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Questões de Concursos Interpretação de Textos

Resolva questões de Interpretação de Textos comentadas com gabarito, online ou em PDF, revisando rapidamente e fixando o conteúdo de forma prática.


4241Q255316 | Português, Interpretação de Textos, Técnico Judiciário Área Administrativa, TRT 15a Região, FCC

Texto associado.

Hora de ter saudade

Houve aquele tempo...
(E agora, que a chuva chora,
Ouve aquele tempo!)

(ALMEIDA, Guilherme de. Poesia vária.
Cultrix: São Paulo, 3 ed., p.45)

A afirmativa correta, considerando-se o poema acima, é:

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4242Q692832 | Português, Interpretação de Textos, Programa de Aprendizagem de Assistente Administrativo, SABESP, FCC, 2019

Texto associado.
Para responder às questões de números 1 a 8, leia a notícia a seguir, publicada em 15 de março de 2019. 
Estudantes vão às ruas em protesto global contra mudança climática 
        Milhares de estudantes saíram às ruas nesta sexta-feira (15) para protestar por medidas efetivas no combate às mudanças climáticas. 
        O movimento “Fridays For Future” (Sextas-feiras pelo futuro) ganhou força com Greta Thunberg, que uma vez por semana falta às aulas, em Estocolmo, para se sentar em uma praça em frente ao Parlamento da Suécia e pedir medidas concretas contra o aquecimento global. Nesta sexta, não foi diferente. Greta protestou diante do Parlamento na capital do país, cercada por 30 manifestantes. Ao todo, nesta sexta, estão previstos 2 mil eventos em 123 países - no Brasil, 20 cidades têm protestos agendados. 
        “Não sou a origem do movimento. Já existia. Precisava apenas de uma faísca para acender. Vivemos uma crise existencial ignorada durante décadas. Se não agirmos agora, será muito tarde”, disse Thunberg. 
        Desde o ano passado, Greta já discursou em eventos internacionais como a COP24, a Conferência do Clima da ONU, em dezembro, e no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro. Nesta quinta (14), ela foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz por três políticos noruegueses por sua atuação na agenda ambiental. 
(Adaptado de: OLIVEIRA, Elida. Portal G1, 15.03.2019. Disponível em: https://g1.globo.com) 
Conforme o texto, o movimento “Fridays For Future” tem o propósito de 
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4243Q848769 | Português, Interpretação de Textos, Prefeitura de Gurinhém PB Professor Português, CPCON, 2020

No Brasil, os falares das cidades litorâneas, que foram criadas ao longo dos séculos XVI e XVII, como Salvador, Rio de Janeiro, Recife e Olinda, Fortaleza, São Luís, João Pessoa, entre outras, sempre tiveram mais prestígio que os falares das comunidades interioranas” (RICARDO-BORTONI, Stella Maris. Educação em Língua Materna: A Sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 34). Neste sentido, pode-se afirmar que:
I- As cidades brasileiras receberam um contingente muito grande de portugueses e desenvolveram falares mais próximos dos lusitanos. II- Os fatores históricos, políticos e econômicos são os que conferem prestígio a certos dialetos ou variedades regionais e, consequentemente, alimentam rejeição e preconceito em relação a outros. III- O preconceito linguístico não é imperante na sociedade brasileira, tendo em vista que as pessoas, em geral, têm algumas ideias bem estabelecidas acerca da língua.
É VERDADE o que se afirma apenas em:
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4244Q173703 | Português, Interpretação de Textos, Defensor Público, DPE GO, UFG

Texto 1


Diagnosticada a mazela, põe-se a querela a avocar o poliglotismo. A solvência, a nosso sentir, divorcia-se de qualquer iniciativa legiferante. Viceja na dialética meditabunda, ao inverso da almejada simplicidade teleológica, semiótica e sintática, a rabulegência tautológica, transfigurada em plurilinguismo ululante indecifrável. Na esteira trilhada, somam-se aberrantes neologismos insculpidos por arremedos do insigne Guimarães Rosa, espalmados com o latinismo vituperante. Afigura-se até mesmo ignominioso o emprego da liturgia instrumental, especialmente por ocasião de solenidades presenciais, hipótese em que a incompreensão reina. A oitiva dos litigantes e das vestigiais por eles arroladas acarreta intransponível óbice à efetiva saga da obtenção da verdade real. Ad argumentandum tantum, os pleitos inaugurados pela Justiça pública, preceituando a estocástica que as imputações e defesas se escudem de forma ininteligível, gestando obstáculo à hermenêutica. Portanto, o hercúleo despendimento de esforços para o desaforamento do “juridiquês” deve contemplar igualmente a magistratura, o ínclito Parquet, os doutos patronos das partes, os corpos discentes e docentes do magistério das ciências jurídicas. 

ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS BRASILEIROS. O judiciário ao
alcance de todos. 2ª ed. Brasília: AMB, 2007. p. 4.



Considerando o conteúdo do texto, a frase, “Diagnosticada a mazela, põe-se a querela a avocar o poliglotismo”, a palavra “poliglotismo” diz respeito à:
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4245Q686498 | Português, Interpretação de Textos, Soldado da Polícia Militar, Polícia Militar SP, VUNESP, 2019

       Mais ócio, por favor
      Quando o sociólogo italiano Domenico De Masi lançou o conceito de “ócio criativo”, em seu livro homônimo de 2000, foi alçado à condição de pensador revolucionário e à lista dos mais vendidos.
      O sucesso se deveu à explicação do espírito daquele tempo, ao apontar que tão essencial ao crescimento profissional quanto o estudo e o trabalho eram os momentos de desconexão com a labuta que abririam as portas para a criatividade e para “pensar fora da caixinha”. A intenção era alcançar uma fusão entre estudo, trabalho e lazer para aprimorar o conhecimento, vivenciar diferentes experiências e instigar a criatividade.
      Com o lançamento de “Uma Simples Revolução”, um best-seller, o sociólogo prega uma nova guinada no pensamento empresarial.
      Ao analisar as taxas de desemprego e de desocupação, para De Masi, a única saída é reduzir a carga de trabalho individual e abrir novas vagas. “Se as regras do jogo não mudarem, o desemprego – aberto ou oculto – está destinado a crescer em dimensão patológica”, escreve.
      O Brasil é um dos países que vivem essa realidade, com um desemprego de mais de 13 milhões de pessoas, segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mais de 5 milhões de pessoas procuram trabalho no país há um ano ou mais, o que representa quase 40% desse total.
      A lógica do mercado não ajuda a melhorar esses números. As empresas tentam reduzir suas folhas de pagamento, mesmo que isso signifique mais horas extras.
      Só que, de acordo com o sociólogo, quanto mais horas um indivíduo trabalha, mais ele contribui para a taxa de desocupação. “Na Alemanha, onde todos trabalham, em média, 1400 horas, o desemprego está em 3,8% e o emprego está em 79%. Já na Itália, onde um italiano trabalha em média 1800 horas, o desemprego está em 11% e o emprego está em 58%”, detalha.
      “Para eliminar o desemprego, o único remédio válido é reduzir as horas de trabalho, mantendo o salário e aumentando o número de vagas”, diz, em entrevista ao UOL.
(Lúcia Valentim Rodrigues, “Mais ócio, por favor”. https://noticias.uol.com.br. Adaptado)
As informações do texto, fundamentadas no pensamento de Domenico De Masi, evidenciam que
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4246Q677540 | Português, Interpretação de Textos, Juiz Leigo, TJ MG, AOCP, 2020

Texto associado.
            A origem da linguagem
Durante muito tempo a Filosofia preocupou-se
em definir a origem e as causas da linguagem. Uma
primeira divergência sobre o assunto surgiu na
Grécia: a linguagem é natural aos homens (existe
por natureza) ou é uma convenção social? Se a
linguagem for natural, as palavras possuem um
sentido próprio e necessário; se for convencional,
são decisões consensuais da sociedade e, nesse
caso, são arbitrárias, isto é, a sociedade poderia
ter escolhido outras palavras para designar as
coisas. Essa discussão levou, séculos mais
tarde, à seguinte conclusão: a linguagem como
capacidade de expressão dos seres humanos
é natural, isto é, os humanos nascem com
uma aparelhagem física, anatômica, nervosa e
cerebral que lhes permite expressarem-se pela
palavra; mas as línguas são convencionais, isto
é, surgem de condições históricas, geográficas,
econômicas e políticas determinadas, ou, em
outros termos, são fatos culturais. Uma vez
constituída uma língua, ela se torna uma estrutura
ou um sistema dotado de necessidade interna,
passando a funcionar como se fosse algo natural,
isto é, como algo que possui suas leis e princípios
próprios, independentes dos sujeitos falantes que
a empregam.
Perguntar pela origem da linguagem levou a quatro tipos de respostas:
1. a linguagem nasce por imitação, isto é, os humanos imitam, pela voz, os sons da Natureza (dos animais, dos rios, das cascatas e dos mares, do trovão e do vulcão, dos ventos, etc.). A origem da linguagem seria, portanto, a onomatopéia ou imitação dos sons animais e naturais;
2. a linguagem nasce por imitação dos gestos, isto é, nasce como uma espécie de pantomima ou encenação, na qual o gesto indica um sentido. Pouco a pouco, o gesto passou a ser acompanhado de sons e estes se tornaram gradualmente palavras, substituindo os gestos;
3. a linguagem nasce da necessidade: a fome, a sede, a necessidade de abrigar-se e proteger-se, a necessidade de reunir-se em grupo para defender-se das intempéries, dos animais e de outros homens mais fortes levaram à criação de palavras, formando um vocabulário elementar e rudimentar, que, gradativamente, tornou-se mais complexo e transformou-se numa língua;
4. a linguagem nasce das emoções, particularmente do grito (medo, surpresa ou alegria), do choro (dor, medo, compaixão) e do riso (prazer, bem-estar, felicidade). Citando
novamente Rousseau em seu Ensaio sobre a origem das línguas: “Não é a fome ou a sede, mas o amor ou o ódio, a piedade, a cólera, que aos primeiros homens lhes arrancaram as primeiras vozes... Eis por que as primeiras línguas foram cantantes e apaixonadas antes de serem simples e metódicas.”
        Assim, a linguagem, nascendo das paixões, foi
primeiro linguagem figurada e por isso surgiu como
poesia e canto, tornando-se prosa muito depois; e
as vogais nasceram antes das consoantes. Assim
como a pintura nasceu antes da escrita, assim
também os homens primeiro cantaram seus
sentimentos e só muito depois exprimiram seus
pensamentos.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ed. Ática 2000.
Considere o trecho “Uma primeira divergência sobre o assunto surgiu na Grécia: a linguagem é natural aos homens (existe por natureza) ou é uma convenção social?” e assinale a alternativa que o analisa corretamente.
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4247Q691403 | Português, Interpretação de Textos, Auditor, UFSC, UFSC, 2019

Texto 2

Pesquisadores explicam por que é tão difícil imitar os sons de outra língua 
Por Rennan A. Julio 
Cérebro adapta todo e qualquer som estranho para o seu idioma original.

Estudos tentam entender a origem do sotaque. Em busca de justificativas para a nossa dificuldade de reproduzir sons de línguas diferentes, pesquisadores fizeram testes com bebês e adolescentes de todo o mundo. 
Há mais de duas décadas, uma equipe da Universidade de Washington tenta entender como o cérebro humano compreende a linguagem humana. Para isso, analisou bebês do mundo inteiro durante esse período. 
Em um dos testes, a equipe fez com que, aos seis meses de idade, bebês japoneses e ingleses escutassem sons de ambas as culturas. Até então, as crianças conseguiam reproduzir os “barulhos” característicos às duas nações; só que quando atingiram os dez meses de idade, os mesmos bebês falharam na percepção de sons que não faziam parte de sua cultura. Os japoneses deixaram de reconhecer “r” e “l”, cuja distinção não existe no Japão, mas existe na língua inglesa. 
Realizado por outra equipe de pesquisadores, um segundo estudo sugere diferente: as pessoas não perdem tão abruptamente essa capacidade de aprender línguas, mas o processo acontece durante a puberdade. Depois de uma série de testes, esses cientistas perceberam uma forte relação entre o aprendizado de uma segunda língua e a época em que isso acontece.
Para o especialista Eric Bakovic, existe um movimento para processar esse tipo de informação: “Você aprende uma língua pegando sons e imitando seus pais. Depois, seu cérebro começa a fazer outras coisas, assumindo que já tinha aprendido todos os sons necessários para manter uma relação comunicativa com as pessoas ao seu redor”.
Essa biblioteca de sons nos permite fluência com a língua que falamos, mas quando tratamos de sons “externos” ficamos “surdos”, afirma o linguista da Universidade de San Diego.
“Quando você escuta um sotaque ou uma língua totalmente diferente, seu cérebro mapeia os sons diretamente para a língua que você fala”, conta Bakovic. Ao invés de pronunciar com precisão, as pessoas acabam juntando as partes “próximas” do que os seus cérebros sabem e reproduzindo dessa maneira.
Mas para Joel Goldes, especialista nessa área e atuante em Hollywood, isso pode ser treinado. “Nosso cérebro realmente nos bloqueia de ouvir o que estamos ouvindo. Até que alguém nos ensine a produzir novos sons, nós não os escutamos. É por isso que uma pessoa pode ficar 40 anos em um país diferente sem perder o sotaque”. 

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2014/10/pesquisadores-explicam-por-que-e-tao-dificil-imitar-o-sotaque-de-outralingua.html. [Adaptado]. Acesso em: 10 nov. 2018.

Qual gênero textual melhor representa o texto 2?
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4248Q848591 | Português, Interpretação de Textos, Médico ESF, CPCON, 2020

Com base no texto 4, responda à questão.

Texto 4: 


Copa do Mundo no Brasil: um espaço para a criação de neologismos 

Benilde Socreppa Schultz

Márcia Sipavicius Seide


RESUMO: O léxico de uma língua pode ser considerado como o retrato de uma sociedade em seus diversos níveis de manifestação, pois é através das unidades lexicais que são representadas as mais variadas situações sociais e culturais. A realização de um evento nas proporções da Copa do Mundo no Brasil é um espaço que se configura ideal para a criação de itens lexicais novos e lúdicos. Para Alves (2014), o aspecto lúdico na criação de neologismos está presente em todos os gêneros discursivos, como o humorístico, o literário, o publicitário e o jornalístico. Para este artigo, coletamos, durante o mês da realização da Copa do Mundo de 2014, os neologismos presentes em três revistas e jornais on-line: Globo Esporte, Revista Veja e Gazeta do Povo. A análise dos dados mostrou que esse grande evento deu vazão a uma explosão de novas palavras e novas significações para cuja identificação a utilização de informação lexicográfica como critério não foi suficiente, sendo recomendada a adoção de critérios adicionais para tornar a análise mais precisa.

PALAVRAS-CHAVE: Neologismos. Aspectos lúdicos. Copa do Mundo.


Fonte: Revista GTLex | Uberlândia | v.2 n.1 | jul./dez. 2016



Com relação à configuração textual, assinale a alternativa CORRETA.
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4249Q671446 | Português, Interpretação de Textos, Agente Administrativo, Prefeitura de São Francisco MG, COTEC, 2020

Texto associado.
INSTRUÇÃO: Leia este trecho de uma entrevista da revista VEJA com o escritor John Green, autor de A Culpa é das Estrelas, para responder à questão.
“A literatura, então, pode ajudar quem sofre com problemas mentais? A literatura pode nos fazer menos sozinhos, e talvez nos ajude a nos entendermos melhor. Mas não sou a pessoa certa para dizer se meus livros conseguem fazer isso.” Fonte: Revista VEJA, 08 nov. 2017, p.12.
Em relação à resposta do entrevistado, ele a conduz de forma
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4250Q186329 | Português, Interpretação de Textos, Agente da Fiscalização, TCE SP, FCC

Texto associado.

Pensando nas histórias populares

Se examinarmos as fábulas populares, verificaremos que
elas representam dois tipos de transformação social, sempre
com final feliz. Num primeiro tipo, existe um príncipe que, por alguma
circunstância, se vê reduzido a guardador de porcos ou
alguma outra condição miserável, para depois reconquistar sua
condição real. Num segundo caso, existe um jovem pastor que
não possuiu nada desde o nascimento e que, por virtude própria
ou graça do destino, consegue se casar com a princesa e
tornar-se rei.
Os mesmos esquemas valem para as protagonistas
femininas: a donzela nobre é vítima de uma madrasta (Branca
de Neve) ou de irmãs invejosas (Cinderela), até que um príncipe
se apaixone por ela e a conduza ao vértice da escala social. Ou
então uma camponesa pobre supera todas as desvantagens da
origem e realiza núpcias principescas.
Poderíamos pensar que as fábulas do segundo tipo são
as que exprimem mais diretamente o desejopopular de uma
reviravolta dos papéis sociais e dos destinos individuais, ao passo
que as do primeiro tipo deixam aparecer tal desejo de forma
mais atenuada, como restauração de uma hipotética ordem
precedente. Mas, pensando bem, os destinos extraordinários do
pastorzinho ou da camponesa representam apenas uma ilusão
miraculosa e consoladora, ao passo que os infortúnios do príncipe
ou da jovem nobre associam a imagem da pobreza com a
ideia de um direito subtraído, de uma justiça a ser reivindicada,
isto é, estabelecem no plano da fantasia um ponto que
será fundamental para toda tomada de consciência da época
moderna, da Revolução Francesa em diante.
No inconsciente coletivo, o príncipe disfarçado de pobre
é a prova de que cada pobre é, na realidade, um príncipe que
sofreu uma usurpação de poder e por isso deve reconquistar
seu reino. Quando cavaleiros caídos em desgraça triunfarem
sobre seus inimigos, hão de restaurar uma sociedade mais
justa, na qualserá reconhecida sua verdadeira identidade.

(Adaptado de Ítalo Calvino, Por que ler os clássicos)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em:

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4251Q117982 | Português, Interpretação de Textos, Analista de Sistemas, CODESP SP, FGV

Texto associado.

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Partindo da ideia de que o texto pode ser dividido em quatro partes, assinale a alternativa que apresente a delimitação correta de cada parte.

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4252Q113900 | Português, Interpretação de Textos, Analista de Informática, PRODESP, ZAMBINI

Texto associado.

CAPÍTULO XXVII / VIRGÍLIA?

Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Era isto Virgília, e era clara, muito clara, faceira, ignorante, pueril, cheia de uns ímpetos misteriosos; muita preguiça e alguma devoção, — devoção, ou talvez medo; creio que medo.
Aí tem o leitor, em poucas linhas, o retrato físico e moral da pessoa que devia influir mais tarde na minha vida; era aquilo com dezesseis anos. Tu que me lês, se ainda fores viva, quando estas páginas vierem à luz, — tu que me lês, Virgília amada, não reparas na diferença entre a linguagem de hoje e a que primeiro empreguei quando te vi? Crê que era tão sincero então como agora; a morte não me tornou rabugento, nem injusto.
— Mas, dirás tu, como é que podes assim discernir a verdade daquele tempo, e exprimi–la depois de tantos anos?
Ah! indiscreta! ah! ignorantona! Mas é isso mesmo que nos faz senhores da Terra, é esse poder de restaurar o passado, para tocar a instabilidade das nossas impressões e a vaidade dos nossos afetos. Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes. (MACHADO DE ASSIS, J. M. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Ediouro, s. d.)

Assinale a alternativa que contém uma afirmação que não está de acordo com o texto.

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4253Q104180 | Português, Interpretação de Textos, Analista Administrativo, MPOG, FUNRIO

Se é verdade que a coesão não constitui condição necessária nem suficiente para que um texto seja um texto, não é menos verdade, também, que o uso de elementos coesivos dá ao texto maior legibilidade, explicitando os tipos de relações estabelecidas entre os elementos linguísticos que o compõem. (Ingedore Koch, A Coesão Textual, 2002) A opção que mostra o uso coerente de elementos coesivos como forma de dar maior legibilidade ao trecho é

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4254Q666380 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular ENEM, ENEM, INEP

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Rede social pode prever desempenho profissional, diz pesquisa
Pense duas vezes antes de postar qualquer item em seu perfil nas redes sociais. O conselho, repetido à exaustão por consultores de carreira por aí, acaba de ganhar um status, digamos, mais científico. De acordo com resultados da pesquisa, uma rápida análise do perfil nas redes sociais pode prever o desempenho profissional do candidato a uma oportunidade de emprego. Para chegar a essa conclusão, uma equipe de pesquisadores da Northern Illinois University, University of Evansville e Auburn University pediu a um professor universitário e dois alunos para analisarem perfis de um grupo de universitários.
Após checar fotos, postagens, número de amigos e interesses por 10 minutos, o trio considerou itens como consciência, afabilidade, extroversão, estabilidade emocional e receptividade. Seis meses depois, as impressões do grupo foram comparadas com a análise de desempenho feita pelos chefes dos jovens que tiveram seus perfis analisados. Os pesquisadores encontraram uma forte correlação entre as características descritas a partir dos dados da rede e o comportamento dos universitários no ambiente de trabalho.
Disponível em: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 29 fev. 2012 (adaptado).
As redes sociais são espaços de comunicação e interação on-line que possibilitam o conhecimento de aspectos da privacidade de seus usuários.
Segundo o texto, no mundo do trabalho, esse conhecimento permite
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4255Q103967 | Português, Interpretação de Textos, Analista Tecnologia da Informação, IF SE, IF SE

Texto associado.

Texto 2 (ARGOLLO, Antônio Alvino. Cotidiano, 1992, p. 44)
Sonhos rasgados
O canto rimado
vive contido
sofrido e rompido
da boca da vida
O seu criador
das páginas doiradas
com a voz embargada
cala no peito
os frutos do amor.
E os sonhos premiram-se
na íris do tempo
que o livro pousou fatigado
na majestosa cadeira da vida.

Texto 3
A carta
Na voz de cara enrugada
o texto não dito chocou.
A expressão refletida
amarelou os moldes
dos fortes pilares.
Os sons coxos
em tons marcados
sumiram das bocas vazadas.
Na voz de cara enrugada
chocou o texto não dito.

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Comparando os textos 02 e 03, temos:

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4256Q849440 | Português, Interpretação de Textos, Assistente Social, EDUCA, 2020

Texto I

Adaptado

Governo de SP divulga dados sobre segurança da

vacina contra a Covid da Sinovac


O governo de São Paulo divulgou nesta segunda-feira (19) dados sobre a segurança da vacina contra a Covid desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e o Instituto Butantan. Ainda não são dados oficiais usados para futuro registro, mas a vacina da chinesa Sinovac, que está em teste coordenado pelo Instituto Butantan, tem demonstrado níveis de segurança classificados como excelentes na entrevista desta segunda. 

Seis mil dos nove mil voluntários ainda não receberam a segunda dose da vacina testada pelo Butantan, mas acompanhamento de saúde feito de rotina mostrou que menos de 20% deles tiveram dor de cabeça e quase não foram observados efeitos colaterais leves, como edema ou inchaço no local da aplicação. Só que segurança é apenas um dos obstáculos a serem vencidos.

O governo paulista, que antes falava em 15 de dezembro como o início da vacinação em profissionais de saúde, agora não estabelece mais prazo.

“As perspectivas, como eu disse, são relativamente otimistas, mas nós não podemos dar para você uma data precisa de quando isso vai acontecer. Esperamos que até o final desse ano essa vacina tenha o seu dossiê entregue na nossa Anvisa, e que a Anvisa possa proceder muito rapidamente a análise e o registro da vacina”, afirma Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.

E, para chegar lá, todas as vacinas precisam passar pela fase três de testes, uma fase que pode demorar mais que o esperado por dois motivos apresentados nesta segunda em São Paulo: dificuldade em encontrar voluntários, e em atingir, entre eles, um número suficiente de contaminados pelo coronavírus para avaliar a eficácia da vacina.

No caso da vacina da Sinovac do Butantan, são necessários mais quatro mil voluntários de 18 a 60 anos que trabalhem na área da saúde em contato com pacientes de Covid. Além disso, avaliações só são feitas quando 61 e depois 151 voluntários forem contaminados pelo coronavírus.

“Como o estudo é controlado por um organismo internacional, quer dizer, não tem nenhum brasileiro participando desse comitê, é esse comitê que avalia os dados que são remetidos diariamente para lá, e é esse comitê que abrirá o estudo quando atingirmos 61 casos”, afirma Dimas Covas.

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/10/19

Considerando o texto I, analise as afirmações a seguir e julgue os itens como VERDADEIRO (V) ou FALSO (F).

( ) Apresenta a finalidade de instruir e orientar o leitor.

( ) Apresenta informações sobre um fato específico, por meio de uma linguagem clara e concisa.

( ) Consiste em descrever objetiva e subjetivamente coisas, pessoas e situações.

( ) É um texto opinativo em que ideias são desenvolvidas mediante as estratégias argumentativas.

A sequência CORRETA é:

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4257Q698663 | Português, Interpretação de Textos, Auxiliar Legislativo, Câmara de Tatuí SP, VUNESP, 2019

Texto associado.
Texto 1
Filósofo da internet sugere pagar ou sair das redes sociais
Jaron Lanier não poupa críticas ao modelo de negócios baseado em publicidade, que sustenta a maior parte do que conhecemos por
internet hoje. Serviços gratuitos como Facebook, Google e WhatsApp, no fundo, cobram caro. Na visão de Lanier, manipulam, mudam
comportamentos e, muitas vezes, nos tornam babacas.
Em seu quinto livro, “Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes Sociais”, recém-lançado no Brasil, o cientista da computação e
precursor da realidade virtual encoraja as pessoas cuja vida financeira não depende das redes sociais a abandoná-las – ao menos por seis
meses –, para retomarem a “consciência de si próprias”.
Lanier afirma que, se cometeram muitos erros na internet, um deles era a ideia de que a única forma de inovar e manter o serviço livre era
com um modelo baseado em publicidade, o que nos levou a um contexto de vigilância universal. Ele defende um sistema em que as pessoas
possam ser pagas pelo que fazem on line e paguem pelo que gostam de fazer on line, o que tornaria a relação mais direta e honesta.
Lanier explica: “Quando você olhava para o anúncio da TV, ele não estava te olhando de volta. Na internet, é diferente: há mais
informação sendo tirada de você do que oferecida. Ferramentas em qualquer site captam como seu corpo se mexe, onde você está e tudo
sobre seus dispositivos. O que você vê é a menor parte do que acontece. Toda informação tirada de você é usada para mudar sua
experiência on line e criar uma sistemática que te prenda. Isso é chamado de engajamento. Chamo de vício. É quase como vício em jogo, há
busca por satisfação, e a punição é severa.”
Jaron Lanier recomenda ficar atento aos 10 argumentos para você deletar suas redes sociais:
1. Você está perdendo seu livre-arbítrio
2. Largar as redes sociais é a maneira mais certeira de resistir à insanidade dos nossos tempos
3. As redes sociais estão tornando você um babaca
4. As redes sociais minam a verdade
5. As redes sociais transformam o que você diz em algo sem sentido
6. As redes sociais destroem sua capacidade de empatia
7. As redes sociais deixam você infeliz
8. As redes sociais não querem que você tenha dignidade econômica
9. As redes sociais tornam a política impossível
10. As redes sociais odeiam sua alma
                                                                                                              (Folha de S. Paulo, 20.10.2019, Adaptado)
Texto 2
Malfadada tecnologia
Sob o comando de Lúcifer, a tela conseguiu hipnotizar multidões de mulheres, homens, crianças mantidos
on line. Antes, podíamos alegar não ter visto a mensagem enviada, por estarmos longe do computador. A
tela jogou por terra essa possibilidade. Não satisfeito, criou o WhatsApp. Cinco minutos depois de enviar um
email, o inimigo manda um WhatsApp para cobrar a resposta. Desafetos mais ansiosos executam as duas
operações simultaneamente.
                                                                                       (Drauzio Varella, Folha de S.Paulo. 28.10.2018. Adaptado)
Ao comparar os textos 1 e 2, é correto afirmar que o texto
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4258Q667184 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular ENEM, ENEM, INEP, 2018

Texto associado.
Quebranto
às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo e me dou porrada
às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço
[…]
às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno
começo
fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto em que me entrego.
às vezes!…
CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza, 2007 (fragmento).
Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico
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4259Q855097 | Português, Interpretação de Textos, Prefeitura de Capim PB Professor A, FACET Concursos, 2020

Declaração de amor em outdoor
(Carlos Drummond de Andrade)


       Gostei, sim, da ideia daquele publicitário de São Paulo, que concebeu e instalou na rua um outdoor de 24 metros quadrados, contendo uma declaração de amor à sua mulher. Todo mundo, ao passar por lá, ficou sabendo que Bob continua amando Cly, depois de dez anos de casados, e que não abre.
        Julgou-se a princípio que a declaração constituía peça de campanha publicitária, para lançamento de algum produto novo. Nada disso. Era anúncio, realmente, mas de produto antiquíssimo, que não se submete às leis do mercado, não é objeto de incentivos fiscais, não depende de instruções do BNDE, não tem títulos apregoados na Bolsa de Valores e, quer chova, troveja ou faça dia claro, está sempre à disposição de quem quer curti-lo: o amor.
    O namorado Bob quis fazer uma surpresa à sua mulher, no aniversário de casamento, e acabou surpreendendo toda a população que viu o outdoor ou dele tomou conhecimento pela televisão e pelos jornais. Como? Bob não está colocando nenhum barbeador novo, nenhum cigarro sem nicotina mas com sabor de céu, nenhum objeto absolutamente indispensável ao viver moderno da humanidade? Bob não é candidato a deputado? Não pretende vender alguma coisa a seus semelhantes, que se habituaram à conexão cartaz-comércio, e gasta aquele despropósito de espaço para fazer agradinho à sua excelentíssima?
    Então é porque o amor continua existindo de fato, e é gostoso não apenas senti-lo mas também proclamá-lo. Somos forçados a reconhecer que o amor entre duas pessoas continua existindo e até prosperando, pois alguém sentiu necessidade de exprimi-lo, de público, usando o veículo que atinja mais diretamente a direção dos passantes: o painel. Bob poderia ter gravado em cassete a sua expansão lírica e fazê-la ouvir de manhã, quando Cly acordasse; podia gravar uma plaquinha de ouro a título de broche, com a declaração inscrita, e colocá-la junto à xícara de Cly, na hora do café; podia exprimir o número único de um jornal que estampasse apenas juras e pipilos de amor, depositando-o à cabeceira de Cly ou encaminhando-o pelo correio; podia...
    Bob podia fazer mil coisas particulares, deliciosamente íntimas, para conhecimento e uso exclusivo de Cly. Se preferiu tornar público o seu sentimento, foi, em primeiro lugar, devido à sua formação profissional. Se fosse aviador, soltaria no ar uma fumaça com a frase declaratória; homem do mar, pintaria no costado da embarcação os dizeres amorosos; e assim por diante. Sendo publicitário, adotou o processo adequado à transmissão da mensagem: o outdoor.
    Em segundo lugar (ou em primeiro, passando o motivo acima para segundo?), porque sentiu que seu amor a Cly, sendo um caso típico e tradicional de um sentimento que vem desde o começo do mundo e que por isso mesmo corre perigo de parecer banal ou ultrapassado, quando não é mesmo negado por indivíduos que se dispõem a reformar a estrutura da vida, reduzindo-a a um feixe de obrigações e ambições, geradores de conflitos e guerras, em que o dinheiro e o poder assumem a liderança do mundo (puxa, mas este período está mais comprido do que a Belém-Brasília), sentindo isso, Bob achou de bom preceito opor a tantos sinais de desumanização o seu sinal de 24 metros quadrados de ternura. Ternura de homem por mulher, garantia de continuação da espécie, que aqui e ali busca autodestruir-se. Não é lindo?
    Amorosos de gosto mais refinado talvez achassem preferível que os dizeres do outdoor fossem outros. A gíria é efêmera e o amor que dura há dez anos já viu passar muitas e muitas expressões populares. Se, em vez de “Estou contigo e não abro”, o marido feliz copiasse um verso de amor de um dos grandes poetas da língua, ou o inventasse (pois amor põe engenho e arte em quem o sente), o outdoor se tornaria obra digna de tombamento pelo IPHAN, resistindo ao tempo como um dos monumentos do coração, que merecem ser preservados. Bob não pensou nisso, quis a mensagem direta aos transeuntes de hoje, na linguagem do dia. Ainda assim, fez uma bonita coisa. Prova de que o amor continua, em meio a toda sorte de absurdos, violências e marotices políticas e outras, e que nenhum índice de inflação, nenhum terremoto, nenhuma sinistra maquinação é capaz de cassá-lo em face da Terra.

Andrade, Carlos Drummond de. As palavras que ninguém diz / Carlos Drummond de Andrade; seleção Luzia de Maria. - 12ª Ed. - Rio de Janeiro: Record, 2008. 126 p. - (Mineiramente Drummond; Crônica)
A respeito da expressão inscrita no canal de comunicação, na ótica do narrador, é CORRETO afirmar o seguinte:
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4260Q145209 | Português, Interpretação de Textos, Analista Judiciário Enfermagem, TJ PA, FCC

Texto associado.

Liberdade minha, liberdade tua

Uma professora do meu tempo de ensino médio, a
propósito de qualquer ato de indisciplina ocorrido em suas
aulas, invocava a sabedoria da frase "A liberdade de um termina
onde começa a do outro". Servia-se dessa velha máxima para
nos lembrar limites de comportamento. Com o passar do tempo,
esqueci-me de muita coisa da História que ela nos ensinava,
mas jamais dessa frase, que naquela época me soava, ao
mesmo tempo, justa e antipática. Adolescentes não costumam
prezar limites, e a ideia de que a nossa (isto é, a minha...)
liberdade termina em algum lugar me parecia inaceitável. Mas
eu também me dava conta de que poderia invocar a mesma
frase para defender aguerridamente o meu espaço, quando
ameaçado pelo outro, e isso a tornava bastante justa... Por
vezes invocamos a universalidade de um princípio por razões
inteiramente egoístas.

Confesso que continuo achando a frase algo
perturbadora, provavelmente pelopressuposto que ela encerra:
o de que os espaços da liberdade individual estejam distribuídos
e demarcados de forma inteiramente justa. Para dizer sem
meias palavras: desconfio do postulado de que todos sejamos
igualmente livres, ou de que todos dispomos dos mesmos
meios para defender nossa liberdade. Ele parece traduzir muito
mais a aspiração de um ideal do que as efetivas práticas
sociais. O egoísmo do adolescente é um mal dessa idade ou,
no fundo, subsiste como um atributo de todas?
Acredito que uma das lutas mais ingentes da civilização
humana é a que se desenvolve, permanentemente,
contra os impulsos do egoísmo humano. A lei da sobrevivência
na selva - lei do instinto mais primitivo - tem voz forte e procura
resistir aos dispositivos sociais que buscam controlá-la.
Naquelas aulas de História, nossa professora, para controlar a
energia desbordante dos jovens alunos, demarcava seu espaço
de educadora e combatia a expansão do nosso território
anárquico.Estava ministrando-nos na prática, ao lembrar os
limites da liberdade, uma aula sobre o mais crucial desafio da
civilização.

(Valdeci Aguirra, inédito)

Considerando-se o sentido geral e conclusivo do texto, o título Liberdade minha, liberdade tua tem significação equivalente à da seguinte formulação:

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