Uma paciente, de vinte e sete anos de idade, foi admitida em unidade de terapia intensi...
Responda: Uma paciente, de vinte e sete anos de idade, foi admitida em unidade de terapia intensiva com queimaduras de 2.º e 3.º graus na face, nas pernas, no abdome e nas mãos, as quais afetaram 35% de área...
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Por Sumaia Santana em 31/12/1969 21:00:00
Gabarito: Alternativa E
O quadro apresentado corresponde a uma infecção fúngica invasiva com comprometimento cardíaco, provocada por Candida albicans, em uma paciente submetida a condições reconhecidamente associadas à perda das barreiras de defesa e à colonização fúngica sistêmica. A combinação de queimaduras extensas, longa permanência em terapia intensiva, múltiplos acessos venosos centrais e uso reiterado de antimicrobianos de amplo espectro cria um ambiente propício para a transição da colonização para infecção disseminada, culminando em endocardite.
O foco da questão não está apenas na identificação do agente etiológico, mas principalmente na conduta terapêutica adequada, em especial no critério que determina a duração do tratamento antifúngico, conforme diretrizes clínicas atuais.
Fundamentação técnica da alternativa correta (E)
A opção E traduz corretamente o princípio central que rege o tratamento das infecções sistêmicas por Candida. As recomendações vigentes estabelecem que a resposta clínica isolada não é suficiente para definir o término da terapia. O parâmetro determinante é a comprovação microbiológica da erradicação do fungo da corrente sanguínea.
De acordo com protocolos amplamente adotados para o manejo da candidemia, o início da contagem do tempo terapêutico ocorre após a obtenção da primeira cultura sanguínea negativa para o microrganismo previamente isolado. Esse marco assegura que a infecção foi efetivamente controlada, reduzindo a possibilidade de persistência subclínica.
Em situações não complicadas, o tratamento é mantido por no mínimo 14 dias após o clearance microbiológico. Entretanto, na presença de envolvimento endocárdico, como no caso descrito, o regime antifúngico deve ser substancialmente prolongado, sendo habitual a recomendação de pelo menos seis semanas de terapia após a negativação das culturas, podendo esse período ser estendido conforme a evolução clínica e a necessidade de abordagem cirúrgica.
Justificativa para a exclusão das demais alternativas
A) Aspectos como localização da infecção e risco embólico são relevantes para avaliação prognóstica e decisão cirúrgica, mas não constituem o critério fundamental para estabelecer a duração do tratamento, que permanece ancorada no resultado das culturas.
B) Pacientes com histórico de endocardite infecciosa enquadram-se em grupo de alto risco e, portanto, devem receber profilaxia antimicrobiana em procedimentos capazes de induzir bacteremia, conforme diretrizes nacionais e internacionais.
C) A constatação de múltiplos fatores de risco é evidente no caso, porém não orienta diretamente a conduta terapêutica, tornando a alternativa meramente descritiva e sem valor decisório.
D) Os antifúngicos da classe dos azólicos mantêm papel relevante no tratamento da Candida albicans, desde que haja sensibilidade comprovada. O fluconazol, inclusive, é amplamente empregado em esquemas de consolidação e manutenção, não havendo contraindicação absoluta para seu uso.
O quadro apresentado corresponde a uma infecção fúngica invasiva com comprometimento cardíaco, provocada por Candida albicans, em uma paciente submetida a condições reconhecidamente associadas à perda das barreiras de defesa e à colonização fúngica sistêmica. A combinação de queimaduras extensas, longa permanência em terapia intensiva, múltiplos acessos venosos centrais e uso reiterado de antimicrobianos de amplo espectro cria um ambiente propício para a transição da colonização para infecção disseminada, culminando em endocardite.
O foco da questão não está apenas na identificação do agente etiológico, mas principalmente na conduta terapêutica adequada, em especial no critério que determina a duração do tratamento antifúngico, conforme diretrizes clínicas atuais.
Fundamentação técnica da alternativa correta (E)
A opção E traduz corretamente o princípio central que rege o tratamento das infecções sistêmicas por Candida. As recomendações vigentes estabelecem que a resposta clínica isolada não é suficiente para definir o término da terapia. O parâmetro determinante é a comprovação microbiológica da erradicação do fungo da corrente sanguínea.
De acordo com protocolos amplamente adotados para o manejo da candidemia, o início da contagem do tempo terapêutico ocorre após a obtenção da primeira cultura sanguínea negativa para o microrganismo previamente isolado. Esse marco assegura que a infecção foi efetivamente controlada, reduzindo a possibilidade de persistência subclínica.
Em situações não complicadas, o tratamento é mantido por no mínimo 14 dias após o clearance microbiológico. Entretanto, na presença de envolvimento endocárdico, como no caso descrito, o regime antifúngico deve ser substancialmente prolongado, sendo habitual a recomendação de pelo menos seis semanas de terapia após a negativação das culturas, podendo esse período ser estendido conforme a evolução clínica e a necessidade de abordagem cirúrgica.
Justificativa para a exclusão das demais alternativas
A) Aspectos como localização da infecção e risco embólico são relevantes para avaliação prognóstica e decisão cirúrgica, mas não constituem o critério fundamental para estabelecer a duração do tratamento, que permanece ancorada no resultado das culturas.
B) Pacientes com histórico de endocardite infecciosa enquadram-se em grupo de alto risco e, portanto, devem receber profilaxia antimicrobiana em procedimentos capazes de induzir bacteremia, conforme diretrizes nacionais e internacionais.
C) A constatação de múltiplos fatores de risco é evidente no caso, porém não orienta diretamente a conduta terapêutica, tornando a alternativa meramente descritiva e sem valor decisório.
D) Os antifúngicos da classe dos azólicos mantêm papel relevante no tratamento da Candida albicans, desde que haja sensibilidade comprovada. O fluconazol, inclusive, é amplamente empregado em esquemas de consolidação e manutenção, não havendo contraindicação absoluta para seu uso.
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