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Pessoal intransferível Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é e...


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Pessoal intransferível

Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.

Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, “herdeiro” da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.

E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.

TORQUATO NETO. Melhores poemas de Torquato Neto. São Paulo: Global, 2018.

Expoente da poesia produzida no Brasil na década de 1970 e autor de composições representativas da Tropicália, Torquato Neto mobiliza, nesse texto,

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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite EQUIPE
    01/10/2026 • 01:01
    Essa questão aborda um poema de Torquato Neto, importante poeta brasileiro dos anos 1970 e integrante do movimento Tropicália. O texto reflete sobre a poesia e o ato de poetar, enfatizando o risco, a coragem e a atitude do poeta diante das dificuldades e perigos da criação artística.

    O poema usa uma linguagem coloquial e informal, cheia de expressões populares e um tom direto, quase um diálogo, que aproxima o leitor, ressaltando a problemática vivida pelo poeta. Torquato fala de "destruir a linguagem", "inventar o perigo" e "não trair a sua poesia", mostrando que ser poeta é algo que exige desprendimento, ousadia e irreverência. Ao mesmo tempo, há uma espécie de exaltação à coragem do poeta, que deve berrar na hora do perigo, da mesma forma que um boi berraria – uma analogia que fala sobre a força e a autenticidade do poeta.

    Analisando as alternativas: a) fala de gírias e expressões coloquiais para criticar a linguagem adornada, mas a crítica direta não é o foco principal do texto - a ideia maior é a atitude do poeta e seu compromisso com a poesia arriscada.
    b) fala em intenção satírica e humor para felicidade dos leitores, o que não está claro aqui; o texto não tem tom satírico nem busca felicidade para o leitor especificamente.
    c) frases de efeito e interpelação ao leitor aparecem, mas não para ironizar adequação ao gosto do público, e sim para enfatizar a sinceridade e o risco da poesia.
    d) fala em recursos da prosa e senso comum para focar nas dificuldades do poeta, porém o texto é um poema escrito em verso com linguagem coloquial, mais que prosa.
    e) fala em referências intertextuais (como a citação do homem e o boi) e anedóticas para defender a importância da atitude corajosa diante dos riscos da criação poética – esta alternativa capta a essência do texto, que exalta uma postura destemida na arte, embasada em figuras e exemplos que reforçam o argumento.

    Portanto, a alternativa correta é a letra e, pois ela sintetiza melhor a mobilização de elementos no texto para defender uma postura destemida do poeta.
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