Homem, 37 anos, previamente hígido, vítima de acidente automobilístico de alt...

Homem, 37 anos, previamente hígido, vítima de acidente automobilístico de alta energia, é admitido no pronto-socorro com múltiplas lesões traumáticas. Foi submetido à laparotomia exploradora devido...


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Homem, 37 anos, previamente hígido, vítima de acidente automobilístico de alta energia, é admitido no pronto-socorro com múltiplas lesões traumáticas. Foi submetido à laparotomia exploradora devido a laceração hepática grau IV e lesão esplênica, evoluindo com necessidade de esplenectomia e empacotamento hepático. Após 24 horas em unidade de terapia intensiva, apresenta distensão abdominal progressiva, oligúria, aumento da pressão de vias aéreas, acidose metabólica e necessidade crescente de drogas vasoativas. Ao exame físico encontra-se sedado, intubado, com abdome tenso e pouco complacente. Os sinais vitais mostram pressão arterial média de 60 mmHg e saturação de oxigênio de 94% em ventilação mecânica. A pressão intra-abdominal aferida indiretamente por via vesical é de 25 mmHg.
Considerando o quadro clínico descrito e os conceitos atuais relacionados à síndrome compartimental abdominal, assinale a alternativa correta.
Analisando...
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  • Ingrid Nunes
    Ingrid Nunes EQUIPE
    09/10/2026 • 03:02
    Vamos falar sobre a síndrome compartimental abdominal (SCA), que é uma condição grave que ocorre quando a pressão dentro do abdômen aumenta de forma crítica, comprometendo a perfusão de órgãos e levando a disfunções múltiplas. Esse aumento da pressão intra-abdominal (PIA) pode ser avaliado por via vesical, e quando ultrapassa níveis específicos, caracteriza hipertensão intra-abdominal (HIA) e pode evoluir para a síndrome compartimental abdominal.

    A classificação da hipertensão intra-abdominal utiliza graus conforme as medidas em mmHg: grau I (12-15 mmHg), grau II (16-20 mmHg), grau III (21-25 mmHg) e grau IV (>25 mmHg). O paciente descrito apresenta PIA de 25 mmHg, o que o classifica em grau III, podendo já estar entrando no grau IV. O sintoma abdominal tenso e sinais de disfunção orgânica (oligúria, acidose, necessidade de drogas vasoativas) indicam evolução para síndrome compartimental abdominal.

    Um parâmetro importante é a pressão de perfusão abdominal (PPA), que se calcula pela diferença entre a pressão arterial média (PAM) e a pressão intra-abdominal (PPA = PAM - PIA). No caso, a PAM é 60 mmHg e a PIA 25 mmHg, resultando em PPA = 35 mmHg. Valores abaixo de 60 mmHg indicam perfusão comprometida, o que confirma a gravidade e a necessidade de intervenção.

    Quanto à conduta, na síndrome compartimental abdominal com sinais de falência orgânica refratária, a descompressão cirúrgica abdominal é indicada para reduzir a pressão intra-abdominal e restaurar a perfusão.

    Analisando as alternativas:
    - (a) incorreta, pois a hipertensão intra-abdominal não é grau II e a pressão de perfusão não é 38 mmHg. Observação não é suficiente.
    - (b) correta, pois caracteriza adequadamente HIA grau III, PPA 35 mmHg, e indica a descompressão cirúrgica diante da falência orgânica.
    - (c) incorreta, pois priorizar o aumento da pressão positiva expiratória final (PEEP) agravaria a perfusão, além dos valores estarem incorretos.
    - (d) incorreta, pois tratamento cirúrgico não é contraindicado e a PPA não é 24 mmHg.
    - (e) incorreta, pois o paciente não apresenta grau IV claramente e a conduta não deve ser só monitoramento.

    Portanto, a alternativa correta é a letra b.
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