Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. El...

Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes, um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos i...


Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes, um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos ingênuos. As letras fizeram- se para frases; o algarismo não tem frases, nem retórica. Assim, por exemplo, um homem, o leitor e eu, querendo falar do nosso país, dirá:

- Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força que este caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras, as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e Fideles Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito superior a todos os direitos.

A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:
- A nação não sabe ler. Há só 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles; é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente quer e pode pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha - por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado. Replico eu:

- Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições..." (http://www.amatra3.com.br/uploaded_files/Cr%C3%B4 nicas.pdf. Acesso em 06/12/2009).

Esse trecho é de um texto de Machado de Assis, de 15/08/1876. Como gênero jornalístico, constitui-se em:

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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite
    31/12/1969 • 21:00
    Gabarito: b) crônica.

    O texto apresentado é um exemplo clássico de crônica, gênero jornalístico que se caracteriza por ser um texto breve, geralmente publicado em jornais ou revistas, que aborda temas do cotidiano, com uma linguagem mais pessoal e subjetiva.

    No trecho, Machado de Assis utiliza uma narrativa que mistura reflexão, opinião e uma linguagem acessível, características típicas da crônica. Além disso, o texto não apresenta a estrutura formal e argumentativa de um artigo, nem a ficcionalidade de um conto.

    A crônica permite ao autor expressar suas ideias de forma leve e envolvente, muitas vezes com um tom irônico ou crítico, como se observa no diálogo entre o narrador e o 'Sr. Algarismo'. Portanto, a classificação correta do gênero do texto é crônica.
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