Ainda segundo o texto, podemos dizer corretamente que:

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Gosta de ver tragédia? Pode ser curiosidade e prazer pelo sofrimento alheio...

Muitos creditam o interesse humano por tragédias à televisão ou às redes sociais, onde acidentes, crimes e outras desgraças acabam sendo temas de programas ou viralizando. Mas saiba que esse não é um fenômeno tão recente assim. Pelo contrário, é observado desde a Antiguidade, quando por entre os séculos 4 a.C e 6 a.C os gregos tiveram a ideia de inventar o teatro. A partir daí, a tragédia como entretenimento conquistou as multidões e se espalhou mundo afora.
"A tragédia como arte explora o sofrimento humano e busca extrair da plateia todo tipo de emoção e surpresa, além de fazê-la se identificar com personagens e vivências", diz Luiz Scocca, psiquiatra pelo HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e APA (Associação Americana de Psiquiatria). Segundo ele, muita gente gosta porque tem curiosidade, mexe com os sentimentos.
Para além da ficção, tragédias reais também podem ser interessantes porque ajudam o ser humano a refletir sobre perigos e questionamentos que o acompanham há milênios, a respeito da morte, do sentido da vida, do bem e do mal. Mas excessiva e recorrente essa "atração" pode viciar, ou revelar que há algo mais sério por trás e que merece investigação, como algum transtorno ou obsessão, mas é raro.
Consumir tragédia também pode ocorrer em resposta a um sofrimento pessoal, como quando se termina um namoro, morre alguém querido, ou se enfrenta uma decepção. Quando estamos para baixo temos a tendência natural de querer ver coisas tristes, para chorar e se sentir aliviado, ou então refletir por comparação que a vida não está tão ruim assim e melhorar o astral.
"A pessoa está em busca de produzir mudanças afetivas internas, de se conectar consigo, da mesma forma quando assiste a uma comédia ou um romance. São estímulos extremamente ativadores de emoções, assim como ir ao teatro, meditar, fazer exercícios", diz Henrique Bottura, psiquiatra e diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista, em São Paulo.
A maioria dos seres humanos também gosta de sofrer e torcer em companhia, mesmo que virtualmente. Ao se projetar em alguma tragédia que não necessariamente tenha a ver com o que se vive, a pessoa se sente compreendida. Essa é uma maneira de também aprender alguma lição com aquela situação, sobre como lidar com dificuldades e se superar.
Gostar de filmes e séries sobre guerras, assassinatos, meteoros apocalípticos ou naufrágios, como o do Titanic, porém, não se compara a uma cada vez mais observada atitude de passar por acidentes reais e registrá-los com o celular.
Uma coisa é estar no local para acionar o Samu, informar, conscientizar e garantir a proteção de quem possa passar por ali, outra é usar a tragédia para se autopromover, sobretudo nas redes sociais. "É uma necessidade muito grande de se autoafirmar, se exibir, chamar a atenção. 'Já que não olham para mim, vão ver o que eu vi e se impressionar', pensa quem faz esse tipo de coisa e pode ter a ver com insegurança", informa Marina Vasconcellos, psicóloga perita em psicodrama e terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Embora nessa atitude possa haver também um fundo de curiosidade, a impressão que passa nunca é das melhores e ainda revela uma falta de sensibilidade e de empatia com o próximo. Pode soar perverso, mas da mesma forma que existem pessoas que torcem para os vilões da ficção e mesmo assim possuem uma boa conduta social, há aquelas que também sentem um certo contentamento ou fetiche mórbido ao presenciar o sofrimento alheio.
Procurar e gostar de conteúdos e acontecimentos trágicos que não se relacionam com a própria existência não configura nenhum tipo de problema psiquiátrico. Entretanto, como já mencionado no início, excessos provocam e estão relacionados a desequilíbrios. Então, faz mal quando esse negativismo passa a dominar o tempo todo as atenções e impede a pessoa de levar uma vida normal, ter ambições, aprender, falar sobre outros assuntos e ser leve.
Como consequência, ela pode acabar saindo da realidade ou apresentar sintomas depressivos, ansiedade, pânico. Isso porque focar demais no que é ruim libera cortisol, hormônio do estresse e prejudicial à saúde em excesso. Às vezes, pode ser até uma fase, algo que perdura até a curiosidade sobre o assunto se esgotar, mas do contrário, quando não diminui e até piora, a ponto dos outros se queixarem, inspirar ações que ofereçam danos ou afetar as relações, é preciso intervir e tratar.
Na dúvida, é sempre melhor procurar a orientação de um psiquiatra/psicólogo e fazer uma avaliação, ressalta Yuri Busin, psicólogo, doutor em neurociência e diretor do Casme (Centro de Atenção à Saúde Mental-Equilíbrio), em São Paulo.

(Texto de Marcelo Testoni para a Coluna VivaBem, da Uol. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/03/02/gosta-de-ver-tragediapode-ser-curiosidade-e-prazer-pelo-sofrimento-alheio.html).
Ainda segundo o texto, podemos dizer corretamente que:
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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite EQUIPE
    19/10/2026 • 16:01
    O tema central deste texto é o interesse humano por tragédias, seja através da ficção, como teatro ou filmes, seja por meio de tragédias reais. O texto explora o motivo pelo qual as pessoas se atraem por essas situações, que envolvem emoções fortes e reflexões profundas sobre a vida, a morte e a condição humana. Além disso, alerta para os possíveis excessos e para a diferença entre interesse saudável e atitudes que revelam desequilíbrio ou falta de empatia.

    Analisando as alternativas, o texto afirma que tragédias ficcionais e reais podem despertar interesse, mas não são tratadas como algo para ser apreciado sem restrições, o que elimina a alternativa (a). A (b) está correta ao mencionar o uso de tragédias para autopromoção, especialmente nas redes sociais, conforme explana Marina Vasconcellos no texto. A alternativa (c) está parcialmente correta, mas o texto diferencia o uso do celular para informar e conscientizar daquele para autopromoção, não afirmando que pessoas usam o celular exclusivamente para as primeiras finalidades.

    As alternativas (d) e (e) estão incorretas porque afirmam que o acionamento ao Samu ocorre sobretudo ou somente para autopromoção, o que o texto desmente, explicando que essa é apenas uma das atitudes observadas, não a principal.

    Portanto, a alternativa que melhor representa o que está no texto é a (b).
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