Referente ao excerto “Arredond...


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O cinzeiro

Mário Viana

Procura-se um martelinho de ouro. Aceitam-se indicações de profissionais pacientes e com certa delicadeza para restaurar um cinzeiro que está na família há mais de cinco décadas. Não se trata de joia de valor financeiro incalculável, mas de uma peça que teve seus momentos úteis nos tempos em que muita gente fumava. Hoje, é apenas o símbolo de uma época.

Arredondado e de alumínio, o cinzeiro chegou lá em casa porque meu pai o ganhara de presente de seu patrão, o empresário Baby Pignatari – como ficou mais conhecido o napolitano Francisco Matarazzo Pignatari (1917- 1977). Baby misturou na mesma medida as ousadias de industrial com as estripulias de playboy. No corpo do cinzeiro destaca-se um “P” todo trabalhado em relevo.

Nunca soube direito se meu pai ganhou o cinzeiro das mãos de Baby ou de sua mulher, a dona Ira – era assim que a princesa e socialite italiana Ira von Furstenberg era conhecida lá em casa. Só muitos anos depois, já adulto e jornalista formado, descobri a linha de nobreza que fazia de dona Ira um celebridade internacional.

[...]

Pois esse objeto que já passou pelas mãos de uma princesa – italiana, mas principessa, que diacho – despencou outro dia do 12º andar até o térreo. Amassou, coitado. A tampa giratória ficou toda prejudicada E o botão de borracha que era pressionado também foi para o devido beleléu.

Mesmo assim, não acredito em perda total. Tenho fé em que um bom desamassador dê um jeito e devolva o cinzeiro, se não a seus dias de glória, pelo menos a uma aparência menos miserável. É o símbolo de uma trajetória, afinal de contas, há que respeitar isso.

Praticamente aposentado – a maioria dos meus amigos e eu deixamos de fumar –, o cinzeiro ocupava lugar de destaque na memorabilia do meu hipotético museu pessoal. Aquele que todos nós criamos em nosso pensamento mais secreto, com um acervo repleto de pequenos objetos desimportantes para o mundo.

Cabem nessa vitrine imaginária o primeiro livro sério que ganhamos, com a capa rasgada e meio desmontado; o chaveiro que alguém especial trouxe de um rolê mochileiro pelos Andes; o LP com dedicatória de outro alguém ainda mais especial; uma caneca comprada na Disney; o calção usado aos 2 anos de idade... e o velho cinzeiro carente de reparo.

Adaptado de: . Acesso em: 10 set. 2020.


Referente ao excerto “Arredondado e de alumínio, o cinzeiro chegou lá em casa porque meu pai o ganhara de presente de seu patrão, o empresário Baby Pignatari [...]”, assinale a alternativa correta.

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  • Matheus Fernandes
    Matheus Fernandes
    31/12/1969 • 21:00
    Gabarito: c) A alternativa correta é a letra c, que afirma que a expressão “o empresário Baby Pignatari” é um aposto explicativo referente ao substantivo “patrão”.

    Vamos analisar cada alternativa para entender o motivo.

    a) Nas três ocorrências, “o” é um artigo definido. Isso está incorreto porque, em “o ganhara”, o “o” não funciona como artigo definido, mas sim como pronome pessoal do caso reto, equivalente a “ele”.

    b) Em “o ganhara”, “o” se refere à palavra “pai”. Na verdade, “o” é um pronome pessoal que substitui “pai”, funcionando como sujeito da oração. Portanto, essa alternativa está parcialmente correta, mas o enunciado sugere que “o” é um artigo, o que não é verdade.

    c) A expressão “o empresário Baby Pignatari” é um aposto explicativo, referente ao substantivo “patrão”. Isso está correto. O aposto explicativo serve para explicar ou especificar o termo anterior, neste caso, “patrão” é explicado por “o empresário Baby Pignatari”.

    d) A relação semântica entre as orações não é de adição, mas sim de explicação ou causa, pois o segundo trecho explica a origem do cinzeiro.

    e) Tanto “arredondado” quanto “de alumínio” não indicam o material do cinzeiro juntos. “Arredondado” é um adjetivo que indica forma, enquanto “de alumínio” indica material. Portanto, essa alternativa está incorreta.

    Fazendo uma segunda análise, confirmamos que o “o” em “o ganhara” é um pronome pessoal, não artigo, e que o aposto explicativo está correto na alternativa c. Assim, a alternativa c é a correta, conforme o gabarito oficial.
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