1Q964030 | Português, Significação Contextual de Palavras, Área Administrativa, TRF 4ª REGIÃO, FCCTexto associado. Atenção: Para responder a questão considere o texto abaixo. Ler um livro é desinteressar-se a gente deste mundo co- mum e objetivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noi- te adentro isola o leitor da realidade da rua, que é o sumidouro da vida subjetiva. Árvores ramalham. De vez em quando pas- sam passos. Lá no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do círculo claro da lâmpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa do seu corpo, está suspenso no ponto ideal de uma outra di- mensão, além do tempo e do espaço. No tapete voador só há lugar para dois passageiros: Leitor e autor. O leitor ingênuo é simplesmente ator. Quero dizer que, num folhetim ou num romance policial, procura o reflexo dos seus sentimentos imediatos, identificando-se logo com o pro- tagonista ou herói do romance. Isto, aliás, se dá mais ou menos com qualquer leitor, diante de qualquer livro; de modo geral, nós nos lemos através dos livros. Mas no leitor ingênuo, essa lei dos reflexos toma a forma de um desinteresse pelo livro como obra de arte. Pouco importa a impressão literária, o sabor do estilo, a voz do autor. Quer di- vertir-se, esquecer as pequenas misérias da vida, vivendo ou- tras vidas desencadeadas pelo bovarismo da leitura. E tem ra- zão. Há dentro dele uma floração de virtualidades recalcadas que, não encontrando desimpedido o caminho estreito da ação, tentam fugir pela estrada larga do sonho. Assim éramos nós então, por não sabermos ler nas en- trelinhas. E daquela primeira fase de educação sentimental, que parecia inevitável como as espinhas, passava quase sempre o jovem monstro para uma crise de hipercrítica. Devido à neces- sidade de um restabelecimento de equilíbrio, o excesso engen- drava o excesso contrário. A pouco e pouco os românticos per- diam terreno em proveito dos naturalistas. Dava-se uma verda- deira subversão de valores na escala da sensibilidade e a fanta- sia comprazia-se em derrubar os antigos ídolos. Formava-se muitas vezes, coincidindo com manifestações mórbidas que são do domínio da psicanálise, um pedantismo da clarividência, tão nocivo como a intemperança imaginosa ou sentimental, e talvez mais ingênuo, pois refletia um ressentimento de namorado ain- da ferido nas suas primeiras ilusões. (Adaptado de: MEYER, Augusto. “Do Leitor”, In: À sombra da estante, Rio de Janeiro, José Olympio, 1947, p. 11-19) Infere-se, corretamente, que o autor do texto ✂️ a) exemplifica os modos de ler um livro mediante as reações que diferentes enredos provocam nos leitores, de maneira a nos fazer compreender a harmonia da arte entre dois extremos de conduta. ✂️ b) compara duas fases do leitor a duas fases da adolescência, ressaltando a ingenuidade que caracteriza ambas, pois, cada uma a seu modo, não se atêm a características artísticas do livro. ✂️ c) descreve, mediante metáforas e comparações, as reações dos leitores que se debruçam, um de modo crítico, outro ingênuo, sobre os aspectos artísticos de romances da mesma natureza. ✂️ d) traça o amadurecimento do leitor que, de ingênuo e romântico, passa a perceber nos livros os componentes afeitos à realidade e, assim, a preferir os de maior aprimoramento artístico. ✂️ e) mostra a importância da arte na formação de leitores que, por seu intermédio, tornam-se capazes de distinguir aspectos fantasiosos de outros mais realistas, o que passa a interferir diretamente em seu juízo crítico. Resolver questão 🗨️ Comentários 📊 Estatísticas 📁 Salvar 🧠 Mapa Mental 🏳️ Reportar erro