Leia o seguinte texto para responder às questões 02 e 03.
De fato, os jovens têm motivos para se sentirem inseguros. Começam a vida profi ssional assombrados pelos altos índices de desemprego. Quase a metade dos desempregados nos grandes centros no Brasil é jovem. Além da falta de experiência, há o despreparo mesmo. Grande parte tem baixa escolaridade. O mercado de trabalho ajuda a perpetuar a desigualdade. Muitos jovens deixam de estudar para trabalhar. Mas a disputa é acirrada também entre os mais bem-preparados. A grande oferta de mão-de-obra resulta em um processo cruel de avaliação, com testes de conhecimentos e de raciocínio lógico, redação, dinâmicas de grupo, entrevistas. E não é só. O jovem deve demonstrar habilidades que muitas vezes nem teve tempo de saber se possui ou de descobrir como adquiri-las. Como o conhecimento hoje fica obsoleto muito rápido, a qualifi cação e o potencial comportamental é que defi nem um bom candidato, e não só o preparo técnico.
(Adaptado de ISTOÉ 5/10/2005)
Assinale a opção incorreta a respeito do emprego das estruturas lingüísticas do texto.
Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.
Se formos propor uma hermenêutica acerca do tema, talvez possamos afirmar que existem dois tipos de listas: as necessárias e as inúteis. Em muitos casos, dialeticamente, as necessárias tornam-se inúteis e as inúteis, necessárias. Tomemos dois exemplos. Todo mês, enumero as coisas que faltam na despensa de minha casa antes de me dirigir ao supermercado; essa lista arrolo na categoria das necessárias. Por outro lado, há pessoas que anotam suas metas para o ano que se inicia: começar a fazer ginástica, parar de fumar, cortar em definitivo o açúcar, ser mais solidário, menos intolerante... Essa elenco na categoria das inúteis.
Feitas as compras, a lista do supermercado, necessária, torna-se então inútil. A lista contendo nossos desejos de sermos melhores para nós mesmos e para os outros, embora inútil, pois dificilmente a cumprimos, converte-se em necessária, porque estabelece um vínculo com o futuro, e nos projetar é uma forma de vencer a morte.
Tudo isso para justificar o que se segue. Ninguém me perguntou, mas resolvi organizar uma lista dos melhores romances que li em minha vida — escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras. Enquadro-a na categoria das listas inúteis, mas, quem sabe, se consultada, municie discussões, já que toda escolha é subjetiva e aleatória, ou, na melhor das hipóteses, suscite curiosidade a respeito de um título ou de um autor. Ocorresse isso, me daria por satisfeito.
Luiz Ruffato. Meus romances preferidos.
Internet: <brasil.elpais.com> (com adaptações).
No trecho “como somos competitivos” (primeiro parágrafo do texto 1A1-I), a conjunção “como” expressa o mesmo que
A primeira imagem de um buraco negro está circulando pelo mundo já faz uma semana. Esse feito só foi possível a partir de uma combinação de sinais capturados por oito radiotelescópios e montada com a ajuda de um "telescópio virtual" criado por algoritmos. Mais de 200 cientistas de diferentes nacionalidades, que participaram do avanço científico, fazem parte do projeto Event Horizont Telescope (EHT).
Entre eles, está o nome da brasileira Lia Medeiros, de 28 anos, que se mudou na infância para os Estados Unidos, onde acaba de defender sua tese de doutorado (conhecida lá fora como PhD) pela Universidade do Arizona. Filha de um professor de Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), afirmou, em entrevista ao G1, que cresceu perto de pesquisas científicas. Ela também precisou usar inglês e português nos vários lugares em que morou e, por isso, viu na matemática uma linguagem que não mudava.
Especializada em testar as teorias da física nas condições extremas do espaço, Lia encontrou no EHT o projeto ideal para o seu trabalho. Ela atuou tanto na equipe que realizou as simulações teóricas quanto em um dos quatro times do grupo de imagens. Os pesquisadores usaram diferentes algoritmos para ter os pedaços da imagem do buraco negro captados pelos sinais dos radiotelescópios e preencher os espaços vazios para completar a "fotografia".
O feito de Lia recebeu destaque no site da Universidade do Arizona, que listou o trabalho no projeto de mais de 20 estudantes da instituição, começando pela brasileira. Segundo a pesquisadora, embora os resultados do projeto EHT tenham sido obtidos graças ao trabalho de mais de tantas pessoas, o foco que as mulheres participantes do projeto receberam é positivo para mudar o estereótipo de quem pode e deve ser cientista.
Como você se envolveu com ciência e, mais especificamente, com a astronomia?
Meu pai é professor universitário e cresci perto da pesquisa científica. Decidi que queria fazer um PhD desde cedo, mesmo antes de saber o que queria estudar. Mudei muito durante a minha vida e troquei de línguas entre português e inglês três vezes até os 10 anos. Quando era criança, percebi que, mesmo que a leitura e a escrita fossem completamente diferentes em países diferentes, a matemática era sempre a mesma. Ela parecia ser uma verdade mais profunda, como se fosse de alguma forma mais universal que as outras matérias. Mergulhei na matemática e amei.
No ensino médio, estudei física, cálculo e astronomia ao mesmo tempo e, finalmente, entendi o real significado da matemática. Fiquei maravilhada e atônita que nós, seres humanos, conseguimos criar uma linguagem, a matemática, que não é só capaz de descrever o universo, mas pode inclusive ser usada para fazer previsões.
Fiquei especialmente maravilhada pelos buracos negros e a teoria da relatividade geral. Decidi então que queria entender os buracos negros, que precisava entender os buracos negros. Lembro que perguntei a um professor qual curso eu precisava estudar na faculdade para trabalhar com buracos negros. Ele disse que provavelmente daria certo com física ou astronomia. Então eu fiz as duas.
E como você se envolveu com o projeto do EHT?
Meus interesses de pesquisa estão focados no uso de objetos e fenômenos astronômicos para testar os fundamentos das teorias da física. Eu vejo a astronomia como um laboratório onde podemos testar teorias nos cenários mais extremos que você possa imaginar. O EHT era o projeto perfeito para isso, porque as observações dele sondam a física gravitacional no regime dos campos de força em maneiras que ainda não tinham sido feitas antes. (...)
Tenho dedicado uma porcentagem significativa do meu tempo, durante meus estudos, em tentar expandir a representação das mulheres na ciência, especificamente focando em dar às meninas jovens exemplos positivos nos modelos femininos na STEM [sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática]. Por exemplo, frequentemente visito escolas de ensino médio e outros locais para dar palestras públicas.
Na minha opinião, reconhecer que muitas mulheres estão envolvidas nesse resultado pode ser muito benéfico para mudar o estereótipo de quem pode e deve ser cientista. É importante que garotas e jovens mulheres saibam que essa é uma opção para elas, e que não estarão sozinhas se optarem por uma carreira científica.
https://gazetaweb.globo.com/
No trecho (§ 2 da entrevista) “...a matemática, QUE não é só capaz de DESCREVER o universo, MAS pode inclusive ser usada para fazer PREVISÕES.”, considerando-se as palavras destacadas, pode-se afirmar que:
I. QUE é um pronome relativo com função predicativa.
II. a conjunção, MAS, nesse caso, possui valor semântico de adição.
III. DESCREVER é um verbo transitivo direto.
IV. INCLUSIVE pertence à classe gramatical dos advérbios.
V. a palavra CIDADÃO faz o seu plural como a forma PREVISÕES.
Garantir aos nossos filhos a sustentabilidade do meio ambiente é a maior herança que poderíamos deixar aos nossos filhos; assim como livrar os nossos filhos da dura realidade da fome e da miséria que ainda afligem algumas populações.
Substituem-se corretamente os termos em negrito por pronomes em:
✂️ a) Garanti-las aos nossos filhos é a maior herança que poderíamos lhe deixar; assim como livrar-los da dura realidade da fome e da miséria que ainda lhes afligem.
✂️ b) Garantir-lhes aos nossos filhos é a maior herança que poderíamos deixar-lhes; assim como livrar-lhes da dura realidade da fome e da miséria que ainda afligem-nas.
✂️ c) Garanti-la aos nossos filhos é a maior herança que poderíamos deixar-lhes; assim como livrá-los da dura realidade da fome e da miséria que ainda as afligem.
✂️ d) Garantir-lhes aos nossos filhos é a maior herança que poderíamos lhes deixar; assim como lhes livrar da dura realidade da fome e da miséria que ainda as afligem.
✂️ e) Garanti-la aos nossos filhos é a maior herança que poderíamos lhe deixar; assim como os livrar da dura realidade da fome e da miséria que ainda afligem-lhes.
Dentre as sentenças abaixo, aquela em que a forma alternativa de colocação do pronome oblíquo (apresentada em negrito) está de acordo com o registro culto e formal da língua é
✂️ a) Antes do Kindle, qualquer um podia pegar um livro e lê-lo. - e o ler.
✂️ b) Hoje se consegue com a leitura muito mais do que conhecimento. - Hoje consegue-se.
✂️ c) Acredito que não se precisa de nada para ler, apenas um par de óculos. - não precisa-se.
✂️ d) Se eu ganhasse um livro eletrônico, nunca iria folheá-lo. - nunca iria o folhear.
✂️ e) Muito se tem falado sobre os livros eletrônicos. - Muito tem falado-se.
Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. –
Mas sei que nós não aparecemos.
Quantas vezes me tenho debruçado
Sobre o poço que me suponho
E balido “Ah!” para ouvir um eco,
E não tenho ouvido mais que o visto –
O vago alvor escuro com que a água resplandece
Lá na inutilidade do fundo…
Nenhum eco para mim…
Só vagamente uma cara,
Que deve ser a minha, por não poder ser de outro.
E uma coisa quase invisível,
Exceto como luminosamente vejo
Lá no fundo…
No silêncio e na luz falsa do fundo…
(Fernando Pessoa. Poemas de Álvaro de Campos. São Paulo, Saraiva, 2013, p. 156)
Assinale a alternativa correta no que se refere à linguagem empregada no poema.
✂️ a) Em “Nós invocamo-nos as nós mesmos” (verso 2), verifica-se uma construção pleonástica, que enfatiza o emprego reflexivo do verbo invocar.
✂️ b) Em “me tenho debruçado” (verso 6), o verbo debruçar está conjugado de tal modo a expressar uma ação pontual, ocorrida uma única vez no passado.
✂️ c) A expressão “poço que me suponho” (verso 7) refere-se a um espaço geográfico bem definido e que representa todo o território português.
✂️ d) A expressão “vago alvor escuro” (verso 10) refere-se ao reflexo que se visualiza com marcante nitidez na água no fundo do poço.
✂️ e) Em “Que deve ser a minha, por não poder ser de outro.” (verso 14), o vocábulo por imprime sentido de finalidade à relação que estabelece entre as orações.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto:
A companhia aérea achou a bagagem e mandou ___ para o hotel. Quando os candidatos começam a fazer promessas, ninguém ___ tolera. Os estadistas, em razão do prestígio que ___ vota a população, são incapazes de atos corruptos. A cliente pedia ao funcionário do mercado que ___ devolvesse a nota do caixa.
É famosa – ou não tão famosa, pois não me lembro do autor – a história da mulher que se queixava de um dia particu- larmente agitado nas redondezas da sua casa e do que o movi- mento constante de cavaleiros e carroças fizera à sua roupa es- tendida para secar, sem saber que estava falando da batalha de Waterloo*, que mudaria a história da Europa. Contam que fa- mílias inteiras da sociedade de Washington pegaram suas ces- tas para piquenique e foram, de carruagem, assistir à primeira batalha da Guerra Civil americana, em Richmond, e não tiveram baixas. A Primeira Grande Guerra, ou a primeira guerra moder- na, mutilou uma geração inteira, mas uma geração de homens em uniforme de combate. Mulheres e crianças foram poupadas. Só 5 por cento das mortes na Primeira Guerra foram de civis. Na Segunda Guerra Mundial, a proporção foi de 65 por cento. Os estragos colaterais da Segunda Guerra se deveram ao crescimento simultâneo de duas técnicas mortais, a do bom- bardeio aéreo e a da guerra psicológica. Bombardear popula- ções civis foi adotado como uma “legítima” tática militar, para atingir o moral do inimigo. Os alemães é que começaram, com seus ataques aéreos sobre Londres, que tinha importância simbólica como coração da Inglaterra, mas nenhuma importân- cia estratégica. Mas ingleses e americanos também se dedi- caram com entusiasmo ao bombardeio indiscriminado, como o que provocou a tempestade de fogo que arrasou a cidade de Dresden**, por nenhuma razão defensável salvo a do terror. E os “estragos colaterais” chegaram à sua apoteose tétrica, claro, em Hiroshima e Nagasaki***.
* Batalha de Waterloo = Histórica batalha em 1815, entre as forças britânicas e as de Napoleão Bonaparte, da qual os franceses saíram derrotados.
** Dresden = Cidade da Alemanha, capital do estado da Saxônia.
*** Hiroshima e Nagasaki = Cidades japonesas dizimadas por bombas atômicas em1945.
(Luis Fernando Veríssimo. O mundo é bárbaro. Rio de Ja- neiro: Objetiva, 2008, p. 123-124)
NÃO admite transposição para a voz passiva a seguinte construção:
Um pobre corvo, quase morto de sede, avistou de repente um jarro de água. Aliviado e muito alegre, voou velozmente para o jarro. Mas, embora o jarro contivesse água, o nível es- tava tão baixo que, por mais que o corvo se esforçasse, não havia meio de alcançá-la. O corvo, então, tentou virá- lo, na esperança de pelo menos beber um pouco da água derramada. Mas o jarro era pesado demais para ele. Por fim, correndo os olhos à volta, viu pedrinhas ali perto. Foi, então, pegando-as uma a uma e atirando-as dentro do jarro. Lentamente a água foi subindo até a bor- da, e finalmente pôde matar a sede.
(Fábulas de Esopo, recontadas por Robert Mathias, Círculo do Livro, p. 46)
.. viu pedrinhas ali perto. (3o parágrafo)
A passagem para a voz passiva da frase acima resulta na seguinte forma verbal: