Atenção: As questões de números 42 a 50 baseiam-se no texto apresentado abaixo.
Elefantes são herbívoros tranqüilos. Sem predadores naturais, só recorrem à violência quando se sentem ameaçados. Nos últimos anos, no entanto, ficaram mais agressivos e os ataques fatais a pessoas, animais e outros elefantes tornaram- se mais freqüentes. Em certas partes da Ásia e da África, eles investem contra carros, casas e, às vezes, vilas inteiras, sem ser provocados. No mês passado, um turista inglês que fazia um safári na reserva florestal do Quênia foi pisoteado até a morte por um elefante, quando saiu do carro para apreciar a natureza. Um paquiderme invadiu uma casa na ilha de Sumatra, na Indonésia, agarrou um morador com a tromba e o matou. "Tromba não é arma. Normalmente é usada apenas para segurar alimentos e galhos", diz a psicóloga americana Isabel Bradshaw, especialista em elefantes. "O que está ocorrendo é algo totalmente fora dospadrões."
Após estudar manadas na Ásia e na África, ela concluiu que a mudança de comportamento se deve ao colapso da estrutura familiar dos elefantes, ocasionado pela caça aos animais mais velhos e pela redução das reservas de vida selvagem nas últimas décadas. Ela afirma que a espécie sofre de um distúrbio psicológico bem conhecido entre os seres humanos, o stress pós-traumático, que deixa esses animais propensos à depressão e à agressividade excessiva.
Um estudo recente mostrou que os elefantes são capazes de reconhecer a própria imagem no espelho. A experiência coloca o paquiderme no reduzido grupo de animais com autoconsciência, que inclui o homem, o chimpanzé e o golfinho. Uma manada de elefantes é um grupo coeso, em que cada membro está estreitamente ligado aos demais. O sistema de comunicação dentro do grupo, com vibrações no solo, vocalizações e movimentos com o corpo, é um dos mais complexos já observados entre animais. O conhecimento - comoencontrar água ou se comportar dentro do grupo ? é transmitido entre as gerações. Os filhotes passam oito anos sob a tutela da mãe e também aprendem com tias, primas e, sobretudo, com a matriarca que lidera o grupo. Após esse período, os machos jovens se afastam para uma temporada de aventuras entre os machos adultos.
A matança indiscriminada fez a população mundial de elefantes cair. Os esforços de preservação conseguiram evitar a extinção desses mamíferos, mas não foram suficientes para impedir o desequilíbrio dos laços familiares. Não apenas caiu o número de matriarcas e de fêmeas mais velhas, como também o de machos adultos, cujo papel é manter os mais jovens na linha. Foram identificados vários grupos sem fêmeas adultas - não é surpresa que, nessas condições, os elefantes se comportem como jovens transviados.
(Adaptado de Duda Teixeira. Veja, 8 de novembro de 2006, p. 132-133)
"O que está ocorrendo é algo totalmente fora dos padrões." (final do 1o parágrafo)
O emprego das aspas assinala, considerando-se o contexto,