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Tendo como referência os textos 6A1AAA e 6A1BBB e a doutrina aristotélica do Ato e Potência, julgue o item a seguir.Considerand...


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Texto 6A1AAA

“Pois há duas maneiras pelas quais o comprimento e o tempo e em geral qualquer coisa contínua é chamada infinita: elas são chamadas assim tanto com relação à sua divisibilidade quanto com relação às suas extremidades. Assim, enquanto algo não pode entrar em contato com coisas quantitativamente infinitas num tempo finito, ela pode entrar em contato com coisas infinitas no que concerne a divisibilidade; pois neste sentido também o tempo é infinito [composto de infinitésimos]: e assim encontramos que o tempo ocupado pela passagem pelos infinitos não é um tempo finito, mas um tempo infinito [de infinitos infinitésimos], e o contato com os infinitos é feito por meio de momentos não finitos mas infinitos em número.”

Aristóteles, Física 233a24-31.

Texto 6A1BBB


Assim, pois, é o tempo. A medida do movimento segundo o antes e o depois.

Aristóteles, Física, 219b1-2

Tendo como referência os textos 6A1AAA e 6A1BBB e a doutrina aristotélica do Ato e Potência, julgue o item a seguir.

Considerando-se que o paradoxo de Zenão sobre a flecha afirma que o movimento é paradoxal porque, em cada tempo, a flecha está parada em um ponto do espaço e, portanto, não poderia estar se movendo, é correto afirmar que a definição de tempo contida no texto 6A1BBB desconstrói esse paradoxo.

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  • Matheus Fernandes
    Matheus Fernandes EQUIPE
    13/10/2026 • 18:01
    Vamos falar um pouco sobre a concepção aristotélica do tempo e do movimento, que é fundamental para entender o paradoxo de Zenão e sua relação com a realidade do movimento. Aristóteles via o tempo como a medida do movimento segundo o antes e o depois, ou seja, o tempo só existe enquanto há mudança, e ele é contínuo e divisível. No texto 6A1AAA, Aristóteles destaca a ideia de que o contínuo, como o tempo e o espaço, pode ser infinito tanto em relação às suas divisões (infinitésimos) quanto em relação às suas extremidades, que podem ser infinitas. Isso significa que o tempo é composto por infinitos momentos, e essa visão sustenta que o movimento é real porque ocorre em um continuum de instantes que nunca são isolados como únicos pontos parados.

    Já o paradoxo de Zenão, especialmente o da flecha, afirma que num dado instante de tempo a flecha está parada em um ponto do espaço, então não poderia estar se movendo. Isso gera a confusão ao tratar o tempo como composto por instantes isolados, nos quais o movimento não existiria. Porém, segundo a definição aristotélica do texto 6A1BBB, o tempo é a medida do movimento segundo o antes e o depois, ou seja, ele está intrinsecamente ligado ao movimento e não pode ser entendido como uma coleção de pontos parados. Quando se compreende o tempo desse modo, o paradoxo de Zenão perde força, pois não considera apenas instantes isolados, mas o processo contínuo da mudança.

    Portanto, a definição de tempo apresentada no texto 6A1BBB realmente contribui para desconstruir o paradoxo da flecha, ao fundamentar o tempo no movimento e no contínuo antes-depois, o que nos leva a descartar a ideia de que o movimento teria que ser negado em cada instante isolado. Isso mostra que o tempo e o movimento são inseparáveis na filosofia de Aristóteles e que o paradoxo é resultado de uma compreensão incorreta da natureza do tempo.

    Gabarito: a) Certo
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