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Questões de Concursos Interpretação de Textos

Resolva questões de Interpretação de Textos comentadas com gabarito, online ou em PDF, revisando rapidamente e fixando o conteúdo de forma prática.


3261Q707690 | Português, Interpretação de Textos, Assistente Administrativo, JARU PREVI RO, IBADE, 2019

Texto associado.
                                                                                                                                                                        O DIMINUTIVO 
        O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente a usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida também porque a usamos para desarmar certas palavras que, na sua forma original, são ameaçadoras demais. 
        Operação, por exemplo. É uma palavra assustadora. Pior do que intervenção cirúrgica, porque promete uma intromissão muito mais radical nos intestinos. Uma operação certamente durará horas e os resultados são incertos. Suas chances de sobreviver a uma operação... sei não. Melhor se preparar para o pior. 
        Já uma operaçãozinha é uma mera formalidade. Anestesia local e duas aspirinas depois. Uma coisa tão banal que quase dispensa a presença do paciente. 
        No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente com relação à comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha. 
        - Mais um feijãozinho? 
        O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três missionários. Mas a dona da casa o trata como um mingau de todos os dias. 
        O diminutivo é também uma forma de disfarçar o nosso entusiasmo pelas grandes porções. E tem um efeito psicológico inegável. Você pode passar duas horas tomando cervejinha sem nenhum dos efeitos que sofreria depois de duas cervejas. 
        E agora, um docinho. 
        E surge um tacho de ambrosia que é um porta-aviões. 
                                                                                                                                                                                                    Luís Fernando Veríssimo
No período “O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo AFETUOSO e PRECAVIDO de usar a linguagem.”, as palavras destacadas podem ser substituídas, sem prejuízo do sentido, respectivamente, por:
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3262Q596635 | Português, Interpretação de Textos, UFRGS Vestibular 1 dia UFRGS, UFRGS, UFRGS, 2018

Texto associado.
No bloco superior abaixo, estão listados os títulos dos romances de Carolina Maria de Jesus e de Clarice Lispector; no inferior, trechos desses romances.
 Associe adequadamente o bloco inferior ao superior. 
1 - Quarto de despejo 
2 - A hora da estrela 
 
( ) Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos reclama. [...] Como me vingar? Ou melhor, como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente. 
 ( ) Achei um saco de fubá no lixo e trouxe para dar ao porco. Eu já estou tão habituada com as latas de lixo, que não sei passar por elas sem ver o que há dentro. [...] Ontem eu li aquela fábula da rã e a vaca. Tenho a impressão que sou rã. Queria crescer até ficar do tamanho da vaca.
 ( ) A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.
 ( ) “Una Furtiva Lacrima” fora a única coisa belíssima na sua vida. [...] Era a primeira vez que chorava, não sabia que tinha tanta água nos olhos. [...] Não chorava por causa da vida que levava: porque, não tendo conhecido outros modos de viver, aceitara que com ela era “assim”. Mas também creio que chorava porque, através da música, adivinhava talvez que havia outros modos de sentir. 
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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3263Q595356 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular USP, USP, FUVEST, 2017

Texto associado.
    Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos,
ajustamo-nos a ela. Ao interpretála, fazemos uso dos nossos
próprios objetivos e esforços, dotamola de um significado que
tem sua origem nos nossos própriosmodos de viver e de pensar.
Numa palavra, qualquer gênero de arte que, de fato, nos afete,
torna-se, deste modo, arte moderna.
    As obras de arte, porém, são como altitudes inacessíveis.
Não nos dirigimos a elas diretamente, mas contornamolas.
Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma nova
visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais recente é
mais eficiente do que um anterior. Cada aspecto surge na sua
altura própria, que não pode ser antecipada nem prolongada;
e, todavia, o seu significado não está perdido porque o
significado que uma obra assume para uma geração posterior
é o resultado de uma série completa de interpretações anteriores.
                                             Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado.
De acordo com o texto, a compreensão do significado de uma obra de arte pressupõe
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3264Q596384 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular UnB, UnB, CESPE CEBRASPE, 2018

Texto associado.
Durante décadas, as mulheres lutaram pelo direito ao voto.
No Reino Unido, essa luta foi a mais ferrenha entre todos os países
da Europa. No início do século XX, algumas mulheres chegaram a
transgredir leis para conquistar seu direito ao voto, e o aparato do
Estado respondia duramente, desfazendo manifestações a golpes e
pauladas e encarcerando manifestantes. Apesar disso, o movimento
continuou e, em 6 de fevereiro de 1918, foi aprovada uma lei que
concedia às mulheres com idade acima de trinta anos e com
determinado patrimônio o direito de participar de eleições. Somente
dez anos depois, o direito de voto das mulheres foi igualado ao dos
homens. A luta das mulheres inglesas pelo direito ao voto é
retratada no filme As sufragistas, de 2015.
Peter Hille A longa luta das sufragistas pelo direito de votar
In: DW Brasil, 6/2/2018 Internet: (com adaptações)
Considerando o fragmento de texto apresentado e os diversos
aspectos por ele suscitados, julgue os itens seguintes.
O primeiro período apresenta a ideia central do texto.
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3265Q670371 | Português, Interpretação de Textos, Analista do Legislativo Consultor Administrativo, Câmara de Montes Claros MG, COTEC, 2020

Texto associado.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder à questão que a ele se refere.
O EFEITO TERRA

   “Quando me encontrava preso, na cela de uma cadeia/Foi que vi pela primeira vez, as tais fotografias/ Em que apareces inteira, porém lá não estavas nua/E sim coberta de nuvens/ Terra, Terra…”. A Terra que Caetano Veloso cantou é a mesma que, em 1968, assombrou integrantes da Apollo 8, os primeiros homens a circundar a Lua.
   Nessa missão, o astronauta Frank Bormans apontou sua câmera para cá e a imagem, conhecida por “Terra nascente”, teve um efeito revelador: fomos à Lua, mas descobrimos a Terra. O contraste entre o cinza, desolador e inabitável do satélite, e o azul e o branco vívidos de nosso planeta, marcou uma geração. A foto revelou nossa beleza, e expos também a fragilidade de um lugar que sempre nos pareceu imenso mas que, quando visto de uma boa distância, não passa de um diminuto oásis de vida solto na imensidão.
   Anos depois, o escritor e filósofo americano Frank White, que vira as mesmas imagens de Bormans, cunhou um termo que ele acredita ser muito importante nos dias de hoje: overview effect (efeito Terra). Após conversar com os astronautas de várias missões, White concluiu que, ao visualizar a Terra de uma perspectiva panorâmica, uma mudança cognitiva – e definitiva – ocorre no observador.
   De um ponto de vista espacial, presencia-se uma série de díades (pares) que são ao mesmo tempo sim/não, micro/macro, porque, de longe, as fronteiras e barreiras não podem ser vistas. Vê-se um globo uniforme, mas, ao mesmo tempo, há o conhecimento de que ele é cheio de divisões e heterogeneidades. O efeito Terra dilui os maniqueísmos e a divisão da realidade em polos opostos, como sim/não ou bem/mau.
   A importância disso está em compreender que um mesmo objeto, seja um átomo, pessoa ou nosso planeta, pode ser visto como unidade e diversidade ao mesmo tempo – tudo depende da perspectiva escolhida. E, apesar de já sabermos disso intelectualmente, a grande transformação está em vivenciar essa simultaneidade.
   Nas nove missões que se seguiram à Apollo 8, muitas fotos da Terra foram tiradas. E apenas 24 astronautas estiveram suficientemente distantes – pouco mais de 40 mil quilômetros – para vê-la por inteiro.
   Entre os cosmonautas, há um passatempo semelhante: observar a Terra. “Tínhamos seis horas de descanso, a cada 24 horas, na Estação Espacial Internacional, para dormir. Mas sempre utilizava esse tempo para apreciar nosso planeta”, diz Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro. “Tirei mais de duas mil fotos nos seis dias em que passei na Estação”, completa.
   Outra foto que rodou o mundo, tirada por Carl Sagan em 1996 e feita a 3,7 bilhões de quilômetros de distância, mostrava um pálido ponto azul em um fundo escuro. “Nossa atitude, nossa importância concebida, nossa ilusão de estarmos em uma posição privilegiada no universo, são contestadas por esse ponto de luz”, disse Sagan ao revelar a imagem. Para ele, somos uma partícula solitária em uma imensidão negra. “Nessa imensurável negritude, nessa sombra infinita, não há qualquer gesto de ajuda de que algo virá nos salvar de nós mesmos”, refletiu.
   “Não há como alguém ir ao espaço e voltar o mesmo”, afirma Marcos Pontes, assim como concorda quando dizem que o efeito Terra torna as pessoas mais altruístas e engajadas em projetos ambientais e sociais. Ele acrescenta que essa mudança cognitiva “só pode ocorrer se estiver subordinada ao desenvolvimento intelectual e moral, pois, caso contrário, a importância de visualizar a Terra da perspectiva espacial se perderá por falta de conhecimento e educação”.
Assim, independentemente de sermos astronautas ou não, o efeito Terra é importante para redimensionar nosso ponto de vista. “Ao longo de nossa história, sempre fundamentamos a imagem de nós mesmos sob um olhar terreno”, escreveu o mitólogo Joseph Campbell no livro Para Viver os Mitos.
Assim como os templos budistas que são construídos no alto das montanhas, com paisagens no horizonte – experiência que estimula a expansão da visão e a diminuição do “eu” –, a imagem da Terra que flutua no espaço é um estímulo para enxergarmos além. E aprimorarmos nossa relação com o planeta. Segundo Campbell, o brutal relacionamento que temos com o planeta se deve, em grande parte, à carência de mitos contemporâneos. Eles nos ajudam a compreender ideias conhecidas e desconhecidas e tem papel primordial na orientação da vida, indicando valores individuais e coletivos. Campbell sugere que o próximo mito, “e o único que valerá a pena cogitar no futuro imediato”, é aquele que fala do planeta como um todo, que diminui a importância do indivíduo e amplia a do coletivo.
   Chris Hadfield, um dos astronautas mais populares dos últimos anos, com milhões de views na web, já sabia da importância da Terra como símbolo antes mesmo de se imaginar fora dela. “Todos nós que fomos ao espaço, só estamos lá por causa e para outros e, desde meus sonhos de garoto, tinha planejado divulgar ao máximo o que fazemos e tirar muitas fotos para mostrar como o mundo é incrível e que não deveríamos precisar ir ao espaço para contemplá-lo”, diz ele, que teve sua fama multiplicada por postar seu material nas redes sociais.
   “Tirava muitas fotos da Terra e, instantaneamente, com poucos minutos de diferença, compartilhava”, conta. Assim, uma aurora boreal, um furacão ou uma imensa tempestade de raios, vistos do espaço, puderam ser observados por milhares de pessoas. “Além de nos ajudar a ver o planeta um pouco melhor, acho que toda essa troca de informações, diretamente da Estação Espacial Internacional, nos ajuda a vermos nós mesmo um pouco melhor”, conclui.
   Apesar de tudo, o efeito Terra, como experiência que altera nossa perspectiva, fica um tanto distante dos que jamais verão esse planeta do espaço, porque mesmo com as mais avançadas tecnologias, fotos e filmes, ele perde potência como experiência. E torna-se um símbolo que não causa uma mudança imediata.
   O efeito Terra, inevitavelmente, se perde na distância entre nós e o pálido ponto azul. Mas as lições e experiências se perpetuam através das poucas pessoas que têm o privilégio de vê-la por completo. E que trazem consigo muitas descobertas capazes de ressignificar, também, a nossa relação com o planeta.
O autor do texto defende que
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3266Q668089 | Português, Interpretação de Textos, Agente Administrativo, Prefeitura de São Francisco MG, COTEC, 2020

Texto associado.
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
“Canela fica tão colada a Gramado que nem parece que você mudou de cidade. São apenas seis quilômetros seguindo pela bonita Avenida das Hortênsias, para ir do centro de uma cidade à outra. Canela é bem mais bucólica do que sua vizinha badalada, mas tem seu charme. A Catedral de Pedra, por exemplo, é uma das mais belas do país. Além disso, Canela guarda uma impressionante sequência de parques naturais com trilhas e cachoeiras, como a Cascata do Caracol, um símbolo da Serra Gaúcha.” Fonte: Revista Viaje Mais, dezembro de 2019, p. 34.
Entre as alternativas abaixo, marque aquela que, no texto, retoma a palavra “Gramado”.
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3267Q30138 | Português, Interpretação de Textos, Auxiliar Administrativo, Copergás PE, FCC

Texto associado.
O revolucionário projeto de viagem interestelar apoiado por Stephen Hawking para tentar “salvar a humanidade” 

   Um programa de pesquisa de US$ 100 milhões (cerca de R$ 350 milhões) para o desenvolvimento de “naves estelares” do tamanho de pequenos chips eletrônicos foi lançado pelo milionário Yuri Milner e apoiado pelo fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.
   A viagem interestelar tem sido um sonho para muitos, mas ainda enfrenta barreiras tecnológicas. Entretanto, o físico Stephen Hawking disse à BBC News que a fantasia pode ser realizada mais cedo do que se pensa. “Para que nossa espécie sobreviva, precisamos finalmente alcançar as estrelas”, disse. “Os astrônomos acreditam que haja uma chance razoável de termos um planeta parecido com a Terra orbitando estrelas no sistema Alfa Centauri. Mas saberemos mais nas próximas duas décadas por intermédio de dados dos nossos telescópios na Terra e no espaço.”
   O projeto apoiado pelo físico ambiciona produzir aeronaves do tamanho de um chip usado em equipamentos eletrônicos e lançar milhares dessas “mininaves” na órbita da Terra. Mas antes de projetar naves espaciais capazes de chegar a outras estrelas, há muitos problemas a serem superados. Uma prioridade é desenvolver câmeras, instrumentos e sensores em miniatura.
Stephen Hawking acredita que o que antes era um sonho distante pode e deve se tornar uma realidade dentro de três décadas. “Não é sábio manter todos os novos ovos em uma cesta frágil”, disse ele. “A vida na Terra enfrenta perigos astronômicos como asteroides e supernovas.”

(Adaptado de: GHOSH, Pallab. O revolucionário projeto de viagem interestelar apoiado por Stephen Hawking para tentar “salvar a humanidade”. Disponível em: www.bbc.com/portuguese/ noticias/2016/04/160412_interestelar_np
Ao afirmar “Não é sábio manter todos os novos ovos em uma cesta frágil” (4o parágrafo), Stephen Hawking reforça a tese
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3268Q212187 | Português, Interpretação de Textos, Fiscal, Prefeitura de Curitiba PR, NC UFPR, 2019

Considere o seguinte trecho:

 

Para ter um corpo magro e saudável não basta contar calorias. Os métodos de emagrecimento mais eficazes são aqueles __________ tanto a dieta quanto os exercícios fazem parte da rotina de quem pretende eliminar os quilos extras. A explicação __________ esse combo é mais vantajoso está no fato __________ ele promove uma melhora na saúde como um todo, não só na balança.

 

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas na ordem em que aparecem no texto.

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3269Q701920 | Português, Interpretação de Textos, Aspirante 2a Dia, Escola Naval, Marinha, 2019

Texto associado.
TEXTO
Leia o texto abaixo e responda à questão.
Felicidade clandestina
    Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda
éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança
devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
    Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um
cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás
escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
    Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós
que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na
minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
    Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía
“As reinações de Narizinho’’, de Monteiro Lobato.
    Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas
posses. Disse-me que eu passasse peia sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
    Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me
levavam e me traziam.
    No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar.
Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo.
Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu
modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes
seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à
porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse
no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração
batendo.
    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso.
Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se
quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde,
mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob
os meus olhos espantados.
    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar
estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa,
entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe
boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
    E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava
em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi
então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com
o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "peio tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa,
grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não
saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito.
Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
    Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas
maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o
livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A
felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em
mim. Eu era uma rainha delicada.
    Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
    Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
LISPECTOR, Clarice. O Primeiro Beijo. São Paulo: Ed. Ática, 1996
Leia o trecho abaixo.
“Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo." <3°§)
Que figura de linguagem foi utilizada no trecho transcrito?
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3270Q596985 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular UERJ, UERJ, UERJ, 2017

A QUESTÃO REFERE-SE AO CONTO “O ESPELHO”, do livro PRIMEIRAS ESTÓRIAS, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA. - Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. 
A fala inicial do conto anuncia que a história combina gêneros textuais distintos. Além da narrativa, o outro gênero que se realiza nesse conto é o da
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3271Q182273 | Português, Interpretação de Textos, Engenheiro Civil Agente Técnico Legislativo Especializado, AL SP, FCC

Texto associado.

Espaço e tempo modernos

Nota-se nos romances mais representativos do século XX uma modificação análoga à que sucedeu com a pintura moderna, modificação que parece ser essencial à estrutura do modernismo. À eliminação do espaço ou da ilusão do espaço, na pintura, parece corresponder, no romance, a da sucessão temporal. A cronologia e a continuidade temporal foram abaladas, "os relógios foram destruídos". O romance moderno nasceu no momento em que Proust, Joyce e Gide começam a desfazer a ordem cronológica, fundindo passado, presente e futuro, fazendo prevalecer o princípio da simultaneidade sobre o da sucessão temporal.
A visão de uma realidade mais profunda, mais real que a do senso comum, é assim incorporada à forma total da obra de arte. O homem já não vive "no tempo", ele passa a "ser tempo", ou seja, a carregar dentro de si a dimensão de um tempo que não apenas flui, mas que problematiza a si mesmo.


(Adaptado de Anatol Rosenfeld. Texto/contexto)

Formaram-se pelo processo de derivação sufixal as palavras

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3272Q847617 | Português, Interpretação de Textos, Prefeitura de Capanema PA Auditor Fiscal Municipal, CONSULPLAN, 2020

Pela emancipação masculina
   Uma pequena aglomeração na orla da Barra da Tijuca. Homens, em sua esmagadora maioria. O carro de som parado, o zunido do microfone enquanto passam o som, a faixa ligeiramente torta. É a primeira passeata masculinista do Brasil.
  João Marcelo é aquele cara ali, vestindo regata. Ele organizou o evento pelo WhatsApp. Tudo começou por causa de um controle remoto. Sempre que Miriam, sua esposa, botava o pé para fora de casa, o controle da TV desaparecia. E só quando ela voltava, o mistério era solucionado: estava na cara dele o tempo todo.
  Foi nesse meio-tempo, assistindo ao Rodrigo Hilbert a contragosto, que João Marcelo se deu conta da violência diária e silenciosa que ele sofria: a dependência do sexo feminino.
   Agora, João Marcelo quer que todos os homens sejam livres. E ele não está sozinho. Paulão é segurança particular e já perdeu dois empregos por causa de seu terno “abarrotado” (sic). Depois que a Sandra foi embora, ele parece um cosplay de Agostinho Carrara. Vocifera ao megafone em defesa de meninos inocentes que dependem dos caprichos de uma mãe, às vezes até de um pai - “porque homem oprime homem também!” - para se alimentar e fazer a própria higiene pessoal. É um projeto de dominação diabólico que visa domesticar os homens para sempre, desde pequenos.  
   Uma ciclista curiosa interpela os manifestantes. Lidiane quer saber que injustiças são essas que esses homens alegam estar sofrendo. O tom da moça causa revolta. O feminismo é a pauta da vez, ninguém fala das mazelas do homem, só se ele for gay. Ela claramente não conhece a angústia de sair de casa para comprar rúcula e voltar com um ramo de espinafre. Ou de abrir uma gaveta cheia de meias soltas e não conseguir formar um par. Paulão tira a camisa envergonhado, exibindo os cravos que se alastram em suas costas.
    Indiferente àquele tumulto em prol do empoderamento masculino, Lidiane pedala para longe, sob algumas vaias.
    Os cartazes começam a despontar na pequena multidão, estampando frases de efeito como: “minha próstata, minhas regras”, “a cada 11 minutos, um homem é obrigado a trocar um pneu no Brasil” e “paternidade é uma escolha, não uma obrigação”. A passeata segue pacificamente até ser interrompida por um apelo emocionado do organizador ao microfone: “Alguém viu minha carteira?”.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/manuelacantuaria/2019/09/pela-emancipacao-masculina.shtml. Acesso em: 10/09/2019. Manuela Cantuária.)
“Uma pequena aglomeração na orla da Barra da Tijuca. Homens, em sua esmagadora maioria. O carro de som parado, o zunido do microfone enquanto passam o som, a faixa ligeiramente torta. É a primeira passeata masculinista do Brasil.” (1º§) Podemos afirmar que, nesse trecho, predomina a tipologia textual:
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3273Q104965 | Inglês, Interpretação de Textos, Analista de Comércio Exterior, MDIC, ESAF

Texto associado.

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In paragraph 2, the author points out that struggling euro countries are

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3274Q201739 | Português, Interpretação de Textos, Escriturário, Banco do Brasil, CESPE CEBRASPE

Texto associado.
Texto III questões 16 e 171 Em 2001, o BB adotou medidas que conferem maiortransparência às decisões internas e às movimentações daempresa no mercado bancário. Os ajustes patrimoniais4 ocorridos em junho, o novo estatuto, aprovado pelaassembléia de acionistas em agosto, o aprimoramento doprocesso decisório e o aperfeiçoamento do modelo de7 negociação tornam muito mais ágeis as decisões e fortalecemo compromisso da empresa com a ética e a transparência.O lucro de R$ 1,082 bilhão no exercício, 11,1% maior que10 o obtido em 2000, confirma o acerto das medidasimplementadas pelo banco ao longo de 2001, garantindo aampliação dos negócios e o aumento da lucratividade.13 O BB encerrou o ano confirmando sua posição como o maiorbanco do país, com ativos totais de R$ 165,1 bilhões,R$ 61,4 bilhões de recursos administrados e R$ 40,2 bilhões16 em operações de crédito. Com mais de R$ 117 bilhõescaptados entre seus quase 14milhões de clientes, que têm àdisposição mais de 8 mil pontos de atendimento no Brasil19 e 31 no exterior, o BB encerrou o exercício mantendo sualiderança no sistema financeiro nacional e seu compromissocom a satisfação dos clientes e acionistas. Além disso,22 permaneceu como o banco com maior presença na Internetbrasileira, com quatro milhões de clientes cadastrados e maisde 18,4 milhões de transações realizadas, no mês de25 dezembro, no portal www.bb.com.br.Relatório do Banco do Brasil S.A. In: Correio Braziliense (com adaptações).Com base no texto III, julgue os itens seguintes.

O uso de agente inanimado e da terceira pessoa do singular, como em "O BB adotou" (L.1), é um recurso para que o texto se mantenha impessoal, distanciado e objetivo, de forma que as pessoas que tomaram as decisões não fiquem explícitas.

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3275Q703501 | Português, Interpretação de Textos, Advogado, SAAE de Itabira MG, Gestão de Concursos, 2019

Texto associado.

                                        Gravidez na adolescência 

                                                                                              Drauzio Varella 

Por um capricho da natureza feminina, a idade da primeira menstruação diminuiu progressivamente desde o início do século 20. 
Em 1900, as moças menstruavam pela primeira vez ao redor dos 17 anos. Hoje, nem bem completam 11 ou 12 anos e já menstruam. Ninguém sabe ao certo a razão desse fenômeno biológico; é provável que esteja ligado à melhor nutrição das crianças atuais. Até a geração de nossas avós, as mulheres casavam cedo, geralmente antes de entrar na fase reprodutiva. Mais tarde, menstruavam e vinham os filhos, um atrás do outro, até a menopausa. Viviam em sociedades com taxas altas de mortalidade infantil, nas quais dar à luz dez vezes era a estratégia reprodutiva mais sensata para criar cinco ou seis sobreviventes.
Na era da informática, ao contrário, o investimento na educação de uma ou duas crianças consome tanta energia, que os casais responsáveis planejam com extremo cuidado o tamanho de suas famílias. Nas camadas de nível educacional mais alto, as mulheres brasileiras seguem de perto a tendência internacional de completar os estudos, conseguir trabalho e independência financeira antes de pensar em filhos.Nas maternidades particulares, há muito não causam espanto as primigestas com mais de 40 anos.
Paradoxalmente, no entanto, ao lado dessa característica dos novos tempos, convivemos com o antigo problema da gravidez na adolescência, agravado agora pelo início mais precoce da fase fértil das mulheres. Enquanto as taxas gerais de fecundidade nas décadas de 1970 e 1980 caíram no país inteiro, o número de adolescentes de 15 a 19 anos grávidas aumentou 26%.
A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, realizada em 1996, mostrou que 14% das meninas dessa faixa etária já tinham pelo menos um filho e que as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior.
Entre as parturientes atendidas pela rede do SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações de abortos clandestinos. Quase 3 mil estavam na faixa dos 10 aos 14 anos.
Como não poderia deixar de ser, a situação é especialmente grave nas regiões mais pobres do país: no Norte e no Nordeste, de cada três partos, uma das mães tem de 10 a 19 anos. Mas, mesmo no Sul e no Sudeste, o número de parturientes nessa faixa etária é inaceitável: cerca de 25%.
Muitos especialistas em saúde pública calculam que os índices de mortalidade infantil poderiam diminuir significativamente, se houvesse prevenção da gravidez na adolescência, no Brasil.
Grande parte das crianças assim nascidas são filhas de homens que não assumem os deveres inerentes à paternidade. Impunes à lei, simplesmente abandonam os filhos aos cuidados da mãe despreparada, com a conivência silenciosa da sociedade machista e discriminatória em relação às mulheres.
O argumento de que esses homens são irresponsáveis por serem eles também muito jovens nem sempre é verdadeiro, dado o interesse que as adolescentes costumam despertar nos homens mais velhos.
Ficar grávida ainda criança é uma das consequências mais perversas da incompetência de nosso sistema educacional.Amenina pobre, sem instrução, que começa a vida com um bebê no colo, dificilmente conseguirá mudar seu destino de miséria e ignorância.
[...]
Parece que o Ministério da Saúde está decidido a dedicar mais atenção à prevenção da gravidez na adolescência. Entre as medidas adotadas estão a preparação de profissionais para atendimento, divulgação de material educativo, acesso a métodos anticoncepcionais e aos preservativos, além do estímulo à promoção de atividades culturais e esportivas.
Embora essas intervenções sejam fundamentais, a solução do problema não é tarefa exclusiva do governo. A menina que fica grávida aos 12 anos não o faz por decisão prévia, voluntária; engravida por falta de informação, desvantagem econômica ou armadilha da natureza. Se receber orientação adequada, saberá se defender, como demonstram os estudos publicados nessa área.
Ainda que não seja por solidariedade ou economia de recursos, pelo menos por prudência é preciso agir. Afinal, quantos marginais que nos tiram a tranquilidade nas cidades brasileiras descendem de meninas engravidadas em idade de brincar com boneca?
Disponível em: . Acesso em: 18 jan. 2019. 

Assinale a alternativa que apresenta o trecho em que o autor expressa seu ponto de vista a respeito do tema do texto. 
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3276Q596494 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular USP, USP, FUVEST, 2017

Texto associado.
    O rumor crescia, condensandose; o zunzum de todos os
dias acentuavase; já se não destacavam vozes dispersas, mas
um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a
fazer compras na venda; ensarilhavamse* discussões e
rezingas**; ouviamse gargalhadas e pragas; já se não falava,
gritavase. Sentiase naquela fermentação sanguínea, naquela
gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés
vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de
existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.
    Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham
como formigas; fazendo compras.
    Duas janelas do Miranda abriramse. Apareceu numa a
Isaura, que se dispunha a começar a limpeza da casa.
     Nhá Dunga! gritou ela para baixo, a sacudir um pano
de mesa; se você tem cuscuz de milho hoje, bata na porta,
ouviu?
                                                                 Aluísio Azevedo, O cortiço.
Uma característica do Naturalismo presente no texto é:
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3277Q49692 | Português, Interpretação de Textos, Assistente em Administração, UFRB, FUNRIO

A questão tomou   por base o seguinte texto, de Ana Paula de Oliveira e Claudia Lima de Albuquerque: 

                      UM PANORAMA DO RECÔNCAVO BAIANO: SOCIEDADE, ECONOMIA E CULTURA 

       A região conhecida como Recôncavo Baiano, localizada no estado da Bahia, mais precisamente ao entorno da Baía de  Todos os Santos, é um dos primeiros pedaços de terra pisados pelos portugueses, logo que aportaram em solo americano. Deu-se aí a origem de uma das mais ricas regiões do nosso país, tanto em relação à natureza, como culturalmente, a qual  comporta em seu território uma ampla mistura de povos, que aqui se uniram deixando suas marcas na cultura, na culinária e  na arquitetura, contribuindo para a complexidade e singularidade cultural existente. Relata este artigo um pouco da história,  economia e sociedade, dando ênfase à população local. 
        Apontar exatamente as cidades que compõem esse território não é uma tarefa fácil (...). Para tal, é preciso levar em conta diferentes classificações de Recôncavo, seja ela a do Território de    Identidades, que considera 33 cidades ou a do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que identifica 20 municípios ocupando uma área de 5.250,51 km² do estado da Bahia. Porém, levando em consideração que muitas cidades da região estabelecem entre si importantes relações e  formam uma complexa rede urbana, consideraremos neste estudo alguns dos 89 municípios baianos localizados na área que  circunda a Baía de Todos os Santos e que mantêm relações econômicas, políticas, culturais, sociais e identitárias,  alavancadas principalmente pelos meios e veículos de comunicação e de tecnologia. Segundo CORRÊA (1997, p. 93) 

         [...] a rede urbana constitui-se no conjunto de centros urbanos funcionalmente articulados entre si. É, portanto, um tipo particular de rede na qual os vértices ou nós são os diferentes núcleos de povoamento dotados de funções urbanas, e os caminhos ou ligações os diversos fluxos entre esses centros. 

        Nesses municípios estão localizadas cidades de grande importância na região, como é o caso de Santo Antônio de  Jesus, que se destaca economicamente devido ao forte comércio e à geração de serviços. Conta hoje com mais de duas mil  empresas, sem considerar o comércio informal. Cruz das Almas e Cachoeira também têm grande relevância, ambas passam por mudanças econômicas e de organização territorial devido às influências causadas pela instalação da Universidade Federal  do Recôncavo da Bahia (UFRB). 

 FONTE: http://www.narradoresdoreconcavo.com.br/index/reco... [adaptado]

“Porém, levando em consideração que muitas cidades da região estabelecem entre si importantes relações e formam uma complexa rede urbana, consideraremos neste estudo alguns dos 89 municípios baianos localizados na área que circunda a Baía de Todos os Santos e que mantêm relações econômicas, políticas, culturais, sociais e identitárias, alavancadas principalmente pelos meios e veículos de comunicação e de tecnologia.” 

Nesse período extraído do segundo parágrafo, há exatas quantas orações?
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3278Q595486 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular UnB, UnB, CESPE CEBRASPE, 2017

Texto associado.
Localizado na região Nordeste do Brasil, o Parque
Nacional da Serra da Capivara é um parque arqueológico inscrito
pela UNESCO na lista do Patrimônio Mundial. Um conjunto de
chapadas e vales abriga sítios arqueológicos com pinturas e
gravuras rupestres, além de outros vestígios do cotidiano pré-histórico.
Sobre um relevo acidentado, em uma região de clima
semiárido, períodos alternados de chuva e de seca promovem fortes
mudanças na paisagem. Em um momento, a vegetação é exuberante
e há uma surpreendente diversidade de flores de cores vivas. Em
outro, a vegetação seca e perde suas folhas. É quando as formações
rochosas se destacam sobre a vegetação desnudada.
Os registros rupestres, pintados ou gravados sobre as
paredes rochosas, são formas gráficas de comunicação utilizadas
pelos grupos pré-históricos que habitaram a região do parque. As
representações gráficas abordam uma grande variedade de formas,
cores e temas. Foram pintadas cenas de caça, sexo, guerra e de
diversos aspectos da vida cotidiana e do universo simbólico dos
seus autores. O estudo desses registros possibilita o reconhecimento
de temas recorrentes e a identificação de diferentes maneiras de
representá-los. Pode-se dizer, ainda, que são pistas da forma de vida
dessas populações.
Internet: <www.fumdham.org.br>.
Considerando o texto acima e os múltiplos aspectos por ele suscitados, julgue o item.
No texto, predominam o uso da função referencial da linguagem e o emprego da norma padrão do português.
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3279Q666662 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular ENEM, ENEM, INEP

Texto associado.
As narrativas indígenas se sustentam e se perpetuam por uma tradição de transmissão oral (sejam as histórias verdadeiras dos seus antepassados, dos fatos e guerras recentes ou antigos; sejam as histórias de ficção, como aquelas da onça e do macaco). De fato, as comunidades indígenas nas chamadas “terras baixas da América do Sul” (o que exclui as montanhas dos Andes, por exemplo) não desenvolveram sistemas de escrita como os que conhecemos, sejam alfabéticos (como a escrita do português), sejam ideogramáticos (como a escrita dos chineses) ou outros. Somente nas sociedades indígenas com estratificação social (ou seja, já divididas em classes), como foram os astecas e os maias, é que surgiu algum tipo de escrita. A história da escrita parece mesmo mostrar claramente isso: que ela surge e se desenvolve – em qualquer das formas – apenas em sociedades estratificadas (sumérios, egípcios, chineses, gregos, etc.). O fato é que os povos indígenas no Brasil, por exemplo, não empregavam um sistema de escrita, mas garantiram a conservação e continuidade dos conhecimentos acumulados, das histórias passadas e, também, das narrativas que sua tradição criou, através da transmissão oral. Todas as tecnologias indígenas se transmitiram e se desenvolveram assim. E não foram poucas: por exemplo, foram os índios que domesticaram plantas silvestres e, muitas vezes, venenosas, criando o milho, a mandioca (ou macaxeira), o amendoim, as morangas e muitas outras mais (e também as desenvolveram muito; por exemplo, somente do milho criaram cerca de 250 variedades diferentes em toda a América).
D’Angelis, W. R. Histórias dos índios lá em casa: narrativas indígenas e tradição oral popular no Brasil. Disponível em: www.portalkaingang.org. Acesso em: 5 dez. 2012.
A escrita e a oralidade, nas diversas culturas, cumprem diferentes objetivos. O fragmento aponta que, nas sociedades indígenas brasileiras, a oralidade possibilitou
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3280Q835403 | Português, Interpretação de Textos, Prefeitura de Irati PR Odontólogo, GS Assessoria e Concursos, 2021

Em: "para que seja alcançado o propósito dos signatários do acordo" - sublinhamos termo que tem o mesmo sentido semântico contextual, portanto, mantém o sentido frasal.
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