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Questões de Concursos Morfologia

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2041Q1064825 | Português, Morfologia, Técnico em Enfermagem, Prefeitura de Pombal PB, CPCON, 2025

Texto associado.
Leia o Texto 3 para responder à questão.


TEXTO 3


O que mais você quer?

Por Martha Medeiros


Era uma festa familiar, dessas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia: “Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?”

Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. Acada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estreia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Fonte: MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008 Adaptado.
Analise as palavras “desatino” e “virgindades” presentes no texto. Sobre elas, é CORRETO afirmar que:
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2042Q1032077 | Português, Morfologia, Polícia Institucional, MPU, FGV, 2025

Texto associado.
Texto 1

Etnias e culturas do Brasil Diante de um mapa do Brasil as diversidades regionais, oriundas dos contrastes geográficos, são ainda enriquecidas pela variação da paisagem cultural. Torna-se possível, enfim, em face das variedades geográficas e culturais, fixar duas regiões bem definidas, uma em que ainda se mantém viva a predominância da base cultural lusitana, outra em que os traços culturais não lusitanos – os alemães, os italianos, os poloneses, os japoneses – vêm dando nova coloração à paisagem tanto física ou geográfica como social e cultural. (Manuel Diégues Jr.)
A frase em que a palavra “bem” se classifica, quanto ao significado, como em “Torna-se possível, enfim, em face das variedades geográficas e culturais, fixar duas regiões bem definidas...”, é:
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2043Q1057166 | Português, Morfologia, Primeiro Dia, EFOMM, Marinha, 2020

Texto associado.
Um caso de burro

Machado de Assis

Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve a importância; os gostos não são iguais.
Entre a grade do jardim da Praça Quinze de Novembro e o lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bondes, estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. Instantes depois, vimos (eu ia coin run amigo), vimos o burro levantar a cabeça e meio corpo. Os ossos furavam-lhe a pele, os olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz cabeceava, mais tão frouxamente, que parecia estar próximo do fim.
Diante do animal havia algum capím espalhado e uma lata com água. Logo, não foi abandonado inteiramente; alguma piedade houve no dono ou quern quer que seja que o deixou na praça, com essa última refeição à vista. Não foi pequena ação. Se o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta, receba daqui um aperto de mão. O burro não comeu do capim, nem bebeu da água; estava já para outros capins e outras águas, em campos mais largos e eternos, Meia dúzia de curiosos tinha parado ao pé do animal. Um deles, menino de dez anos, empunhava uma vara, e se não sentia o desejo de dar com ela na anca do burro para espertá-lo, então eu não sei conhecer meninos, porque ele não estava do lado do pescoço, mas justamente do lado da anca. Dígase a verdade; não o fez - ao menos enquanto ali estive, que foram poucos minutos, Esses poucos minutos, porém, valeram por uma hora ou duas. Se há justiça na Terra valerão por um século, tal foi a descoberta que me pareceu fazer, e aqui deixo recomendada aos estudiosos.
O que me pareceu, é que o burro fazia exame de consciência. Indiferente aos curiosos, como ao capim e à água, tinha 110 olhar a expressão dos meditativos. Era um trabalho interior e profundo. Este remoque popular por pensar morreu um burromostra que o fenômeno foi mal entendido dos que a princípio o viram; o pensamento não é a causa da morte, a morte é que o torna necessário. Quanto à matéria do pensamento, não há dúvidas que é o exame da consciência. Agora, qual foi o exame da consciência daquele burro, é o que presumo ter lido no escasso tempo que ali gastei. Sou outro Champollion, porventura maior; não decifrei palavras escritas,mas ideias íntimas de criatura que não podia exprimi-las verbalmente.
E diria o burro consigo:
"Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que mereça remorso. Não furtei, não menti, não matei, não caluniei, não ofendi nenhuma pessoa. Em toda a minha vida, se dei três coices, foi o mais, isso mesmo antes haver aprendido maneiras de cidade e de saber o destino do verdadeiro burro, que é apanhar e calar. Quando ao zurro, usei dele como linguagem. Ultimamente é que percebi que me não entendiam, e continuei a zurrar por ser costume velho, não com ideia de agravar ninguém. Nunca dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao bonde, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua, mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando autoridade."
"Passando à ordem mais elevada de ações, não acho em mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarado os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum golpe de estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia, democracia, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta os interesses da minha espécie. Qualquer que seja o regime, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima que é, ein resumo, o meu único defeito. Quando não teimava, mordia o freio dando assim um bonito exemplo de submissão e conf ormidade. Nunca perguntei por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês no tílburi ou o apito do bonde, para sair logo. Até aqui os males que não fiz; vejamos os bens que pratiquei."
''A mais de uma aventura amorosa terei servido, levando depressa o tílburi e o namorado à casa da namorada - ou simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia ao bonde podia mirar a moça que estava na janela. Não poucosdevedores terei conduzido para longe de um credor importuno. Ensinei filosofia a muita gente, esta filosofia que consiste na gravidade do porte e na quietação dos sentidos. Quando algum homem, desses que chamam patuscas, queria fazer rir os amigos, fui sempre em auxílio deles, deixando que me dessem tapas e punhadas na cara. Em fim...
Não percebi o resto, e fui andando, não menos alvoroçado que pesaroso. Contente da descoberta, não podia furtar-me à tristeza de ver que um burro tão bom pensador ia morrer. A consideração, porém, de que todos os burros devem ter os mesmos dotes principais, fez-me ver que os que ficavam não seriam menos exemplares do que esse. Por que se não investigará mais profundamente o moral do burro? Da abelha já se escreveu que é superior ao homem, e da formiga também, coletivamente falando, isto é, que as suas instituições políticas são superiores às nossas, mais racionais. Por que não sucederá o mesmo ao burro, que é maior?
Sexta-feira, passando pela Praça Quinze de Novembro, achei o animal já morto.
Dois meninos, parados, contemplavam o cadáver, espetáculo repugnante; mas a infância, corno a ciência, é curiosa sem asco. De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos deste inundo. Sem exagerar. o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite. Já é alguma coisa neste final de século. Requiescat in pace.
Assinale a opção em que a palavra sublinhada é um pronome pessoal.
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2044Q1031567 | Português, Morfologia, Professor de Língua Portuguesa, Prefeitura de Canaã dos Carajás PA, FGV, 2025

Assinale a opção que apresenta a frase em que o pronome demonstrativo foi adequadamente empregado.
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2045Q1045412 | Português, Morfologia, Supervisor Pedagógico, Prefeitura de Além Paraíba MG, Consulplan, 2024

Texto associado.

A rua, a fila, o acaso


Eu ia dando a minha voltinha num silêncio interior de paz. Está difícil flanar nas ruas de hoje. Muito barulho, carros voando ou atravancando a calçada, anda sobrecarregado o ar que respiramos. Mas há sempre o que ver, se levamos olhos desprevenidos, de simpatia. Me lembrei do tempo em que o pai de família saía depois do jantar pra fazer o quilo. A expressão tem a ver com o mistério da nossa usina interior.


Com o perdão da palavra, tem a ver com as nossas tripas. Hoje é o cooper, que traz um afã de competição. Cronometrado e exibido, tira o fôlego e impede a conversinha mole. É mais uma fábrica de ansiedade nesta época que fabrica estresse. Pois eu ia andando pra clarear as ideias, ou pra pensar em nada. Nessa hora de entrega e de inocência é que acontece a iluminação. A luzinha do entendimento acende onde quer.


Sem nenhum objetivo, ia eu bem satisfeitinho na minha disponibilidade. Aberto a qualquer convite, podia comprar um bombom, ou uma flor. Ou uma dessas canetinhas que acertam comigo e, bem ordinária, me traz um estremecimento de colegial. A gente sabe que o endereço da felicidade é no passado e é mentira. Mas é bom que exista, a felicidade. Nem que seja um momentinho só. Tão rico que dá pra ir vivendo. E se renova com qualquer surpresa boba. Encontrar por exemplo na banca uma revista fútil e dar com a foto daquela moça bonita. Olhar seus olhos e entendê-los, olhos adentro.


A vida é um mundo de possibilidades. Atração e repulsa, afinidades. Convergência e divergência. Nessa altura, as minhas pernas tinham me levado pro mundo da lua. Quando dei comigo de volta, estava espiando uma fila que coleava pela calçada. Curioso: etimologicamente, aposentado é quem se recolhe aos aposentos. De repente, os aposentados saíram da toca e estão na rua, pacientes em fila ou irados aos magotes.


Mas aquela fila não podia ser de aposentados. Tinha uma moça de short e pernas fortes de atleta. E muitos jovens. E vários boys. Um pequeno interesse, receber um dinheirinho, ou uma pequena obrigação, pagar uma conta, juntou na fila aquele pessoal todo. Misterioso caminho, esse, que aproxima as pessoas por um instante e depois as separa. Há de ver que ali estavam lado a lado duas almas que se procuram e, distraídas, disso não se deram conta. O acaso, o destino, quanta coisa passa por uma cabeça vadia! Ou por um frívolo coração.


(Otto Lara Resende. Folha de São Paulo. Publicada no livro Bom dia para nascer, Companhia da Letras, 2011.)

Considere as ocorrências do vocábulo “que” sublinhadas nas alternativas abaixo. É correto afirmar que, em todas, o vocábulo “que” é pronome relativo, EXCETO:
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2046Q1045669 | Português, Morfologia, Portador de Deficiência, Prefeitura de São Miguel Arcanjo SP, Avança SP, 2025

Texto associado.

Leia o texto a seguir para responder a questão.

A candura da chuva



E as chuvas voltaram. Elas, que nos tinham abandonado, para nos advertir de quanto precisamos delas. No jardim, o verde da folhagem resplandeceu. Uma goteira intermitente, caindo sobre uma folha grande (nunca sei os nomes das plantas), repete, em espaços certos, um som musical que me agrada. Foi por causa de gota assim, repetida, que Chopin criou o prelúdio da Gota d’água.


Para mim, em minha deliciosa clausura, o que a chuva tem de mais importante são os sons. Tantos e tão variados. Sobre as folhas, sobre a areia, sobre o cimento, sobre o balde de alumínio. Depois, escorrendo nas telhas. Quem mora engavetado num apartamento não sabe o que seja a chuva correndo, escorrendo, se esfregando nas telhas. É preciso morar em casas térreas.


Quando nós éramos meninos, as casas tinham uma outra telha de vidro, e a gente não só ouvia, como via a chuva deslizando, resvalando, tinindo no beiral da nossa casa já morta, lá longe, onde os bois mugiam suplicantes de madrugada. Lá longe, onde os carneiros, no entardecer, tinham olhos desavisados. Lá longe, onde os sapos assobiavam uma música dodecafônica. Lá longe, onde dormem, profundamente, os nossos mortos e a nossa puerícia. Quão enganosa e ligeira foi a infância!


Esta chuva, que está caindo desde ontem e continua caindo, agora me traz algumas esperanças que estavam a morrer. Não se detenham, amigos, em pensamentos pessimistas, nem chorem a dor que ainda não doeu. Somos homens e a palavra “homem” sinonimiza com força e liberdade. Eu sou livre, mesmo neste quarto de portas fechadas. Só o fato de eu querer continuar preso me cobre de todas as liberdades da vida. Meu corpo, grande e farto, coberto de liberdades. O espírito diáfano, com uma asa em cada omoplata, tem todo o céu do sonho para voar.


Faz-me bem esta chuva. Não quero dizer, com isto, que a poesia tenha voltado. Nem irei garantir que ela tenha havido um dia. Quero comunicar, a sei lá quem, que estou bem e queeste bem, que me vai por dentro e me veste o corpo, deve estar com alguns de vocês, que preferem a chuva ao êxito; a chuva ao poder; a chuva ao dinheiro; a chuva à sociedade; a chuva ao smoking. Tenho chuva e amor. Uma coisa e outra são prazeres que embevecem. As duas coisas se completam, em nós... e o homem aquiescente aceita a paz, afinal, como o único bem da terra.


Ah, não estou ligando para as notícias dos jornais. Não foi Deus quem as escreveu. Foram os homens. Estão todas truncadas, intrigadas, todas. Sou livre. A liberdade completa é não querer e não poder. Brindemos essa chuva, que me aumenta a capacidade de ir escrevendo essas verdades intatas, sem grande sentido aparente, sem nenhuma importância fundamental. O fundamental que fique a cargo dos poderosos. Não quero mais que a música reminiscente da chuva que está caindo e a mão do amor sobre minha fronte e meus cabelos.


MARIA, A. A candura da chuva. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 132-134.

Analise o seguinte excerto, considerando suas palavras enumeradas: “(1) longe(2), onde(3) dormem(4), profundamente(5), os(6) nossos(7) mortos(8) e(9) a(10) nossa(11) puerícia(12)”. A alternativa que apresenta a sequência de todos os advérbios presentes dentre as palavras do excerto dado é:
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2048Q971956 | Arquivologia, Morfologia, Administração, Petrobras, CESPE CEBRASPE, 2022

Texto associado.
Alguns linguistas acreditam que o Homo erectus, há mais ou menos 1 milhão e meio de anos, já tinha uma linguagem. Os argumentos que eles dão são que o Homo erectus tinha um cérebro relativamente grande e usava ferramentas de pedra primitivas, porém bastante padronizadas. Essa hipótese pode ser verdadeira, mas pode também estar bem longe do correto.

O uso de ferramentas certamente não requer linguagem. Chimpanzés usam galhos como ferramentas para caçar cupins, ou pedras para quebrar nozes. Obviamente, mesmo as ferramentas mais primitivas do Homo erectus (pedras lascadas) são muito mais sofisticadas que qualquer coisa usada por chimpanzés, mas ainda assim não há uma razão convincente para crer que essas pedras não pudessem ter sido produzidas sem linguagem.

O tamanho do cérebro é igualmente problemático como indicador da presença de linguagem, porque ninguém tem uma boa ideia de quanto cérebro exatamente é necessário para a linguagem. Além disso, a capacidade para a linguagem pode ter permanecido latente no cérebro por milhões de anos, sem ter sido de fato colocada em uso.


Guy Deutscher. O desenrolar da linguagem. Renato Basso e Guilherme Henrique May (Trad.). Campinas: Mercado de Letras, 2014, p. 28-29 (com adaptações).
A respeito das ideias, dos sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.

A correção gramatical do texto seria mantida caso o adjetivo “primitivas”, no trecho “ferramentas de pedra primitivas”, fosse flexionado no singular, embora o sentido original do trecho e as relações sintáticas nele estabelecidas fossem alterados: no original, o adjetivo qualifica o termo “ferramentas”; com o emprego do singular, o adjetivo qualificaria o termo “pedra”.
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2049Q1040335 | Português, Morfologia, Técnico Judiciário, TRE SC, MS CONCURSOS

Texto associado.
A"NÃO­ME­TOQUES" !

ArturAzevedo

I

Passavam­se os anos, eAntonieta ia ficandopara tia, ­ não que lhe faltassem candidatos,
mas ­ infeliz moça! ­ naquela capital de província não havia um homem, um só, que ela
considerassedignodeserseumarido.AoComendadorCostacomeçavamainquietarseriamenteas
exigências da filha, que repelira, já, comdesdenhososmuxoxos, uma boa dúzia de pretendentes
cobiçadospelasprincipaisdonzelasdacidade.Nenhumadestassecasoucomrapazquenãofosse
primeiramenteenjeitadopelaaltivaAntonieta.
­-Que diabo! dizia o comendador à suamulher,D.Guilhermina, ­ estou vendo que será
precisoencomendar­lheumpríncipe!
­- Ou então, acrescentava D. Guilhermina, esperar que algum estrangeiro ilustre, de
passagemnestacidade..
­-Estávocêbemaviada!Emquarentaanosqueaquiestou,sódoisestrangeiros ilustrescá
têmvindo:oAgassizeoHerman.
Entretanto, eram os pais os culpados daquele orgulho indomável. Suficientemente ricos
tinhamdadoà filhaumaeducaçãode fidalga,habituando­adesdepequenina aver imediatamente
satisfeitososseusmaiscustososeextravagantescaprichos.
Bonita,rica,elegante,vestindo­sepeloúltimofigurino,falandocorrentementeofrancêseo
inglês, tocandomuito bem o piano, cantando que nem uma prima­dona, tinhaAntonieta razões
sobejasparasejulgarumavisraranasociedadeemquevivia,enãoencontraremnenhumaclasse
homemquemerecesseahonrainsignedeacompanhá­laaoaltar.
UmagrandeviagemàEuropa,empreendidapelocomendadoremcompanhiadaesposaeda
filha, completara a obra. Ter estado em Paris constituía, naquela boa terra, um título de
superioridade.
Ao cabo de algum tempo, ninguém mais se atrevia a erguer os olhos para a filha do
ComendadorCosta,contraaqualseestabeleceupoucoapoucocertacorrentedeanimadversão.
Começaramtodosanotar­lhedefeitosparecidoscomosdasuvasdeLaFontaine,e,comoa
qualquerindivíduo,machooufêmea,queestivesseemtalouqualevidência,eradifícilescaparalia
umaalcunha,embreveAntonietasetornouconhecidapela"Não­me­toques".

II

Teria sido realmente amada?Não,mas apenas desejada, ­ tanto assim que todos os seus
namoradosseesqueceramdela...
Todos,menos omais discreto, omais humilde, o único talvez, que jamais se atrevera a
revelarosseussentimentos.
Chamava­se José Fernandes, e era o primeiro empregado da casa doComendadorCosta,
ondeentraraaosdezanosdeidade,nomesmo diaemquechegaradePortugal.
Por esse tempo veio aomundoAntonieta. Ele vira­a nascer, crescer, instruir­se, fazer­se
altivaebela.Quantasvezesatrouxeraaocolo,quantasvezesaacalentaranosbraçosouaembalara
noberço!E,algunsanosdepois,eraaindaelequemtodasasmanhãsa levavae todasastardesia
buscá­lanocolégio.
QuandoAntonietachegouaosquinzeanoseeleaosvinteecinco,"SeuJosé"(eraassimque
lhe chamavam) notouque a sua afeiçãopor aquelameninase transformava, tomandoum caráter
estranhoeindefinível;mascalou­se,ecomeçoudeentãopordianteaviverdoseusonhoedoseu
tormento. Mais tarde, todas as vezes que aparecia um novo pretendente à mão da moça, ele
assustava­se,tremia,tinhaacessosdeciúmes,quelhecausavamfebre,masopretendenteera,como
todososoutros,repelido,eeleexultavanasolidãoenosilênciodoseuplatonismo.
Materialmente,SeuJosésacrificara­sepeloseuamor.Eraele,comosecostumadizer(não
seicomquepropriedade)o"tombo"dacasacomercialdoComendadorCosta;entretanto,depoisde
tantosanosdededicaçãoeamizade,asuasituaçãoeraaindaadeumsimplesempregado;opatrão,
ingratoeegoísta,pagava­lheemconsideraçãoeelogiosoque lhedeviaem fortuna.Maisdeuma
vezapareceramaSeuJoséocasiõesdetrocaraqueleempregoporumasituaçãomaisvantajosa;ele,
porém,nãotinhaânimodedeixaracasaondeaoseuladoAntonietanasceraecrescera.

III

Umdia,tudomudouderepente.
Sem dar ouvidos a Seu José, que lhe aconselhava o contrário, o Comendador Costa
empenhouasuacasanumagrandeespeculação,cujosefeitosforamdesastrosos,e,paranãofechar
aporta,viu­seobrigadoafazerumaconcordatacomoscredores.Foiesteoprimeirogolpeatirado
pelodestinocontraaaltivezda"Não­me­toques".
Acasa iadenovose levantando,e jáestavaquase livredosseuscompromissosdehonra,
quando oComendadorCosta, adoecendo gravemente, faleceu,deixando a família numa situação
embaraçosa.
Um verdadeiro deus exmachina apareceu então na figura de Seu José que, reunindo as
suadas economias que ajuntara durante trinta anos, e associando­se aD.Guilhermina, fundou a
firmaViúvaCosta&Fernandes,esalvoudeumaruínaiminenteacasadoseufinadopatrão.

IV

Oestabelecimentoprosperavaaolhosvistoseeraapontadocomoumaprovaeloqüentede
quanto podem a inteligência, a boa fé e a força de vontade, quando o falecimento da viúvaD.
Guilherminaveiocolocara filhanumasituaçãodifícil...Sozinha,sempainemmãe,nemamigos,
aostrintaedoisanosdeidade,semprebelaearroganteemquepesasseatodososseusdissabores,
aonde iria a "Não­me­toques"?Antonieta foi a primeira a pensar queo seu casamento com José
Fernandeseraumatoqueascircunstânciasimpunham...[...]
Começou então uma nova existência para Antonieta, que, não obstante aproximar­se da
medonhacasadosquarenta,erasempreformosa,comoseuportederainhaeoseucoloopulento,
de uma brandura de cisne. As suas salas, profundamente iluminadas, abriam­se quase todas as
noitesparagrandesepequenasrecepções:eram festassobrefestas.Agora já lhenãochamavama
"Não­me­toques"; ela tornara­se acessível, amável, insinuante, com um sorriso sempre novo e
espontâneo para cada visita.Fizeram­lhe a corte, e ela, outrora impassível diante dos galanteios,
escutava­os agora com prazer. Um galã, mais atrevido que os outros, aproveitou o momento
psicológicoeconseguiuumaentrevista­Esseprimeiroamantefoiprontamentesubstituído.Seguiu­
seoutro,maisoutro,seguiram­semuitos...

VII

EquandoSeuJosé,desesperado,fezsaltarosmioloscomumabala,deixouestafraseescritanum
pedaçodepapel:
"Enquanto foi solteira, achavaminhamulher que nenhum homem era digno de ser seumarido;
depoisdecasada(porconveniência)achouquetodoseleseramdignosdeserseusamantes.Mato­
me”.

Cor reiodaManhã, 12deoutubrode1902.
http://www.dominiopublico.gov.br /download/texto/bi000050.pdf


Na oração final do texto: “Mato­me”, a colocação pronominal está:
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2050Q1058262 | Português, Morfologia, Oficial Bombeiro Militar, CBM BA, UNEB, 2025

Texto associado.
Tempo da ansiedade


Olhou para o celular três vezes, no intervalo de dois minutos. Sentiu uma pontada na têmpora, prenúncio de enxaqueca. Será que ninguém vai responder? Ou não receberam, deixe checar se aparece o sinal de que a mensagem foi entregue... foi sim, para todos. O que pode estar acontecendo? Acho que não foi uma boa ideia disparar os convites por WhatsApp montando uma lista, para que todos recebessem ao mesmo tempo, alguma coisa deu errado, não é comum demorarem tanto para responder.


Dois minutos − esse é o tempo médio que, hoje em dia, se espera pela resposta quando enviamos uma mensagem, seja esse retorno um texto, um áudio ou mesmo um emoji de agradecimento ou de entusiasmo.


Isso me faz refletir sobre o grau de ansiedade que o avanço da tecnologia, das redes sociais e da comunicação digital nos impôs. Acredito que pouquíssimas pessoas no Brasil não façam uso de um desses recursos, e que não esteja com o celular sempre à mão para não perder a oportunidade de trocar mensagens. E não me refiro somente a conversas de cunho pessoal − marcar a revisão do carro, contratar um serviço para casa, receber resultado de exames de laboratório, fazer compras, tudo isso passa, de alguma maneira, pela comunicação digital.


Sem dúvida alguma a revolução digital nos trouxe o benefício de uma grande economia de tempo. Tudo pode ser resolvido com dois cliques, mas fica aqui a pergunta para reflexão: a que custo? Será que não estamos amplificando essa ansiedade do imediato para tudo o que fazemos? Será que não estamos perdendo a capacidade de paciência, de contemplação, de recolhimento e de, simplesmente, administrar a vida de acordo com o nosso próprio tempo interno?


Ana Helena Reis - Texto Adaptado


https://www.pinceldecronica.blog/post/tempo-da-ansiedade
Com base no trecho "Sem dúvida alguma a revolução digital nos trouxe o benefício de uma grande economia de tempo", analise o uso dos advérbios e identifique a alternativa que apresenta correta classificação e interpretação das circunstâncias expressas pelos advérbios destacados no período.
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2051Q977886 | Português, Morfologia, Professor de Educação Básica I, SME de João Pessoa PB, IDECAN, 2025

Texto associado.
O SANTO GRAAL DE QUEM SE BASTA

Nunca fui ao cinema só comigo. Isso me leva à elaboração de uma teoria: as pessoas mais bem resolvidas são aquelas que se bastam. Essas criaturas independentes viajam sozinhas para qualquer destino, longe ou perto, sem ninguém para compartilhar as impressões sobre os lugares visitados. Não esperam companhia para assistir a um filme nem para experimentar algo novo no menu do restaurante — o preferido ou o recém-inaugurado.

Confesso certa inveja desses seres felizes, livres por natureza, capazes de se reinventar quantas vezes desejarem. Eles apenas se permitem, não precisam caminhar de braço dado, não pedem licença para viver. Falam o que pensam, fazem o que decidem, exercem os seus direitos de escolha com total convicção. Admiro esse modo de existir, eu, que, na ausência de interlocutores, faço comentários em voz alta. E rotineiramente me salvo de tais circunstâncias ao recorrer à escrita, em que anoto as minhas conversas internas sem temer causar estranheza, caso me ouçam.

Ocorre-me agora uma outra característica dessa gente singular: não se importar com a opinião alheia. E, ao contrário do que você possa imaginar, são personalidades fraternas, solidárias, amigos maravilhosos, solícitos, gentis. Preocupam-se com quem convivem, são empáticos com os desconhecidos. Espero que haja muitos deles espalhados pelo mundo e que, ao longo da leitura desta crônica, a descrição tenha correspondido à realidade de maneira a arrancar um “tenho uma colega assim” ou “esse é exatamente o meu irmão”.

Talvez no futuro venhamos a descobrir o segredo tão bem guardado por eles, tesouro mais valioso do que o Santo Graal, fonte da juventude eterna. Talvez um dia sejamos todos nós imunes à solidão.

Marília Lovatel, OP+. Colunistas. Publicado 18:00 | 29 de Mar de 2025.
“Talvez no futuro venhamos a descobrir o segredo tão bem guardado por eles”
Somente a forma verbal em destaque, transposta para a segunda pessoa do plural do pretérito-mais-que-perfeito do indicativo, está corretamente estruturada em
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2052Q1046758 | Português, Morfologia, Segundo Dia, COLÉGIO NAVAL, Marinha, 2019

Texto associado.

Redes sociais: o reino encantado da intimidade de faz de conta


Recebi, por e-mail, um convite para um evento literário. Aceitei, e logo a moça que me convidou pediu meu número de Whatsapp para agilizar algumas informações. No dia seguinte, nossa formalidade havia evoluído para emojis de coraçãozinho. No terceiro dia, eia iniciou a mensagem com um "bom dia, amiga". Quando eu fizer aniversário, acho que vou convidá-la pra festa.

Postei no Instagram a foto de um cartaz de cinema, e uma leitora deixou um comentário no Direct. Disse que vem passando por um drama parecido como do filme; algo tão pessoal, que ela só quis contar para mim, em quem confia 100%. Como não chamá-la para a próxima ceia de Natal aqui em casa? Fotos de recém-nascidos me são enviadas por mulheres que eu nem sabia que estavam grávidas. Mando condolências pela morte do avô de alguém que mal cumprimento quando encontro num bar. Acompanho a dieta alimentar de estranhos. Fico sabendo que o amigo de uma conhecida troca, todos os dias, as fraldas de sua mãe velhinha, mas que não faria isso pelo pai, que sempre foi seco e frio com ele - e me comovo; sinto como se estivesse sentada a seu lado no sofá, enxugando suas lágrimas.

Mas não estou sentada a seu lado no sofá e nem mesmo sei quem ele é; apenas li um comentário deixado numa postagem do Facebook, entre outras milhares de postagens diárias que não são pra mim, mas que estão ao alcance dos meus olhos. É o reino encantado das confidências instantâneas e das distâncias suprimidas: nunca fomos tão íntimos de todos.

Pena que esse mundo fofo é de faz de conta, intimidade, pra valer, exige paciência e convivência, tudo o que, infelizmente, tornou-se sinônimo de perda de tempo. Mais vale a aproximação ilusória: as pessoas amam você, mesmo sem conhecê-la de verdade. É como disse, certa vez, o ator Daniel Dantas em entrevista à Marilia Gabriela: "Eu gostaria de ser a pessoa que meu cachorro pensa que eu sou".

Genial. Um cachorro começa a seguir você na rua e, se você der atenção e o levar pra casa, ganha um amigo na hora. O cachorro vai achá-lo o máximo, pois a única coisa que ele quer é pertencer. Ele não está nem aí para suas fraquezas, para suas esquisitices, para a pessoa que você realmente é: basta que você o adote.

A comparação é meio forçada, mas tem alguma relação com o que acontece nas redes. Farejamos uns aos outros, ofertamos um like e, de imediato, ganhamos um amigo que não sabe nada de profundo sobre nós, e provavelmente nunca saberá. A diferença - a favor do cachorro - é que este está realmente por perto, todos os dias, e é sensível aos nossos estados de ânimo, tornando-se íntimo a seu modo. Já alguns seres humanos seguem outros seres humanos sem que jamais venham a pertencer à vida um do outro, inaugurando uma nova intimidade: a que não existe de modo nenhum.

Martha Medeiros <https://www, revistaversar.com. br/redes-sociais-inttmÍdade/> - (com adaptações)

Assinale a opção na qual a colocação do pronome em destaque NÃO obedece à modalidade padrão.
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2053Q1030375 | Português, Morfologia, Professor de Arte, SEEC RN, FGV, 2025

Entre as frases abaixo, há uma em que foi mal colocado um adjetivo sublinhado, que não é aconselhável ser anteposto ao substantivo; assinale essa frase.
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2054Q1060841 | Português, Morfologia, Bloco Temático 8 Intermediário Saúde, CNU, FGV, 2025

Texto associado.

Texto 1

Mudanças climáticas podem ampliar o risco da Doença de Chagas na Amazônia (trecho adaptado)


Leandro Schlemmer Brasil, Divino Vicente Silvério, Filipe França, José Orlando de Almeida Silva, Leandro Juen, Leonardo Viana de Melo, Thiago Bernardi Vieira e Walter Souza Santos


As mudanças climáticas estão alterando silenciosamente o cenário da saúde pública na Amazônia. As frequentes secas, enchentes, desmatamentos e demais problemas ambientais podem levar ao surgimento de novas doenças ou ao avanço de doenças já controladas.


Um caso emblemático é o da Doença de Chagas, que mesmo com os avanços recentes nos estudos sobre sua biologia e controle de transmissão, pode representar novamente um desafio para nosso sistema de saúde em virtude das alterações que estão sendo realizadas nas paisagens.


Um estudo publicado recentemente na revista Medical and Veterinary Entomology [...] deixa um alerta claro: o aquecimento global pode facilitar a expansão dos barbeiros, vetores da Doença de Chagas, para novas áreas da floresta.


A doença de Chagas

A doença, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é transmitida principalmente por insetos conhecidos como barbeiros. A Doença de Chagas (DC) existe há milhões de anos como uma doença em animais silvestres, que passou a ser transmitida ao homem, de forma acidental, a partir da invasão dos ambientes silvestres por populações humanas.


Projeções preocupantes

Nosso estudo analisou mais de 11 mil registros de ocorrência de 55 espécies de barbeiros. Utilizamos uma técnica chamada modelagem de nicho ecológico, que cruza dados biológicos e ambientais, para prever como esses vetores podem se deslocar até 2080 sob diferentes cenários climáticos. Os resultados indicam uma tendência preocupante: os barbeiros devem expandir sua distribuição na Amazônia, especialmente em áreas já vulneráveis. Esse movimento pode surpreender os sistemas de saúde despreparados, afetando populações que já enfrentam desigualdades e condições precárias de moradia.


Uma questão de saúde climática

Um dos principais dados gerados pelo estudo é o mapeamento das áreas da Amazônia que podem ter aumento na presença de barbeiros vetores da Doença de Chagas até 2080, especialmente sob cenários de mudanças climáticas intensas. [...]

Esses dados permitem direcionar ações preventivas, como o fortalecimento da vigilância entomológica, campanhas educativas em comunidades vulneráveis e melhorias nas condições habitacionais, antes que a transmissão da doença se intensifique nessas regiões. Trata-se de uma ferramenta estratégica para antecipar riscos e evitar surtos futuros. [...]

A próxima Conferência do Clima da ONU (COP 30), marcada para ocorrer em Belém, traz uma oportunidade histórica. Precisamos colocar a saúde climática no centro das discussões. A crise ambiental também é uma crise de saúde e justiça social. E a ciência tem muito a contribuir com soluções baseadas em dados e equidade.



(Fonte: The Conversation. Disponível em: https://theconversation.com/mudancasclimaticas-podem-ampliar-o-risco-da-doenca-de-chagas-naamazonia-259641)

“Um caso emblemático é o da Doença de Chagas, que [...] pode representar novamente um desafio para nosso sistema de saúde em virtude das alterações que estão sendo realizadas nas paisagens.” (Texto 1, 2º parágrafo)
A única reescritura do trecho sublinhado na qual se verifica erro gramatical associado ao uso do pronome relativo é:
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2056Q1057005 | Português, Morfologia, Oficial Médico, Comando do 2 Distrito Naval, Marinha, 2020

Texto associado.

"[ ... ] O fascínio que a linguagem sempre exerceu sobre o homem vem desse poder que permite não só nomear/criar/transformar o universo real, mas também possibilita trocar experiências, falar sobre o que existiu, poderá vir a existir e até mesmo imaginar o que não precisa nem pode existir. A linguagem verbal é, então, a matéria do pensamento e o veículo da comunicação social. Assim como não há sociedade sem linguagem, não há sociedade sem comunicação. Tudo o que se produz como linguagem ocorre em sociedade, para ser comunicado e, como tal, constitui uma realidade material que se relaciona com o que lhe é exterior, com o que existe independentemente da linguagem. Como realidade material - organização de sons, palavras, frases - alinguagem é relativamente autônoma; como expressão de emoções, ideias, propósitos, no entanto, ela é orientada pela visão de mundo, pelas injunções da realidade social histórica e cultural de seu falante. [ ... ]" '

(Margarida Petter)

Fonte: FIORIN, José Luiz. Introdução à Linguística. São Paulo: Contexto, 2012.

No período composto "Assim como não há sociedade sem linguagem, não há sociedade sem comunicação.", o verbo haver está no presente do indicativo. Considere sua reescritura a seguir, bem como a substituição do tempo verbal pelo pretérito perfeito do indicativo e assinale, então, a opção que completa as lacunas corretamente.

"Assim como nunca ____ sociedades sem linguagem, nunca ___ sociedades sem comunicação."

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2058Q1090302 | Português, Morfologia, Terapeuta Ocupacional, Prefeitura de São Miguel do Oeste SC, AMEOSC, 2025

Texto associado.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Professores gastam mais de 20% da aula para manter a ordem dos alunos em sala, mostra estudo

Tempo gasto pelos docentes brasileiros é acima da média dos países da OCDE, que é de 15%


O tempo dos docentes brasileiros está acima da média dos países da OCDE, em que os professores disseram gastar 15% do tempo de aula para manter a ordem dos alunos.

Segundo o relatório, entre 2018 e 2024, a parcela do tempo de aula dedicada à manutenção da ordem aumentou 2 pontos percentuais — a média da OCDE também aumentou 2 pontos percentuais.

Ainda de acordo com o estudo, 44% dos docentes brasileiros afirmam perder bastante tempo porque os alunos interrompem as aulas. O número também é acima da média da OCDE, que é de 18%. A mesma proporção de brasileiros diz também perder muito tempo esperando os alunos ficarem quietos (a média da OCDE é de 15%).

Comportamento na sala de aula

No estudo, a percepção dos professores sobre a disciplina em sala de aula é medida pela frequência relatada de quatro situações:

"Perco muito tempo porque os alunos interrompem a aula";

"Tenho que esperar muito tempo para que os alunos se acalmem";

"Há muito barulho e desordem disruptivos";

"Muitos alunos só começam a trabalhar muito tempo depois do início da aula".

Conforme a pesquisa, cerca de um em cada cinco professores afirmam sofrer com ruído e desordem significativos em suas salas de aula, em média.

No Brasil, mais de 50% dos professores relataram os desafios. No Chile, Finlândia, Portugal e África do Sul, esse percentual fica em cerca de 33%.

Já na Albânia, Japão e Xangai, por outro lado, menos de 5% dos professores apontam essas questões disciplinares.

Professores iniciantes

A pesquisa também mostra que os professores em começo de carreira relatam mais interrupções em sala de aula do que os seus colegas mais experientes em quase todos os sistemas educacionais.

No Canadá, Áustria, Chile, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Itália e Espanha, por exemplo, mais de 40% dos professores iniciantes afirmam "ruído perturbador frequente". Já em Portugal e no Brasil, esses percentuais aumentam para 59% e 66%, respectivamente.

Entre os professores experientes, essas taxas são mais baixas, abaixo de um terço em todos os sistemas educacionais, exceto em Portugal (33%) e no Brasil (53%).

O estudo foi realizado em 2024 e entrevistou cerca de 280 mil professores e diretores escolares em 17 mil escolas de ensino fundamental II em 55 sistemas educacionais. O Talis tem como objetivo auxiliar na elaboração de estratégias para melhorar a qualidade do ensino e os ambientes de aprendizagem.


https://www.terra.com.br/noticias/educacao/professores-gastam-mais-d e-20-da-aula-para-manter-a-ordem-dos-alunos-em-sala-mostra-estudo, ea20b81839e46ed5ad3f54c718b3bcdaz697ywnm.html?utm_source=cli pboard
"O tempo dos docentes brasileiros está acima da média dos países da OCDE, em que os professores disseram gastar 15% do tempo de aula para manter a ordem dos alunos."

Identifique a alternativa que apresenta corretamente a justificativa para a colocação pronominal, caso a expressão 'a ordem dos alunos' for substituída por um pronome oblíquo átono.
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2059Q1057551 | Português, Morfologia, Administração, EsFCEx, VUNESP, 2022

Texto associado.
Estamos sempre em contato com nossos sentimentos, mas a parte complicada é que nossas emoções e nossos sentimentos não são a mesma coisa. Tendemos a confundi-los, mas sentimentos são estados subjetivos internos que, falando em sentido estrito, são conhecidos apenas por aqueles que os possuem. Conheço meus sentimentos, mas não conheço os seus, exceto pelo que você me conta sobre eles. Nós nos comunicamos sobre nossos sentimentos pela linguagem. Emoções, por outro lado, são estados corporais e mentais − a raiva, o medo, a afeição, bem como a busca de vantagens − que movem o comportamento. Desencadeadas por certos estímulos e acompanhadas de mudanças comportamentais, as emoções são detectáveis externamente na expressão facial, na cor da pele, no timbre da voz, nos gestos, no odor e assim por diante. Somente quando a pessoa que experimenta essas mudanças toma consciência delas é que elas se tornam sentimentos, que são experiências conscientes. Mostramos nossas emoções, mas falamos sobre nossos sentimentos.

(Frans de Waal, O último abraço da matriarca:
as emoções dos animais e o que elas revelam sobre nós.)
Assinale a alternativa em que os trechos − Conheço meus sentimentos... – e – ...que movem o comportamento. – foram reescritos de acordo com a norma-padrão de colocação pronominal.
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2060Q1036566 | Português, Morfologia, Gestão Contábil, Banestes, Instituto Access, 2024

A dengue faz parte de um grupo de doenças denominadas arboviroses, que se caracterizam por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes. No Brasil, o vetor da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti (significa “odioso do Egito). O vírus dengue (DENV) está classificado cientificamente na família Flaviviridae e no gênero Flavivirus. Até o momento são conhecidos quatro sorotipos – DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 –, que apresentam distintos materiais genéticos (genótipos) e linhagens As evidências apontam que o mosquito tenha vindo nos navios que partiam da África com escravos. No Brasil, a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em 1981-1982, em Boa Vista (RR), causada pelos sorotipos 1 e 4. Após quatro anos, em 1986, ocorreram epidemias atingindo o estado do Rio de Janeiro e algumas capitais da região Nordeste. Desde então, a dengue vem ocorrendo de forma continuada (endêmica), intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas à introdução de novos sorotipos em áreas indenes (sem transmissão) e/ou alteração do sorotipo predominante, acompanhando a expansão do mosquito vetor. Aspectos como a urbanização, o crescimento desordenado da população, o saneamento básico deficitário e os fatores climáticos mantêm as condições favoráveis para a presença do vetor, com reflexos na dinâmica de transmissão desses arbovírus. A dengue possui padrão sazonal, com aumento do número de casos e o risco para epidemias, principalmente entre os meses de outubro de um ano a maio do ano seguinte.
(Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dengue.)

A respeito do período acima, analise as afirmativas a seguir:

I. Nas linhas 1 e 2 “A dengue faz parte de um grupo de doenças denominadas arboviroses, que se caracterizam por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes.” O pronome relativo QUE retoma uma oração subordinada adjetiva restritiva.
II. Por ser um pronome relativo invariável, a substituição do que, na linha 5, por “as quais”, torna-a equivocada.
III. Tanto o QUE na linha 1, quanto o que da linha 5 podem ser classificados da mesma forma.

Assinale
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