O conhecimento adequado sobre o desenvolvimento
do sistema musculoesquelético (SME) nas fases pré e
pós-natal tem por objetivo estabelecer um melhor
prognóstico para desenvolvimento motor,
alimentação, funcionalidade, acolhimento e
aconselhamento familiar, o que se reflete em melhor
qualidade de vida para essas crianças. A avaliação
fisioterapêutica do SME consiste na associação da
história clínica do paciente aos exames físicos, bem
como aos exames complementares; no entanto,
devido às particularidades do desenvolvimento do
SME ao nascimento, tanto a avaliação como o
diagnóstico são clínicos. Logo, a respeito do exame
físico do recém-nascido realizado pelo fisioterapeuta,
informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) para o que se
afirma e assinale a alternativa com a sequência
correta.
( ) A avaliação da calota craniana do recém-nascido
(RN) deve respeitar o alinhamento esquelético
postural por meio de inspeção e palpação.
Assimetrias cranianas, abaulamentos e
afundamentos devem ser pesquisados durante a
inspeção, e as suturas e fontanelas devem ser
palpadas. As fontanelas consistem nos espaços
abertos entre os ossos, permitindo o crescimento
cerebral sem a compressão das estruturas, e
alterações nesses espaços indicam microcefalia,
macrocefalia ou hidrocefalia. A investigação do
perímetro cefálico deve ser realizada desde o
nascimento até os 2 anos de vida. As medidas do
crânio devem ser examinadas com auxílio de fita
métrica ou fita antropométrica maleável.
( ) A avaliação do tórax do recém-nascido (RN) deve ser
iniciada por meio de inspeção, com o tórax do
paciente desnudo e o ambiente bem iluminado. O
exame pode ser realizado com o RN dentro da
incubadora, com o objetivo de observar a
musculatura, o tecido celular subcutâneo, os ossos e
as articulações. O tórax típico do RN é circular e com
as costelas horizontalizadas devido ao processo de
crescimento e desenvolvimento ósseo e muscular. A
palpação óssea é importante para verificar se há
fraturas. Outro ponto a ser avaliado é o perímetro
torácico, passando-se a fita métrica em volta do tórax
e sobrepondo a linha mamária – os valores de
referência vão de 30 a 33cm. Caso haja abaulamento
da caixa torácica, associado a um abdome escavado,
existe a possibilidade de hérnia diafragmática, o que
pode levar a uma grave insuficiência respiratória.
( ) Na avaliação das extremidades, não devem ser
comparados os hemicorpos, verificando
posicionamento e mobilidade articular típicos e se
existem malformações estruturais. Nessa inspeção,
não é possível identificar malformações estruturais
ao analisar o formato das mãos, dos dedos e das
unhas. Durante a inspeção, também é importante
conferir a fusão de dedos nas mãos (polidactilia) ou
alterações no número dos dedos (sindactilia), as
quais costumam estar associadas à síndromes
genéticas.
( ) Na população neonatal, durante a avaliação dos
membros inferiores, é importante observar
assimetrias, encurtamentos, hipotrofia de um
membro em comparação a outro, limitação da
amplitude de movimento para abdução e excesso de
rotação externa. Para identificação de assimetrias
podem ser adotadas técnicas subjetivas, como
verificar o posicionamento das pregas subglúteas naface posterior dos membros ou a diferença no
tamanho entre os membros a partir do sinal de
Galeazzi (o sinal é positivo quando o joelho do lado
afetado é mais baixo em razão do deslocamento
posterior no quadril displásico). Para confirmar se os
sinais condizem com mau posicionamento da
articulação coxofemoral, é possível complementar o
exame com os testes de Ortolani e Barlow e exames
complementares, como ultrassonografia.
( ) O teste de Barlow é realizado com o recém-nascido
(RN) calmo e com os quadris e joelhos em flexão de
90 graus, promovendo, então, um movimento de
abdução e leve rotação externa das coxas, o teste é
positivo quando se verifica a sensação tátil e, em
alguns casos, o som de ressalto da passagem da
cabeça do fêmur pela parede do acetábulo e, durante
a realização da manobra, o quadril contralateral
deve estar sempre estabilizado. Já o teste de Ortolani
consiste em uma manobra que provoca luxação e
torna possível identificar a instabilidade do quadril.
A criança é avaliada em decúbito ventral, com
quadris a 90 graus e joelhos fletidos, onde o avaliador
realiza adução e flexão do quadril, seguidas de leve
compressão axial. Quando o resultado é positivo,
percebe-se a luxação da articulação como um
ressalto à medida que a cabeça do fêmur se desloca
do acetábulo.
( ) A avaliação da força muscular em neonatos é
realizada por meio da observação dos movimentos
passivos. Movimentos compensatórios, alinhamento
dinâmico aumentado ou movimentação simétrica
podem ser sinais de fraqueza muscular, mas é
importante verificar os componentes de dor e do
sistema neurológico. Além disso, a análise do tônus
muscular em neonatos também é realizada de
maneira subjetiva e deve ser conduzida com a
avaliação do funcionamento do sistema neurológico.
O tônus pode estar aumentado (hipertonia),
adequado ou reduzido (hipotônico), sem levar em
consideração o período em que se encontra o bebê. O
tônus muscular começa a aparecer por volta da 32ª
semana de gestação, de início com o tônus extensor
dos membros inferiores.