A organização discursiva predominante no texto é:

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Texto: ECOANSIEDADE COMO RESPOSTA À CRISE AMBIENTAL

Vinícius de Avelar São Pedro e Danielle Gonzalez


“Temperatura média global é a maior desde o início das medições”. “Perda de biodiversidade se aproxima do ponto de não retorno”. “Incêndios batem recorde no Pantanal e na Amazônia”. “Temporada de tornados será a mais devastadora em décadas”. Manchetes como essas se tornaram cotidianas e, se por um lado, deixam clara a gravidade e urgência da atual crise ambiental, por outro, apontam para um cenário apocalíptico e desesperançoso.

Por se tratar de uma crise global, cuja solução demanda transformações profundas nosdiferentes setores da sociedade, é de suma importância que a população seja devidamente esclarecida e sensibilizada sobre os problemas ambientais.

No entanto, tão importante quanto divulgar os dados científicos é possibilitar às pessoas o devido preparo emocional e a força de vontade para o enfrentamento da degradação ambiental. Nesse sentido, a comunicação da crise ecológica, seja ela feita pelos noticiários, relatórios técnicos ou livros didáticos, tem se mostrado eficiente como alerta, mas pouco promissora em seu potencial de mobilização.

A atual crise ambiental já é um fator reconhecidamente impactante sobre a saúde mental das pessoas. A iminência de catástrofes climáticas, a perda gradativa dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos e a incerteza da manutenção da vida no planeta tal como a conhecemos são alguns dos fatores que geram emoções como medo, ansiedade e desespero.

Esse mal-estar causado pela crise ambiental se tornou um interesse específico da psicologia há menos de duas décadas.

Classificada como um tipo de emoção moral, decorrente do cuidado inspirado pela crise ecológica, a ecoansiedade não se caracteriza necessariamente como um quadro patológico e sequer é considerada um transtorno mental. Na verdade, ela pode até agir como força motivadora de condutas pró-ambientais ou, contrariamente, pode atuar como fator paralisante e desmotivador.

Diversos fatores psicossociais podem influenciar os efeitos da ecoansiedade sobre o indivíduo, e compreendê-los pode ajudar a minimizar seus impactos negativos e potencializar os positivos. Como é de se esperar, a ecoansiedade é mais frequente em pessoas que vivem em maior contato com a natureza, sobretudo aquelas afetadas diretamente por problemas ambientais, como enchentes, queimadas e escassez de recursos naturais.

Outro grupo particularmente propenso à ecoansiedade é o de profissionais e militantes que atuam na área ambiental. A proximidade destes com os impactos ambientais, a frequência e profundidade com que acessam os dados científicos e uma tendência a maior sensibilidade em relação à temática ambiental são vistos como principais fatores de vulnerabilidade desse público à ecoansiedade.

A faixa etária é outro importante fator de propensão à ecoansiedade, sendo mais frequente em crianças, adolescentes e jovens.

Vale lembrar que outros fatores, como desigualdade intergeracional, precarização do trabalho e efeitos colaterais das redes sociais, agravam o quadro mental desse público, levando a índices atuais de ansiedade e depressão sem precedentes entre adolescentes e jovens adultos mundo afora.

Por se tratar de um fenômeno relativamente recente, com consequências gerais ainda pouco compreendidas, ainda há pouca informação na literatura sobre como lidar com a ecoansiedade e, sobretudo, como evitar seu potencial efeito desmotivador na luta contra a crise ambiental.

Estudiosos da ecoansiedade afirmam que o otimismo e a esperança realistas – isto é, quando não baseados em negação da realidade – estão entre os fatores que mais contribuem para a prática de comportamentos pró-ambientais. Nesse sentido, garantir que se mantenha uma perspectiva positiva no horizonte de possibilidades para o futuro é tarefa fundamental na luta contra a degradação ambiental.

Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/ecoansiedade-comoresposta-a-crise-ambiental/
A organização discursiva predominante no texto é:
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  • Camila Duarte
    Camila Duarte EQUIPE
    10/10/2026 • 04:01
    Vamos conversar um pouco sobre os diferentes tipos de organização discursiva para entender melhor a questão. A organização discursiva de um texto é o modo como as ideias são estruturadas para conseguir transmitir a mensagem de forma clara e eficiente.

    No texto sobre ecoansiedade, o autor apresenta informações, dados e argumentos sobre o tema, buscando esclarecer o leitor sobre a crise ambiental e suas consequências, especialmente no âmbito da saúde mental. Não há uma narrativa, ou seja, não há uma história com personagens e eventos (excluímos, portanto, a alternativa narrativa).

    Também não há uma ordem de instruções, comandos ou ordens, como costuma acontecer na organização injuntiva (que está mais relacionada a textos de receita, manuais ou regulamentações). Então, essa também não é a opção correta.

    O texto é descritivo? Ele descreve características e detalhes, mas seu foco principal não é apenas descrever, e sim explicar e informar com base em dados e argumentos. O texto é realmente uma exposição clara e detalhada sobre um tema, seus impactos, fatores relacionados e possíveis atitudes frente à crise ambiental. Por isso, a alternativa que melhor define a organização do texto é a expositiva, que tem como objetivo principal informar e explicar.

    Portanto, o gabarito correto é a alternativa c) expositiva.
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