Atenção: As questões de números 23 a 30 baseiam-se no texto apresentado abaixo.
Decorar e revestir o corpo com o objetivo de criar vínculos culturais e emotivos, assim como manifestar crenças e valores da civilização, sempre foram preocupações do homem ao longo de sua existência. O anseio em mostrar-se em sintonia com as novas tendências é uma necessidade histórica. O conceito de moda nasceu no final da Idade Média período em que a forma de vestir ganhou relevância. O declínio do feudalismo e o desenvolvimento das cidades viram surgir uma nova classe social a burguesia. Enriquecidos pelo comércio, os burgueses passaram a imitar as roupas de uso até então exclusivo da aristocracia.
A necessidade de diferenciação fez que os aristocratas se dedicassem a criar sempre novos trajes para distinguirem-se na aparência e hierarquia,impulsionando os primeiros movimentos da engrenagem: os nobres criavam e os burgueses copiavam. Esse sistema perdurou até o século XIX, quando a moda, pela primeira vez, enfrentou um processo de democratização, atingindo todas as classes sociais e ampliando o conceito aplicado até hoje o de atender ao gosto e aos anseios de afirmação pessoal, além de expressar idéias e sentimentos.
O desejo de mostrar-se em sintonia com o novo ainda funciona como uma necessidade de demonstrar algum tipo de poder. "Após seis séculos, a moda continua servindo de recurso para ostentar riqueza. É a maneira que o ser humano encontrou de manifestar, por meio das roupas e acessórios, que pertence a uma classe social que o diferencia e individualiza", afirma a historiadora Kathia Castilho, professora de Moda
Mas o que é moda? Um historiador britânico costuma dizer quemoda significa muito mais do que a roupa em si. Funciona como o espelho das mudanças sociais e culturais da civilização. Acompanha, simboliza e retrata as transformações vividas pelo homem e pela sociedade ao longo dos séculos. Mais do que um desfile de tendências, revela uma linguagem não-verbal. Não é assunto exclusivo das elites; ao contrário, está muito mais próxima da vida real. No dia-a-dia das ruas, as pessoas identificam-se pelas roupas. Conseguem expressar idade, sexo, personalidade, classe social, gostos e até mesmo estado de humor graças à aparência.
Para o filósofo francês Gilles Lipovetsky, autor de O império do efêmero uma espécie de bíblia sobre o assunto , a roupa perderá, com o passar do tempo, a herança adquirida na Idade Média, de transmitir visualmente a posição social do indivíduo, para tornar-se algo essencialmente prático. Ele aceita a presença de tecidos inteligentes aqueles quepermitem troca de calor, mantendo o corpo quente no frio e vice-versa, ou evitam bactérias. Mas faz algumas ressalvas. A reflexão fará diferença em um mundo onde a tecnologia imperará em todos os âmbitos da sociedade. A figura do estilista não desaparecerá, pelo contrário. Para Lipovetsky, a criatividade, as idéias e o saber serão artigos de luxo. Este, aliás, um dos jargões preferidos do mundo da moda.
(Adaptado de Mariana Kalil. Superinteressante, setembro 2003, p. 61-65)
Para Lipovetsky, a criatividade, as idéias e o saber serão "artigos de luxo". (final do texto)
As aspas
I. conferem sentido especial à expressão no contexto, para valorizar a figura do estilista.
II. identificam uma expressão inerente ao mundo da moda.
III. assinalam emprego de expressão fora de contexto, por ser exemplo de gíria.