Leia o trecho a seguir. Vemos qu...

Leia o trecho a seguir. Vemos que desde o início os papéis do Conselho das Índias estavam ligados ao poder. Mas não se tratava de um poder que se estend...


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Leia o trecho a seguir.

Vemos que desde o início os papéis do Conselho das Índias estavam ligados ao poder. Mas não se tratava de um poder que se estendia exclusivamente da metrópole à periferia, e sim de uma dinâmica dialógica, que mantinha íntegro um império em constante expansão. Essas comunicações eram polifônicas, e delas participaram não apenas conquistadores, oficiais régios ou inquisidores, mas muitos outros atores. Essa lógica comunicativa, somada à inesperada novidade das Índias, exigia uma organização maior do que aquela que os ministros podiam oferecer. Isso impediu que o Conselho se convertesse em um centro de poder autoritário. Além disso, conferiu ao Conselho um caráter dialógico que estava longe de ser epistemologicamente absoluto. O arquivo do Conselho, e, portanto, o Arquivo de Índias, nasce como instrumento de poder, sim, mas cocriado, malformado, incompleto, histórico, polifônico.
Adaptado de MASTERS, Adrian. “Cómo usar un archivo colonial”, Memórias Digitais e os Acervos Coloniais, 2024, p. 352.

As opções a seguir descrevem corretamente a interpretação do autor sobre o arquivo colonial, à exceção de uma. Assinale-a.
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  • Matheus Fernandes
    Matheus Fernandes EQUIPE
    16/10/2026 • 02:01
    Essa questão aborda a complexidade do arquivo colonial do Conselho das Índias, com base no trecho apresentado. O autor deixa claro que o arquivo não é uma fonte simples ou unilateral de poder ou conhecimento. Pelo contrário, ele é resultado de um processo histórico, com múltiplas vozes (polifônico), ou seja, diversas pessoas e agentes contribuíram para sua formação, não sendo um instrumento exclusivamente autoritário ou absoluto em termos de conhecimento.

    A alternativa a) está correta porque reconhece o arquivo como uma construção histórica, cocriada, incompleta e situada, o que está alinhado ao texto.

    A alternativa b) também está correta, pois destaca a multiplicidade de agentes e processos comunicativos na formação do arquivo.

    A alternativa c) fala do arquivo como um instrumento de organização e sistematização para a comunicação e administração colonial, o que é coerente com o trecho que destaca a necessidade de uma organização maior para gerir as novidades das Índias.

    A alternativa d) entende o arquivo e o conselho como espaços de múltiplas vozes e que impedem a consolidação de um poder autoritário pleno, exatamente o que o texto reforça ao citar a lógica dialógica e a impossibilidade do Conselho se tornar um centro de poder absoluto.

    Por fim, a alternativa e) está incorreta porque define o arquivo como um repositório documental independente, autossuficiente e capaz de oferecer um conhecimento histórico completo e absoluto, o que contraria o trecho que o define como malformado, incompleto e não epistemologicamente absoluto.

    Assim, a alternativa que foge à interpretação do autor é a alternativa e.

    Gabarito: e
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