“Formidável, contratamos a TO. Na semana seguinte ela veio
com um monte de canetas hidrocor e pôs uma papelada na
minha frente.
— Escreve.
Mas não dava, meus dedos não tinham firmeza, não
conseguia segurar direito a caneta. Tudo bem, ela tirou um
elástico da bolsa, colocou entre os meus dedos.
— Tenta agora.
Pimba, parecia letra de criança, mas estava escrevendo.
— Você bate à máquina?
— Não.
Tirou outras duas tirinhas. Colocou uma máquina e:
MARCELO RUBENS PAIVA
Que tesão... dava pra escrever! Agora poderia ficar o dia todo
escrevendo poesias, cartas, e até um livro”.
Paiva MR. Feliz Ano Velho. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.
A atuação da profissional que atendeu Marcelo Rubens Paiva
pode ser compreendida a partir das transformações nas
práticas da terapia ocupacional ocorrida entre as décadas de
1970 e 1980, que passaram a estar comprometidas com o
desenvolvimento da vida, no sentido do ser social, na trama
do cotidiano.
Conforme Castro, Lima e Brunello (2001), um dos fatores que
contribuíram para essas transformações foi