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Questões de Concursos Interpretação de Textos

Resolva questões de Interpretação de Textos comentadas com gabarito, online ou em PDF, revisando rapidamente e fixando o conteúdo de forma prática.


1581Q710810 | Português, Interpretação de Textos, Técnico em Tecnologia da Informação, UNIRIO, CESGRANRIO, 2019

Texto associado.
Texto I
  Projetos urbanísticos, patrimônios e conflitos
                O Porto do Rio – Plano de Recuperação e Re-
        vitalização da Região Portuária do Rio de Janeiro
        foi divulgado pela Prefeitura em 2001 e concentrou
        diferentes projetos, visando a incentivar o desenvol-
5     vimento habitacional, econômico e turístico dos bair-
        ros portuários da Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Em
        meados de 2007, quando se iniciou esse estudo so-
        bre o Plano e seus efeitos sociais, a Zona Portuária
        já passava por um rápido processo de ressignificação
10    perante a cidade: nos imaginários construídos pelas
        diferentes mídias, não era mais associada apenas à
        prostituição, ao tráfico de drogas e às habitações “fa-
        velizadas”, despontando narrativas que positivavam
        alguns de seus espaços, habitantes e “patrimônios
15    culturais”.
    
                Dentro do amplo território portuário, os plane-
        jadores urbanos que idealizaram o Plano Porto do
        Rio haviam concentrado investimentos simbólicos e
        materiais nos arredores da praça Mauá, situada na
20     convergência do bairro da Saúde com a avenida Rio
        Branco, via do Centro da cidade ocupada por estabe-
        lecimentos financeiros e comerciais.
        GUIMARÃES, R. A Utopia da Pequena África. Rio de Janeiro:
        FGV, 2014, p. 16-7. Adaptado.
Segundo o Texto I, a Zona Portuária, até o início do século XXI, era vista como 
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1582Q24270 | Português, Interpretação de Textos, Analista Técnico, CFP, QUADRIX

Texto associado.
                                            Com açúcar, com afeto

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê

No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol

Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar

Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado

Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você

Chico Buarque 
Compare estas orações retiradas da letra da música: "Pra você parar em casa"; "Pra poder me sustentar"; "Pra agradar meu coração". Levando em consideração a forma como elas se relacionam, sintaticamente, com outras orações a que se ligam, assinale a alternativa que destaque a função sintática de cada uma delas.
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1583Q28115 | Português, Interpretação de Textos, Técnico Legislativo, Câmara de São José dos Campos SP, VUNESP

Texto associado.
Ai que preguiça

     O corpo humano é uma máquina desenhada para o movimento. É dotado de dobradiças, músculos que formam alavancas capazes de deslocar o esqueleto em qualquer direção, ossos resistentes, ligamentos elásticos que amortecem choques e sistemas de alta complexidade para mobilizar energia, consumir oxigênio e manter a temperatura interna constante. Em 6 milhões de anos, a seleção natural se encarregou de eliminar os portadores de características genéticas que dificultavam a movimentação necessária para ir atrás de alimentos, construir abrigos e fugir de predadores.
     Se o corpo humano fosse projetado para os usos de hoje, para que pernas tão compridas e braços tão longos? Se fossem só para ir de um assento a outro, nossas pernas poderiam ter metade do comprimento. Se os braços servissem apenas para alcançar o teclado do computador, para que antebraços? Seríamos anões de membros atrofiados, mas com um traseiro enorme, acolchoado, para nos dar conforto nas cadeiras.
     A possibilidade de ganharmos a vida sem andar é aquisição dos últimos 50 anos. A disponibilidade de alimentos de qualidade acessíveis a grandes massas populacionais, mais recente ainda.
     Para quem já morou em cavernas, a adaptação a um meio com alimentação rica em nutrientes e tecnologia para fazer chegar em nossas mãos tudo de que necessitamos foi imediata. Os efeitos adversos desse estilo de vida, no entanto, não demoraram para surgir: sedentarismo, obesidade e seu cortejo nefasto: complicações cardiovasculares, diabetes, câncer, degenerações neurológicas, doenças reumáticas e muitas outras.
     Se todos reconhecem que a atividade física faz bem para o organismo, por que ninguém se exercita com regularidade?
     Por uma razão simples: descontadas as brincadeiras da infância, fase de aprendizado, os animais nunca desperdiçam energia. Só o fazem atrás de alimento, sexo ou para escapar de predadores. Satisfeitas as três necessidades, permanecem em repouso.
     Vá ao zoológico. Você verá uma onça dando um pique para manter a forma? Um chimpanzé - com quem compartilhamos 99% de nossos genes - correndo para perder a barriga?
     É tão difícil abandonar a vida sedentária porque desperdiçar energia vai contra a natureza humana. Quando você ouvir alguém dizendo que, todos os dias, pula da cama louco de disposição para o exercício, pode ter certeza: é mentira. Essa vontade pode nos visitar num sítio ou na praia com os amigos, na rotina diária jamais.
     Digo por experiência própria. Há 20 anos corro maratonas, provas de 42 quilômetros que me obrigam a levantar às cinco e meia para treinar. Fiz um trato comigo mesmo: ao acordar, só posso desistir de correr depois de vestir calção, camiseta e calçar o tênis. Se me permitir tomar essa decisão deitado na cama, cada manhã terei uma desculpa. Não há limite para as justificativas que a preguiça é capaz de inventar nessa hora.
     Ao contrário do que os treinadores preconizam, não faço alongamento antes, já saio correndo, única maneira de resistir ao ímpeto de voltar para a cama. O primeiro quilômetro é dominado por um pensamento recorrente: “Não há o que justifique um homem a passar pelo que estou passando”.
     Vencido esse martírio inicial, a corrida se torna suportável. Boa mesmo, só fica quando acaba. Nessa hora, a circulação inundada de endorfinas traz uma sensação de paz celestial.
     Por isso, caro leitor, se você está à espera da chegada da disposição física para sair da vadiagem em 2014, tire o cavalo da chuva: ela não virá. Praticar exercícios com regularidade exige disciplina militar, a mesma que você tem na hora de ir para o trabalho.

(Drauzio Varella, Folha de S.Paulo, 11.01.2014, http://zip.net/bgl5Xn~. Adaptado)
No texto, o autor
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1584Q201944 | Português, Interpretação de Textos, Escriturário, Banco do Brasil, FCC

Texto associado.

Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se à
crônica abaixo.
Facultativo
Estatuto dos Funcionários, artigo 240: "O dia 28 de
outubro será consagrado ao Servidor Público" (com
maiúsculas).
Então é feriado, raciocina o escriturário que, justamente,
tem um "programa" na pauta para essas emergências. Não,
responde-lhe o Governo, que tem o programa de trabalhar; é
consagrado, mas não é feriado.
É, não é, e o dia se passou na dureza, sem ponto
facultativo. Saberão os groenlandeses o que seja ponto
facultativo? (Os brasileiros sabem) É descanso obrigatório no
duro. João Brandão, o de alma virginal, não entendia assim, e lá
um dia em que o Departamento Meteorológico anunciava: "céu
azul, praia, ponto facultativo", não lhe apetecendo a casa nem
as atividades lúdicas, deliberou usar de sua "faculdade" de
assinar o ponto no Instituto Nacional da Goiaba, que, como é do
domínio público, estuda as causas da inexistência dessa
matéria-prima nacomposição das goiabadas.
Encontrou cerradas as grandes portas de bronze, ouro e
pórfiro (*), e nenhum sinal de vida nos arredores. (...) Tentou
forçar as portas, mas as portas mantiveram-se surdas e nada
facultativas.
(...) João decidiu-se a penetrar no edifício,
galgando-lhe a fachada e utilizando a vidraça que os serventes
sempre deixam aberta. E começava a fazê-lo com a teimosia
calma dos Brandões quando um vigia brotou da grama e puxouo
pela perna.
- Desce daí, moço. Então não está vendo que é dia de
descansar?
(...) Então não sabe o que quer dizer facultativo?
João pensava saber, mas nesse momento teve a
intuição de que o verdadeiro sentido das palavras não está no
dicionário; está na vida, no uso que delas fazemos. Pensou na
Constituição e nos milhares de leis que declaram obrigatórias
milhares de coisas, e essas coisas, na prática, são facultativas
ou inexistentes. Retirou-se, digno, e foi decifrarpalavras
cruzadas.
(*) Pórfiro = tipo de rocha; pedra cristalina.
(Carlos Drummond de Andrade, Obra completa. Rio de
Janeiro: Aguilar, 1967, pp. 758-759)

Sabendo-se que a palavra facultativo tem como sinônimo optativo (Dicionário Houaiss), é correto afirmar que

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1585Q103165 | Português, Interpretação de Textos, Analista Administrativo Administração, ANATEL, CESPE CEBRASPE

Texto associado.

1 Folha - O sr. concorda que muitas das restrições
impostas pelo Estado são impostas por pensamentos
"puritanos" de parte da sociedade?
4 Giannetti - A opinião pública pode, sim, se tornar
uma força tirânica e muito cerceadora, tanto quanto a
regulamentação estatal. São dois mecanismos diferentes de
7 coerção e de cerceamento.
Na verdade, o que estamos aprendendo hoje é que o
cérebro humano é modular. Esses módulos do cérebro têm
10 motivações diferentes, e há um processo permanente de
negociação entre áreas do cérebro que nos motivam a fazer
coisas diferentes. O indivíduo está permanentemente e
13 internamente cindido, renegociando consigo mesmo o que ele
faz. E essa negociação é

Atende à norma gramatical a seguinte síntese do último parágrafo: O cidadão prefere mais que o Estado aja por ele do que agir à partir de seu próprio pensamento.

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1586Q30211 | Português, Interpretação de Textos, Agente Administrativo, COREN DF, QUADRIX

Texto associado.
A questão refere-se ao trecho do poema a seguir. 
Canção
(Camões)

Já a roxa manhã clara
do Oriente as portas vem abrindo,
dos montes descobrindo
a negra escuridão da luz avara.
O Sol, que nunca para,
de sua alegre vista saudoso,
trás ela, pressuroso,
nos cavalos cansados do trabalho, que respiram nas ervas
fresco orvalho,
se estende, claro, alegre e luminoso.
Os pássaros, voando
de raminho em raminho modulando,
com uma suave e doce melodia
o claro dia estão manifestando.

A manhã bela e amena,
seu rosto descobrindo, a espessura
se cobre de verdura,
branda, suave, angélica, serena.
Ó deleitosa pena,
ó efeito de Amor tão preeminente
que permite e consente
que onde quer que me ache, e onde esteja,
o seráfico gesto sempre veja,
por quem de viver triste sou contente!
Mas tu, Aurora pura,
de tanto bem dá graças à ventura,
pois as foi pôr em ti tão diferentes,
que representes tanta formosura.

A luz suave e leda
a meus olhos me mostra por quem mouro,
e os cabelos de ouro
não igual" aos que vi, mas arremeda:
esta é a luz que arreda
a negra escuridão do sentimento
ao doce pensamento;
o orvalho das flores delicadas
são nos meus olhos lágrimas cansadas,
que eu choro co prazer de meu tormento;
os pássaros que cantam
os meus espíritos são, que a voz levantam,
manifestando o gesto peregrino
com tão divino som que o mundo espantam.

Assim como acontece
a quem a cara vida está perdendo,
que, enquanto vai morrendo,
alguma visão santa lhe aparece;
a mim, em quem falece
a vida, que sois vós, minha Senhora, a
esta alma que em vós mora
(enquanto da prisão se está apartando)
vos estais juntamente apresentando
em forma da formosa e roxa Aurora.
Ó ditosa partida!
Ó glória soberana, alta e subida!
Se mo não impedir o meu desejo;
porque o que vejo, enfim, me torna a vida.
( . . . )

(Disponível em www.dominiopublico.gov.br)
Releia o seguinte trecho do poema:

"o orvalho dos flores delicadas
são nos meus olhos lágrimas cansadas,
que eu choro co prazer de meu tormento
"

Pelo contexto, pode-se compreender que a palavra "co" poderia ser substituída mais adequadamente por:
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1587Q689923 | Português, Interpretação de Textos, Agente de Trânsito e Transporte, Prefeitura de Salvador BA, FGV, 2019

No prefácio de um livro de Jorge Amado, Vinícius de Moraes escreveu o seguinte: 
“Em dois textos simples, Jorge Amado acaba de escrever o que para mim é o melhor romance e a melhor novela da literatura brasileira.” 
Esse texto deve ser considerado
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1588Q29740 | Português, Interpretação de Textos, Auxiliar Operacional Portuário, CODESP SP, VUNESP

Texto associado.
Jair não trabalhava, não ganhava um centavo, bebia o dia todo, às vezes pegava a guitarra e ao lado do portão de madeira, dedilhava algumas notas, com o desejo de se tornar um compositor famoso, mas não passava dessas raras e frustradas tentativas. Você é um lixo, dizia-lhe Marta, sua mulher, de manhã e de noite, mas Jair não a contestava, sabia que Marta tinha razão. Marta é que tinha de providenciar o sustento de ambos, ela labutava muito. Sim, ele reconhecia que era um lixo, mas, em silêncio, já não aguentava os insultos da mulher. E um dia, fora de si de tanta angústia, resolveu pôr um fim naquilo. Num impulso, abriu a janela do apartamento do oitavo andar em que moravam e pulou para fora, certo de que iria morrer.

    Não morreu. Viu estrelas, ao meio dia, sentindo dor. Perdeu os sentidos e, quando acordou, viu-se deitado sobre uma desconfortável, horrorosa e triste montanha de sacos de lixo. E não pode deixar de sorrir: ele, lixo, tinha sido salvo pelo lixo que havia provocado a redução do impacto da queda. Lixo cuja origem ele conhecia desde a semana anterior, quando, na entrada do prédio, escutou comentários: eram coisas que Joana, a moradora do apartamento térreo, acumulara durante anos e das quais fora obrigada, pelos bombeiros, a se livrar, pondo-as na calçada, em sacos plásticos, depois que os moradores do prédio a haviam denunciado.

    De imediato, foi levado para o hospital, de ambulância. Sua mulher, torturada pela culpa, não saía de perto dele, mas não era nela que ele pensava. Era em Joana. E logo que recebeu alta foi visitá-la e lhe disse: Seu lixo me salvou, serei eternamente grato.

    Não era lixo, disse Joana. Era minha vida que estava ali naqueles sacos plásticos, coisas antigas … roupas … objetos. Eu, a minha existência!

    Jair concordou em silêncio. Sabia o que ela estava querendo dizer. E sabia que, daí em diante, viria visitá-la continuamente. No lixo, havia encontrado sua alma gêmea.

                                                                     (Moacyr Scliar. Folha de S.Paulo,10.01.11. Adaptado)
De acordo com o texto, Jair
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1589Q693046 | Português, Interpretação de Textos, Engenheiro Mecânica, UFGD, UFGD, 2019

Texto associado.
Leia o texto a seguir.
O FIM DO SONHO
Ruy Castro
       Eles nunca mais vestirão a camisa do clube que amavam ou viriam a amar. Nunca mais a suarão nos treinos, em que davam tudo para se superar e superar os colegas com quem dividiam o esforço, a dedicação e os sonhos — dividiam também o alojamento fatal. Nunca mais  esperarão a hora de ser chamados no banco, tirar o agasalho e entrar em campo para mostrar o que sabiam. Nunca mais ansiarão pela bola que viria do alto para o seu domínio ou pelo passe de um companheiro, à feição do chute que levaria ao gol consagrador. Nunca mais receberão uma bola.
       O goleiro nunca mais precisará exercitar sua capacidade de concentração, a ser desenvolvida nas menores ocorrências do dia a dia — para que, sob seu gol, ele pudesse esperar pelo inesperado, prever o imprevisível e defender o indefensável. Como último baluarte, atrás da linha de seus companheiros, estas eram suas responsabilidades. Agora essas responsabilidades cessaram — ele pode finalmente relaxar. O mesmo com o zagueiro — a ameaça do atacante adversário invadindo a área com seu poder de choque, a ser enfrentada com poder equivalente e neutralizada, fica agora suprimida. Quem sabe os dois não eram amigos, quase irmãos, fora de campo? Pois agora o serão para sempre — e apenas isto, não mais adversários [...].
       Era um sonho maravilhoso, interrompido por uma entrada cruel e desleal do destino quando apenas começava a se tornar realidade. Eles nunca mais sonharão.
Disponível em: https://wwwl.folha.uol.com.br/colunas/ ruycastro/2019/02/o-fim-do sonho.shtml. Acesso em 20 fev. 2019.
De acordo com Koch, "a progressão ou sequenciação textual diz respeito aos procedimentos linguísticos por meio dos quais se estabelecem, entre segmentos do texto, diversos tipos de relações semânticas e/ou pragmáticas, à medida que se faz o texto progredir" (KOCH, Ingedore. Escrever e argumentar. São Paulo: Contexto, 2016. p. 100). Considerando esta afirmação, assinale a alternativa correta no que diz respeito aos procedimentos linguísticos de sequenciação presentes no texto.
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1590Q691300 | Português, Interpretação de Textos, Técnico em Eletrotécnica, UFGD, UFGD, 2019

Texto associado.
                                                          A MAIS POPULAR DAS DROGAS
                                                                          Suzana Herculano-Houzel
            O gosto é, francamente, ruim. Pergunte a qualquer
criança de paladar inocente e ela lhe dirá que café é
amargo que nem jiló. Mas depois que você é fisgado
pelo aroma, o café rapidamente passa a ser presença
constante em seu dia a dia. O que faz com que essa
seja a beberagem psicoativa mais consumida do
mundo?
            Uns dizem que é porque a cafeína - o componente
estimulante para o cérebro - vicia. Outros garantem
que não, já que o consumo da substância não
costuma aumentar progressivamente - apesar de os
usuários ’sentirem falta’ daquele cafezinho. Afinal,
é droga ou não é? Se for, a cafeína deve ativar o
sistema de recompensa (um conjunto de estruturas
na porção frontal do cérebro cuja ativação parece ser
suficiente para gerar prazer) e assim garantir que o
comportamento associado - como fazer sexo, comer,
ir ao cinema ou usar cocaína, maconha ou nicotina -
será repetido sempre que possível.
           Para a alegria dos adeptos de um cafezinho,
um estudo preliminar de imageamento funcional
do cérebro mostrou, em 1999, que a cafeína não
causa ativação aparente do sistema de recompensa
do cérebro nem em ratos nem em humanos que
receberam o equivalente a três xícaras de café.
Mas isso acaba de mudar. Com uma técnica muito
mais sensível, que mede diretamente a ativação do
sistema de recompensa por meio da liberação de
dopamina no núcleo acumbente (uma das estruturas
principais do sistema), um grupo de neurocientistas
dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA mostrou
em agosto de 2002 que a cafeína age como qualquer
droga, sim - ao menos no cérebro de ratos.
            Enquanto o sexo, a comida e qualquer outro
divertimento levam o próprio cérebro a ativar seu
sistema de recompensa, a cafeína, como outras
drogas, parece dispensar intermediários e ligar
diretamente o núcleo acumbente, ao despejar
dopamina no sistema de recompensa afora. Não é
uma ativação espetacular, tanto que não se traduz
em mudanças metabólicas cerebrais visíveis no
imageamento funcional, como as que acontecem
com a cocaína, a maconha ou o álcool. Mas é bastante
respeitável — e suficiente para fazer qualquer animal
querer mais.
            Se age como droga, por que são tão raras as
pessoas que parecem genuinamente viciadas?
Talvez a resposta seja simples: porque é muito difícil
conseguir ficar completamente ‘a seco’, sem ingerir
cafeína alguma. Essa substância hoje é onipresente,
encontrada em bebidas, sobremesas e até em
inocentes ’remédios’ para a gripe ou dor de cabeça.
Como ninguém passa muito tempo longe da droga,
os sintomas da abstinência raramente aparecem. E
se aparecerem, é só dar uma chegadinha à esquina e
tomar uma coca-cola...
  Disponível em http://cienciahoje.org.br/coluna/a-mais-popular-das-                                                                                                  
                                                              drogas/. Acesso em: 20 mai. 2018.
De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.
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1591Q49252 | Português, Interpretação de Textos, Secretário Auxiliar, MPE GO

Texto associado.
      “O termo serenidade costuma estar associado a mais de um significado, sendo que o primeiro deles tem a ver com a capacidade de lidar com docilidade e tolerância com as situações mais adversas. Muitas vezes perdemos a serenidade quando nos sentimos pressionados por expectativas que nós mesmos produzimos em relação aos nossos projetos; é preciso cautela para que nossos planos não se transformem em fontes de tensão. Os que fazem planos mais realistas sofrem menos e se aproximam mais da serenidade.

      A serenidade corresponde a um estado de espírito no qual nos encontramos razoavelmente em paz, conciliados com o que somos e temos, com nossa condição de humanos falíveis e mortais. É claro que isso depende de termos atingido uma razoável evolução emocional e mesmo moral: não convém nos compararmos com as outras pessoas, não é bom nos revoltarmos com o fato de não sermos exatamente como gostaríamos: conformados com nossas limitações, podemos usufruir das potencialidades que temos.

      O momento presente é sempre uma ficção: vivemos entre as lembranças do passado e a esperança de acontecimentos futuros que buscamos alcançar. A regra é que estejamos indo atrás de objetivos, perseguindo-os com mais ou menos determinação. A maior parte das pessoas sente-se mal quando está sem projetos, apenas usufruindo dos prazeres momentâneos que suas vidas oferecem. Somos pouco competentes para vivenciar o ócio. Essa condição emocional que os filósofos antigos consideravam como muito criativa é algo gerador de um estado de alma que chamamos de tédio.

      De certa forma, fazemos tudo o que fazemos a fim de fugir do ócio e do tédio que o acompanha. Mesmo nos períodos de férias temos que nos ocupar. Por outro lado, perseguir objetivos com obstinação e aflição de alcançá-los o quanto antes também subtrai a serenidade. Assim, perdemos a serenidade quando andamos muito devagar, perto da condição do ócio, que traz o tédio e a depressão, e também quando nos tornamos angustiados pela pressa de atingirmos nossas metas. Mais uma vez, a sabedoria, a virtude, está no meio, naquilo que Aristóteles chamava de temperança: cada um de nós parece ter uma velocidade ideal, de modo que, se andar abaixo dela, tenderá a se deprimir, ao passo que, se andar acima dela, tenderá a ficar ansioso. Interessa pouco comparar nossa velocidade com a dos outros, visto que só estaremos bem quando estivermos em nosso ritmo, qualquer que seja ele ”.

(Adaptado de Flávio Gikovate).
Entre as causas que concorrem para o surgimento do tédio, considerado o contexto, está
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1592Q595558 | Português, Interpretação de Textos, Aluno Oficial PM, Polícia Militar SP, VUNESP, 2019

Texto associado.
Leia o trecho inicial da crônica de Machado de Assis para responder à questão.
[19 maio de 1888]
Bons dias! Eu pertenço a uma família de profetas après coup1 , post factum2 , depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em
holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segundafeira,
antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era
nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.
Levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a
liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo;
finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.
Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Todos os lenços comovidos apanharam as
lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e
suponho que a óleo.
No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:
– Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...
– Oh! meu senhô! fico...
– Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um
pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...
– Artura não qué dizê nada, não, senhô...
– Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma
galinha.
– Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete. Pancrácio aceitou tudo: aceitou até
um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo
um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois
estados naturais, quase divinos.
Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas. E chamolhe
besta quando lhe não chamo filho do diabo; coisas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.
(Machado de Assis. Bons dias. www.dominiopublico.gov.br. Adaptado)
1 après coup: [francês] pós-golpe.
2 post factum: [latim] depois do fato.
Uma marca do estilo de Machado de Assis verificada no texto é
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1593Q49254 | Português, Interpretação de Textos, Secretário Auxiliar, MPE GO

Texto associado.
      “O termo serenidade costuma estar associado a mais de um significado, sendo que o primeiro deles tem a ver com a capacidade de lidar com docilidade e tolerância com as situações mais adversas. Muitas vezes perdemos a serenidade quando nos sentimos pressionados por expectativas que nós mesmos produzimos em relação aos nossos projetos; é preciso cautela para que nossos planos não se transformem em fontes de tensão. Os que fazem planos mais realistas sofrem menos e se aproximam mais da serenidade.

      A serenidade corresponde a um estado de espírito no qual nos encontramos razoavelmente em paz, conciliados com o que somos e temos, com nossa condição de humanos falíveis e mortais. É claro que isso depende de termos atingido uma razoável evolução emocional e mesmo moral: não convém nos compararmos com as outras pessoas, não é bom nos revoltarmos com o fato de não sermos exatamente como gostaríamos: conformados com nossas limitações, podemos usufruir das potencialidades que temos.

      O momento presente é sempre uma ficção: vivemos entre as lembranças do passado e a esperança de acontecimentos futuros que buscamos alcançar. A regra é que estejamos indo atrás de objetivos, perseguindo-os com mais ou menos determinação. A maior parte das pessoas sente-se mal quando está sem projetos, apenas usufruindo dos prazeres momentâneos que suas vidas oferecem. Somos pouco competentes para vivenciar o ócio. Essa condição emocional que os filósofos antigos consideravam como muito criativa é algo gerador de um estado de alma que chamamos de tédio.

      De certa forma, fazemos tudo o que fazemos a fim de fugir do ócio e do tédio que o acompanha. Mesmo nos períodos de férias temos que nos ocupar. Por outro lado, perseguir objetivos com obstinação e aflição de alcançá-los o quanto antes também subtrai a serenidade. Assim, perdemos a serenidade quando andamos muito devagar, perto da condição do ócio, que traz o tédio e a depressão, e também quando nos tornamos angustiados pela pressa de atingirmos nossas metas. Mais uma vez, a sabedoria, a virtude, está no meio, naquilo que Aristóteles chamava de temperança: cada um de nós parece ter uma velocidade ideal, de modo que, se andar abaixo dela, tenderá a se deprimir, ao passo que, se andar acima dela, tenderá a ficar ansioso. Interessa pouco comparar nossa velocidade com a dos outros, visto que só estaremos bem quando estivermos em nosso ritmo, qualquer que seja ele ”.

(Adaptado de Flávio Gikovate).
Expressa noção de finalidade o segmento que se encontra em
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1594Q26763 | Português, Interpretação de Textos, Assistente de Contabilidade, Câmara de Caieiras SP, VUNESP

Texto associado.
 O fator sorte

     As pessoas mais inclinadas a buscar significados nos acontecimentos tendem de fato a encontrá-los, ainda que, para isso, tenham de subestimar as leis da probabilidade, no intuito de encontrar um maior número de “coincidências", que atribuem à sorte.
     Há alguns anos, o físico Richard A. J. Matthews estudou as chamadas leis de Murphy, a irônica suma do pessimismo resumida na máxima “se alguma coisa pode dar errado, dará". Matthews investigou, em particular, por que uma fatia de pão com manteiga cai geralmente com o lado da manteiga para baixo. A prevalência da “falta de sorte" foi confirmada por um estudo experimental, patrocinado por um fabricante de manteiga: o aparente azar deve-se simplesmente à relação física entre as dimensões da fatia e a altura em que estava colocada.
     São também explicáveis outros tipos de infortúnio, como o fato de que, quando duas meias soltas são retiradas da gaveta, geralmente elas não são do mesmo par. Além disso, tendemos a dar mais atenção a fatos rotineiros que nos frustram (como perder o ônibus por chegarmos ao ponto com segundos de atraso), em vez de contabilizar o grande número de ocasiões em que não tivemos contratempos. Essa atitude contribui para reforçar nossos preconceitos e nos fazer ignorar as leis da probabilidade.
     O psicólogo Richard Wiseman, professor da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, também conduziu um estudo interessante sobre os mecanismos relacionados à sorte. O projeto, financiado por várias instituições, entre as quais a Associação Britânica para o Avanço da Ciência, gerou um manual chamado “O fator sorte", traduzido em mais de 20 idiomas.
     Ele publicou um anúncio no jornal solicitando que pessoas particularmente sortudas ou azaradas entrassem em contato com ele para que seus comportamentos fossem analisados. Descobriu que cerca de 9% desses indivíduos podiam ser considerados azarados e 12% favorecidos pela sorte. Todos os outros entravam na média.
      Wiseman deu aos participantes um jornal, solicitando que contassem as fotos impressas e prometendo um prêmio aos que o fizessem corretamente. Ora, o número solicitado estava gravado de forma evidente sobre uma das páginas, algo que muitos “azarados" não perceberam, pois estavam concentrados demais na tarefa.
       A análise experimental dos traços de personalidade que distinguiam sortudos e azarados permitiu concluir que esses últimos são mais tensos e concentrados, ao passo que os sortudos tendem a considerar as coisas de forma mais relaxada, mas sem perder de vista o contexto geral. Assim, se considerarmos os dados coletados, ter sorte pode significar, pelo menos em parte, saber fazer boas escolhas e perceber as ocasiões mais vantajosas para si mesmo.

(Gláucia Leal. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br/pensar-psi/o-fator-sorte. Adaptado)
De acordo com o texto, as leis da probabilidade podem ser usadas para
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1595Q49551 | Português, Interpretação de Textos, Atendente, SABESP, FCC

Texto associado.
Sobre a dificuldade de ler 

Gostaria de lhes falar não da leitura e dos riscos que ela comporta, mas de um risco ainda maior, ou seja, da dificuldade ou da impossibilidade de ler; gostaria de tentar lhes falar não da leitura, mas da ilegibilidade. 

Cada um de vocês terá feito a experiência daqueles momentos nos quais gostaríamos de ler, mas não conseguimos, nos quais nos obstinamos a folhear as páginas de um livro, mas ele nos cai literalmente das mãos. 

Gostaria de lhes sugerir que prestassem atenção aos seus momentos de não leitura, quando o livro do mundo cai das suas mãos, porque a impossibilidade de ler lhes diz respeito tanto quanto a leitura e é, talvez, tanto ou mais instrutiva do que esta.

Há também uma outra e mais radical impossibilidade de ler, que até poucos anos atrás era, antes de tudo, comum. Refiro-me aos analfabetos, que, há apenas um século, eram a maioria. Um grande poeta espanhol do século 20 dedicou um livro de poesia seu “ao analfabeto para/por quem eu escrevo”. É importante compreender o sentido desse “para/por”.

Gostaria que vocês refletissem sobre o estatuto especial desse livro que, na sua essência, é destinado aos olhos que não podem lê-lo e foi escrito com uma mão que, em um certo sentido, não sabe escrever. O poeta ou escritor que escreve pelo/para o analfabeto tenta escrever o que não pode ser lido, põe no papel o ilegível. Mas precisamente isso torna a sua escrita mais interessante do que a que foi escrita somente por/para quem sabe ler.

Há, finalmente, um outro caso de não leitura do qual gostaria de lhes falar. Refiro-me aos livros que foram escritos e publicados, mas estão - talvez para sempre - à espera de serem lidos. Eu conheço - e cada um de vocês, eu acredito, poderia citar - livros que mereciam ser lidos e não foram lidos, ou foram lidos por pouquíssimos leitores. Eu penso que, se esses livros eram verdadeiramente bons, não se deveria falar de uma espera, mas de uma exigência. Esses livros não esperam, mas exigem ser lidos, mesmo que não o tenham sido ou não o serão jamais.

Mas agora gostaria de dar um conselho aos editores e àqueles que se ocupam de livros: parem de olhar para as infames, sim, infames classificações de livros mais vendidos e - presume-se - mais lidos e tentem construir em vez disso na mente de vocês uma classificação dos livros que exigem ser lidos. Só uma editora fundada nessa classificação mental poderia fazer o livro sair da crise que - pelo que ouço ser dito e repetido - está atravessando. 

(Adaptado de: AGAMBEN, Giorgio. Sobre a dificuldade de ler. Trad. de Cláudio Oliveira. Revista Cult, ano 16, n. 180. São Paulo: Bregantini, junho de 2013. p. 46 e 47)
No penúltimo parágrafo do texto, os travessões são utilizados para
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1596Q42131 | Português, Interpretação de Textos, Assistente Administrativo, EMDEC SP, IBFC

Texto associado.
Aprendendo a pensar
(Frei Beto)

  Nosso olhar está impregnado de preconceitos. Uma das miopias que carregamos é considerar criança ignorante. Nós, adultos, sabemos; as crianças não sabem.
  O educador e cientista Glenn Doman se colocou a pergunta: em que fase da vida aprendemos as coisas mais importante que sabemos?
  As coisas mais importantes que todos sabemos é falar, andar, movimentar-se, distinguir olfatos, cores, fatores que representam perigo, diferentes sabores etc. Quando aprendemos isso? Ora, 90% de tudo que é importante para fazer de nós seres humanos, aprendemos entre zero e seis anos, período que Doman considera “a idade do gênio”.
  Ocorre que a educação não investe nessa idade. Nascemos com 86 bilhões de neurônios em nosso cérebro. As sinapses, conexões cerebrais, se dão de maneira acelerada nos primeiros anos da vida.
  Glenn Doman tratou crianças com deformações esqueléticas incorrigíveis, porém de cérebro sadio. Hoje são adultos que falam diversos idiomas, dominam música, computação etc. São pessoas felizes, com boa autoestima. Ao conhecer no Japão um professor que adotou o método dele, foi recebido por uma orquestra de crianças; todas tocavam violino. A mais velha tinha quatro anos...
  Ele ensina em seus livros como se faz uma criança, de três ou quatro anos, aprender um instrumento musical ou se autoalfabetizar sem curso específico de alfabetização. Isso foi testado na minha família e deu certo. Tenho um sobrinho- neto alfabetizado através de fichas. A mãe lia para ele histórias infantis e, em seguida, fazia fichas de palavras e as repetia. De repente, o menino começou a ler antes de ir para a escola.
[...]

(Disponível em: http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.Dhp?artld=5069. Acesso em 27/12/15, adaptado)
Ao fazer uso do vocábulo “miopias”, no primeiro parágrafo, o autor emprega esse termo no sentido:
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1597Q19869 | Português, Interpretação de Textos, Agente Legislativo de Serviços Técnicos e Administrativos, AL SP, FCC

Texto associado.
"Nenhum homem é uma ilha", escreveu o inglês John Donne em 1624, frase que atravessaria os séculos como um dos lugares-comuns mais citados de todos os tempos. Todo lugar- comum, porém, tem um alicerce na realidade ou nos sentimentos humanos - e esse não é exceção. Durante toda a história da espécie, a biologia e a cultura conspiraram juntas para que a vida humana adquirisse exatamente esse contorno, o de um continente, um relevo que se espraia, abraça e se interliga. A vida moderna, porém, alterou-o de maneira drástica. Em certos aspectos partiu o continente humano em um arquipélago tão fragmentado que uma pessoa pode se sentir totalmente separada das demais. Vencer tal distância e se reunir aos outros, entretanto, é um dos nossos instintos básicos. E é a ele que atende um setor do mercado editorial que cresce a passos largos: o da autoajuda e, em particular, de uma autoajuda que se pode descrever como espiritual. Não porque tenha necessariamente tonalidades religiosas (embora elas, às vezes, sejam nítidas), mas porque se dirige àquelas questões de alma que sempre atormentam os homens. Como a perda de uma pessoa querida, a rejeição ou o abandono, a dificuldade de conviver com os próprios defeitos e os alheios, o medo da velhice e da morte, conflitos com os pais e os filhos, a frustração com as aspirações que não se realizaram, a perplexidade diante do fim e a dúvida sobre o propósito da existência. Questões que, como séculos de filosofia já explicitaram, nem sempre têm solução clara - mas que são suportáveis quando se tem com quem dividir seu peso, e esmagadoras quando se está só. As mudanças que conduziram a isso não são poucas nem sutis: na sua segunda metade, em particular, o século XX foi pródigo em abalos de natureza social que reconfiguraram o modo como vivemos. O campo, com suas relações próximas, foi trocado em massa pelas cidades, onde vigora o anonimato. As mulheres saíram de casa para o trabalho, e a instituição da "comadre" virtualmente desapareceu. Desmanchou-se também a ligação quase compulsória que se tinha com a religião, as famílias encolheram drasticamente não só em número de filhos mas também em sua extensão. A vida profissional se tornou terrivelmente competitiva, o que acrescenta ansiedade e reduz as chances de fazer amizades verdadeiras no local de trabalho. Também o celular e o computador fazem sua parte, aumentando o número de contatos de que se desfruta, mas reduzindo sua profundidade e qualidade. Perdeu-se aquela vasta rede de segurança que, é certo, originava fofoca e intromissão, mas também implicava conselhos e experiência, valores sólidos e afeição desprendida, que não aumenta nem diminui em função do sucesso ou da beleza. Essa é a lacuna da vida moderna que a autoajuda vem se propondo a preencher: esse sentido de desconexão que faz com que em certas ocasiões cada um se sinta como uma ilha desgarrada do continente e sem meios de se reunir novamente a ele.

(Isabela Boscov e Silvia Rogar. Veja, 2 de dezembro de 2009, pp. 141-143, com adaptações)
A expressão cujo sentido está corretamente transcrito, com outras palavras, é:
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1598Q22178 | Português, Interpretação de Textos, Técnico de Processos Organizacionais, BAHIAGÁS, FCC

Texto associado.
A região da Chapada Diamantina, Bahia, pode ficar sem onças-pintadas em um prazo de nove anos e meio. Já para a área de Bom Jesus da Lapa, o prognóstico é ainda pior: a extinção da espécie pode ocorrer em aproximadamente três anos. Para evitar um destino trágico, é preciso proteger mais áreas e tentar conectar, por meio de corredores ecológicos - ligação entre áreas de uso menos intensivo para garantir a sobrevivência da espécie -, os grupos que hoje estão isolados.
      Os dados são do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. O Cenap avalia que a onça-pitada está criticamente ameaçada na Caatinga. A estimativa é de que existam no bioma 356 animais, divididos em cinco áreas. Desse total, apenas cerca da metade está em idade reprodutiva (descontam-se os animais mais jovens e os muito velhos). Dessa forma, o número restante, 178, deixa a espécie em situação crítica - um dos critérios para a classificação é haver menos de 250 animais. 
      Uma analista ambiental afirma que a situação na Mata Atlântica é também extremamente grave. Uma estimativa preliminar, baseada em informações de diversos pesquisadores, indica a existência de 170 indivíduos maduros no bioma. Ela conta que é muito difícil encontrar vestígios do animal e mais raro ainda vê-lo.
      Os estudos confirmam que a população de onças-pintadas vem caindo a cada ano. Entre as ameaças, tanto na Caatinga quanto na Mata Atlântica, estão a alteração e a perda de hábitat, provocadas pelo desmatamento e a falta de alimento. Na Caatinga, parte da população se alimenta de tatus e porcos-do-mato e acaba havendo competição por essas presas. Também faltam matas contínuas para garantir a sobrevivência da onça-pintada. Outro conflito é que, ao matar rebanhos, elas podem incomodar fazendeiros e serem perseguidas.
      Para o Ibama, a espécie é considerada vulnerável, porque sua situação é melhor em outros biomas e regiões. O quadro é mais tranquilo no Pantanal e na Amazônia. É por isso que o presidente do Instituto Onça-pintada defende ações regionalizadas. "Cada bioma tem um problema diferente". A onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. Ao fazer um esforço para sua preservação, várias outras espécies que estão no mesmo ecossistema se beneficiam. Ele acredita ser melhor investir na Amazônia onde, por haver grandes áreas de floresta intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se manter, para garantir a sobrevivência do animal. Por isso, é importante evitar a degradação e o desmatamento.

(Afra Balazina. O Estado de S. Paulo, Vida&, A26, 24 de janeiro de 2010, com adaptações)
... por haver grandes áreas de floresta intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se manter ... (último parágrafo)

No segmento transcrito acima observam-se, respectivamente,
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1599Q933032 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular Primeiro Semestre IF Sul MG, IF Sul MG, IF SUL MG

Texto associado.
Minha língua, minha pátria 
Estudante de Letras da UFSCar, o indígena Luciano Ariabo Quezo, decidiu escrever um livro didático para evitar o desaparecimento da língua que era falada em sua aldeia, o umutina-balatiponé. 
A cada dia, o estudante Luciano Ariabo Quezo, 25, percebia que a língua portuguesa ocupava mais espaço na aldeia indígena onde nasceu e “engolia” sua língua materna, o umutina-balatiponé. 
Preocupado com a situação, especialmente após a morte de um ancião – um dos poucos que só falava o idioma nativo –, ele resolveu escrever um livro bilíngue para tentar evitar o desaparecimento da língua de sua família. 
Quezo é natural de uma reserva indígena de Barra do Bugres (MT), onde cerca de 600 pessoas falam o idioma. 
Aluno do último ano do curso de Letras da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em São Carlos, no interior paulista, ele trabalha no tema desde 2012, quando obteve uma bolsa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para sua pesquisa. 
Só existem duas escolas indígenas no território umutina e, segundo ele, aprender a língua dependia do interesse individual. Após a morte do ancião, diz, não há mais idosos que dominem completamente a língua e nem todos os jovens a conhecem. 
Um esboço do projeto foi lançado em 2013, com 40 páginas e 180 exemplares, para ser testado e aprovado pela comunidade. 
“Língua e Cultura Indígena Umutina no Ensino Fundamental” é destinado a alunos das séries iniciais das escolas de sua aldeia. Um irmão de Quezo trabalha em uma delas e utiliza o material com os estudantes. 
TOLEDO, Marcelo. “Minha língua, minha pátria”. Folha de São Paulo, 15 abr. 2015. Cotidiano. 
Pode-se depreender, a partir da leitura do texto acima, que sua intencionalidade discursiva é:
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1600Q16048 | Português, Interpretação de Textos, Arquiteto Urbanista, Prefeitura de Florianópolis SC, FGV

Texto associado.
TEXTO 1 – DIREITO AFETIVO
João Paulo Lins e Silva, O Globo, 09/10/2014

Acompanhamos recentemente notícias na imprensa sobre registros de nascimento de menores com a inclusão de duas mães e um pai. Três atos distintos ocorreram; um em Minas Gerais e dois no Rio Grande do Sul. Por maior semelhança, carregam os registros características peculiares, mas que trazem e antecipam uma forte tendência, com a visão da família multiparental, ou seja, a capacidade de uma pessoa possuir, simultaneamente, mais de um pai ou de uma mãe em seu registro de nascimento. O que poderia soar absurdo ou, no mínimo, estranho antigamente, a evolução do formato da família brasileira força a necessidade de uma adequação de nossa legislação notarial.
“...a visão da família multiparental, ou seja, a capacidade de uma pessoa possuir, simultaneamente, mais de um pai ou de uma mãe em seu registro de nascimento”.

A presença da expressão “ou seja” nesse segmento do texto 1 mostra uma marca do texto jornalístico, que é:
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