, que não é uma palavra comum no português padrão. "Chuvosíssima" é uma criação do poeta que intensifica a ideia de chuva de forma muito forte, um superlativo inventado para dar ênfase e musicalidade ao poema.

    Esse tipo de processo é chamado de inovação lexical, que é quando a língua recebe uma palavra nova, não usual, criada pelo autor para trazer um efeito especial, único, à mensagem que deseja passar. Então, não é um registro regional, nem um traço exclusivo da oralidade, tampouco uma marca de simples informalidade. Também não é algo que aconteça apenas na literatura poética, mas aqui, no contexto do poema, é, sim, uma inovação lexical singular.

    Portanto, a alternativa correta é aquela que diz que esse recurso é uma inovação lexical singularizante da linguagem literária.
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