O trecho – Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as...

O trecho – Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam. (3º parágrafo) – pode ser assim reescrito sem prejuízo da norma-padrão:


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Leia o texto para responder a questão.

Vicente Manoel da Silva (ou Vicente Guató) faz parte de uma comunidade pantaneira que foi expulsa de suas terras e chegou a ser considerada extinta nos anos 1950. Ele acha que tem 82 anos, mas confessa não saber em que ano nasceu: “Só sei que foi no dia 10 de maio”. Um registro tirado quando tinha cerca de 30 anos, seu único documento, traz uma data fictícia de 1946. Datas, contudo, não têm muita importância para os guatós que, segundo ele, preferem se orientar “pelo rumo”.

Embora tímido, ele conta em sua língua natal que todos os dias pega a canoa, sai para pescar e, quando retorna, acende o fogo e frita ou cozinha os peixes, refeição que compartilha com cerca de 30 gatos que são suas únicas companhias. “Também tinha alguns cachorros, mas a onça comeu”, informa, acrescentando que “também caçava, matava e vendia o couro de onças, que valia muito, mas agora não pode mais mexer com elas”. A caça está proibida no Brasil desde 1967, mas a onça-pintada, típica do Pantanal, está na lista de espécies em risco de extinção.

Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam. “Ele acha que só faz sentido falar a língua se estiver ensinando alguém”, diz o antropólogo e linguista Gustavo Godoy que, junto com a esposa Kristina Balykowa, também linguista, esteve com Vicente várias vezes.

Além de Vicente, que se tornou um “consultor” para o casal, outra falante nativa era Eufrásia Ferreira, falecida no ano passado. Há outras pessoas com elevado conhecimento do idioma, como o irmão de Vicente, André, e Dalva Maria de Souza Ferreira, também moradora de Corumbá, casada com um guató não falante e que aprendeu a língua com a sogra e amigos. Ambos, no entanto, não são fluentes.

Seu Vicente prefere se entregar à solidão para ter a liberdade de permanecer na terra que considera sua, onde enterrou a mãe e um tio e onde mantém as tradições dos seus ancestrais. Ele se sente feliz em ajudar a nova geração a se interessar pelo idioma, mas lamenta não ter com quem conversar em sua língua nativa: “Se ainda tivesse alguém vivo… mas todos com quem eu falava já morreram”.

(Cleide Silva. Um idioma em risco de extinção: conheça o último indígena a falar a língua guató. www.estadao.com.br, 16.12.2022. Adaptado)

O trecho – Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam. (3º parágrafo) – pode ser assim reescrito sem prejuízo da norma-padrão:
Analisando...
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  • Camila Duarte
    Camila Duarte EQUIPE
    19/10/2026 • 23:01
    Esta questão envolve o uso correto dos pronomes oblíquos átonos na norma-padrão do português, especialmente nas colocações pronominais e na substituição de termos repetidos.

    O trecho original é: "Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam."

    Vamos analisar os pronomes que substituem o objeto direto e indireto.

    1. "Citar várias palavras" – objeto direto plural feminino (as palavras). O pronome correto para substituir "várias palavras" é "as" no plural feminino, que a forma oblíqua correspondente é "as" ou, na próclise, "-as" (cita-as).

    2. "Pede aos visitantes que as repitam" – aqui "pede" tem objeto indireto "aos visitantes" (pede a quem?), e complemento "que as repitam" (que repitam o quê? as palavras).

    Para "aos visitantes" (objeto indireto plural masculino ou misto), o pronome oblíquo correto é "lhes" (forma do objeto indireto plural).

    Portanto, a reescrita correta é: "Vicente cita-as em guató e pede-lhes que as repitam."

    Analisando as alternativas:

    a) "cita-as... pede-os" - "os" é para objeto direto, mas no pedido é objeto indireto, logo errado.
    b) "cita-as... pede-lhes" - correto, pois "as" para palavras e "lhes" para visitantes.
    c) "cita-lhes... pede-lhes" - "lhes" não substitui objeto direto (palavras), logo incorreto.
    d) "cita-lhes... pede-os" - os dois erros anteriores se repetem, incorreto.
    e) "cita-nas... pede-os" - "nas" não existe, forma errada; "os" para objeto indireto errado.

    Assim, a única opção correta, sem prejuízo da norma-padrão, é a letra b.

    Gabarito: b.
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