Um homem de 34 anos é admitido no departamento de emergência após colisão aut...

Um homem de 34 anos é admitido no departamento de emergência após colisão automobilística de alta energia. Apresenta extenso trauma maxilofacial, sangramento ativo em cavidade oral, múltiplas fratu...


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Um homem de 34 anos é admitido no departamento de emergência após colisão automobilística de alta energia. Apresenta extenso trauma maxilofacial, sangramento ativo em cavidade oral, múltiplas fraturas da face e importante edema facial. Durante a abordagem inicial, permanece consciente, porém com estridor inspiratório progressivo e queda da saturação de oxigênio, apesar da oferta de oxigênio suplementar. São realizadas duas tentativas de intubação orotraqueal por profissionais experientes, ambas sem sucesso, devido à impossibilidade de visualização da glote e ao sangramento intenso. A ventilação com máscara facial mostra-se ineficaz. Diante desse cenário de “não intuba, não ventila”, a equipe opta por estabelecer uma via aérea cirúrgica de emergência.

Considerando os princípios atuais do manejo da via aérea difícil, a anatomia cervical e as indicações dos diferentes acessos cirúrgicos, assinale a alternativa correta.
Analisando...
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  • Marcos de Castro
    Marcos de Castro EQUIPE
    09/10/2026 • 03:02
    Vamos conversar sobre o manejo da via aérea difícil, que é uma área crucial na medicina de emergência, especialmente em casos de trauma severo como o descrito. Quando há trauma facial grave com sangramento e edema, o acesso à via aérea pode se tornar extremamente difícil e urgente.

    No cenário descrito, o paciente apresenta falha na intubação orotraqueal por causa do edema, sangramento e impossibilidade de visualizar a glote. Além disso, a ventilação com máscara facial também é ineficaz, caracterizando uma situação crítica chamada 'não intuba, não ventila'. Nessas situações, a indicação é estabelecer uma via aérea cirúrgica de emergência para evitar a hipóxia e a morte.

    Existem dois procedimentos cirúrgicos principais para acesso rápido à via aérea: a cricotireoidostomia e a traqueostomia. A cricotireoidostomia ocorre na membrana cricotireoidea, que fica entre as cartilagens tireoide e cricoide, e é o procedimento recomendado para acesso rápido e temporário à via aérea em emergências, justamente pela rapidez e facilidade anatômica. Já a traqueostomia convencional é mais complexa e demora mais para ser realizada, sendo mais indicada para vias aéreas definitivas em situações sem urgência imediata.

    Sobre as alternativas:
    a) Está incorreta, pois a traqueostomia é mais demorada e não é o procedimento de escolha emergencial em cenários 'não intuba, não ventila'.
    b) Errado, pois na cricotireoidostomia a incisão é feita na membrana cricotireoidea, não na cartilagem cricoide.
    c) Correta, pois a membrana cricotireóidea é o acesso recomendado para cricotireoidostomia rápida, entre as cartilagens tireoide e cricoide.
    d) Errada, já que a via aérea cirúrgica de emergência deve ser realizada de imediato; identificar a membrana cricotireoidea não depende exclusivamente de exames de imagem, que não podem atrasar o procedimento.
    e) Errada, pois novas tentativas de intubação podem piorar a situação e atrasar a intervenção vital; após tentativas falhadas e ventilação ineficaz, a via cirúrgica é prioritária.

    Portanto, a alternativa correta é a letra C.
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