“Formidável, contratamos a TO. Na semana seguinte ela veio com um monte de ca...

“Formidável, contratamos a TO. Na semana seguinte ela veio com um monte de canetas hidrocor e pôs uma papelada na minha frente. — Escreve. Mas não dava, meus dedos não tinham firme...


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“Formidável, contratamos a TO. Na semana seguinte ela veio com um monte de canetas hidrocor e pôs uma papelada na minha frente.

— Escreve.
Mas não dava, meus dedos não tinham firmeza, não conseguia segurar direito a caneta. Tudo bem, ela tirou um elástico da bolsa, colocou entre os meus dedos.
— Tenta agora.
Pimba, parecia letra de criança, mas estava escrevendo.
— Você bate à máquina?
— Não.
Tirou outras duas tirinhas. Colocou uma máquina e:

MARCELO RUBENS PAIVA

Que tesão... dava pra escrever! Agora poderia ficar o dia todo escrevendo poesias, cartas, e até um livro”.

Paiva MR. Feliz Ano Velho. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.

A atuação da profissional que atendeu Marcelo Rubens Paiva pode ser compreendida a partir das transformações nas práticas da terapia ocupacional ocorrida entre as décadas de 1970 e 1980, que passaram a estar comprometidas com o desenvolvimento da vida, no sentido do ser social, na trama do cotidiano.

Conforme Castro, Lima e Brunello (2001), um dos fatores que contribuíram para essas transformações foi
Analisando...
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  • David Castilho
    David Castilho EQUIPE
    09/10/2026 • 01:01
    Vamos conversar um pouco sobre a terapia ocupacional, que é uma área da saúde dedicada a promover o bem-estar e a autonomia das pessoas por meio da ocupação, ou seja, das atividades cotidianas. A passagem do texto mostra como a terapeuta utilizou recursos simples para ajudar Marcelo Rubens Paiva a voltar a escrever, uma atividade que fazia parte da sua vida social e pessoal. Isso reflete uma mudança importante na terapia ocupacional que ocorreu entre os anos 1970 e 1980, quando a área passou a focar menos apenas na recuperação física isolada e mais na integração social e na vida cotidiana do paciente.

    Essa transformação envolveu a valorização dos espaços vividos pelos pacientes e suas interações nas atividades diárias, em vez de simplesmente uma reabilitação mecânica. A questão cita Castro, Lima e Brunello (2001), autores que discutem essas mudanças e apontam fatores que ajudaram a mudança de prática. Um desses fatores é a crítica ao chamado “mito da atividade terapêutica”, que era a ideia que atividades isoladas eram a única forma de terapia, sem considerar o contexto social e cotidiano.

    Portanto, a alternativa correta é a letra a) a crítica ao “mito da atividade terapêutica”, que sintetiza essa nova abordagem mais integrada e social da terapia ocupacional.
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