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Questões de Concursos COSEAC

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541Q46166 | Português, Médico Veterinário, UFF, COSEAC

Texto associado.
Texto
                                     A IMAGEM NO ESPELHO

      Aos 20 anos escreveu suas memórias. Daí por diante é que começou a viver. Justificava-se:
      – Se eu deixar para escrever minhas memórias quando tiver 70 anos, vou esquecer muita coisa e mentir demais. Redigindo-as logo de saída, serão mais fiéis e terão a graça das coisas verdes.
      O que viveu depois disto não foi propriamente o que constava do livro, embora ele se esforçasse por viver o contado, não recuando nem diante de coisas desabonadoras. Mas os fatos nem sempre correspondiam ao texto e, para ser franco, direi que muitas vezes o contradiziam.
      Querendo ser honesto, pensou em retificar as memórias à proporção que a vida as contrariava. Mas isto seria falsificação do que honestamente pretendera (ou imaginara) devesse ser a sua vida. Ele não tinha fantasiado coisa alguma. Pusera no papel o que lhe parecia próprio de acontecer. Se não tinha acontecido, era certamente traição da vida, não dele.
      Em paz com a consciência, ignorou a versão do real, oposta ao real prefigurado. Seu livro foi adotado nos colégios, e todos reconheceram que aquele era o único livro de memórias totalmente verdadeiro. Os espelhos não mentem.
                             (ANDRADE, C. D. de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1981, p. 23.) 
Avalie se cada afirmativa a seguir é verdadeira (V) ou falsa (F).

I - O Brasil já dispunha, até meados dos anos de 1960, de uma experiência de planejamento relativamente variada, experiência que, no entanto, não pode ser aproveitada em toda sua plenitude para promover o desenvolvimento nacional. Isso porque havia ausência de coordenação, descontinuidade e ineficiência operacional dos planos de desenvolvimento.
II - O Plano Plurianual de Investimentos estabelece de forma regionalizada as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.
III - Com o advento da promulgação da Constituição Federal (CF) em outubro de 1988, o planejamento governamental foi alterado profundamente. Foi instituído o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) como principal instrumento de planejamento de médio prazo do governo brasileiro.

As afirmativas I, II e III são, respectivamente:
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542Q62074 | Arquivologia, Gestão de Documentos, Arquivista, UFF, COSEAC, 2019

Na literatura científica do campo da Arquivologia, intensificam-se os debates acerca da necessidade de um novo perfil do profissional de arquivo que não seja apenas um organizador de papéis, que lute por uma posição mais proativa de seu saber, que rompa com o mito da objetividade e imparcialidade da área. Para HEYMANN (2008), existe uma fase no processo de tratamento dos arquivos onde esta concepção do arquivista não como um mero conservador, mas como “produtor” de saber, aparece especialmente. É no processo de:
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543Q62078 | Arquivologia, Arquivista, UFF, COSEAC, 2019

No processo de descrição de arquivos permanentes para a Norma ISAD (G), é o instrumento de pesquisa que descreve unitariamente as peças documentais de uma série ou mais séries, ou ainda de um conjunto de documentos, respeitada ou não a ordem da classificação:
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544Q53404 | Português, Guarda Municipal, Prefeitura de Niterói RJ, COSEAC

Texto associado.
MINHA CALÇADA

   
  Morreu na semana passada, atropelado pela multidão que vinha na direção oposta, o último cronista andarilho. Ele insistia em fazer como seus antepassados, João do Rio, Lima Barreto, Benjamim Costallat, Antônio Maria, Carlinhos Oliveira, e flanava em busca de assuntos. Descanse em paz, pobre coitado.
      O cronista andarilho estava na calçada par da Avenida Rio Branco, em frente à Galeria dos Empregados no Comércio, às 13h15m de quarta-feira, quando foi abalroado por um pelotão de transeuntes que marchava apressado no contrafluxo. Caiu, bateu com a cabeça num fradinho. Morreu constrangido por estar atrapalhando o tráfego de pedestres, categoria à qual sempre se orgulhou de pertencer.
      A perícia encontrou em seu bolso um caderno com a anotação “escrever sobre as mulheres executivas que caminham de salto alto sobre as pedras portuguesas do Centro, o que lhes aumenta ainda mais a sensualidade do rebolado”. O documento, entregue ao museu da Associação Brasileira de Imprensa, já está numa vitrine de relíquias cariocas.
      O cronista que ora se pranteia era um nostálgico das calçadas e tinha como livro de cabeceira “Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro”. Nele, Joaquim Manuel de Macedo descreve uma caminhada pela Rua do Ouvidor como um dos grandes prazeres da vida. No apartamento do cronista, de quem no momento se faz este funéreo, foi encontrada também a gravura de J. Carlos em que um grupo de almofadinhas observa, deslumbrado, a passagem de uma melindrosa de vestido curto e perna grossa pela Avenida Central dos anos 1920.
      As calçadas inspiravam o morto. Fez dezenas de crônicas sobre a poesia do flanar sem rumo, às vezes lambendo uma casquinha de sorvete. Numa delas chegou a falar da perda de tempo que era subir até o Corcovado para admirar o Rio. O cronista andarilho, agora de saudosa memória, dizia não haver melhor jeito e lugar para se entender a cidade do que bater perna descompromissadamente, mas em passos mais curtos do que essa palavra imensa, pelas calçadas.
      Ele ia assim como quem não quer nada, na terapia gratuita de atravessar de um lado para o outro e não estar focado em nada — enfim, na exata contramão do que recomenda o odioso estresse moderno que o atropelou próximo ao turbilhão da Galeria.
      O cronista andarilho gostava de ouvir os torcedores discutindo futebol na banca do botafoguense Tolito, na esquina com a Sete de Setembro. Também podia rir da pregação moralista do profeta Gentileza no Largo da Carioca, ou dar uma parada no Cineac Trianon, na Rio Branco 181, e avaliar as fotos das strippers que naquele momento estariam tirando a roupa lá dentro, na tela do cinema.
      A vida era o que lhe ia pelas calçadas do Rio, um espaço historicamente sem entraves para se analisar como caminhava a Humanidade. O cronista andarilho, desde já saudoso como o frapê de coco do Bar Simpatia, não percebeu o fim das calçadas — e, na distração habitual, foi vítima da confusão que se estabeleceu sobre elas, uma combinação criminosa das novas multidões apressadas com fradinho, anotador do jogo do bicho, bicicleta, burro sem rabo, mesa de botequim, gola de árvore acimentada, esgoto, banca de jornal, segurança de loja sentado no meio do caminho e o escambau a quatro.
      Calçadas não há mais. Eram passarelas onde os vizinhos se encontravam, perpetuavam os hábitos do bairro e tocavam a vida em frente com certa intimidade pública — no subúrbio chegava-se a colocar as cadeiras para curtir com mais conforto o mundo que passava. O cronista andarilho acreditava que na calçada pulsava a alma carioca. Com o caderno sempre à mão, anotava os modismos, os pequenos acontecimentos. No dia seguinte publicava o que achava ser a história afetiva da cidade, aquela em que as pessoas se reconhecem, pois são as obreiras.
      O homem gastava sola de sapato. Uma outra inspiração para o seu ofício era o livro “A arte de caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro”, escrito pelo contista e pedestre Rubem Fonseca nos anos 1990. Ainda havia calçada suficiente para o protagonista descer andando das ladeiras do Morro da Conceição, se esgueirar pelos becos nos fundos da Rua Larga e, sem GPS, chegar à Rua Senador Dantas. Não há mais.
      O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, os dois flanando pelas calçadas do Leblon. As meninas do Leblon não olhavam para eles, não tinha importância. O mestre seguia em aparente calma, enquanto a mente elucubrava cenas cruéis de sexo e violência para um próximo conto. Mas, como sabem todos os que têm passado por ali, as calçadas do Leblon também desapareceram embaixo de tapume do metrô e da multidão trazida pelo shopping center. O engarrafamento agora é de gente — e foi aí que se deu o passamento do último cronista andarilho, vítima da absoluta impossibilidade de se caminhar pelas agressivas calçadas da sua cidade.

                                                                                        (SANTOS, J. Ferreira dos. O Globo, 17/03/2014.)
“O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, os dois flanando pelas calçadas do Leblon." (§ 11) 

O período composto acima continuará exprimindo o mesmo sentido se lhe for dada a seguinte redação: 
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545Q692672 | Nutrição, Técnico em Nutrição e Dietética, UFF, COSEAC, 2019

Para a produção de iogurte são necessárias culturas lácteas que promoverão o processo de fermentação. Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus são adicionados ao leite a uma temperatura de aproximadamente:
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546Q14814 | Administração Pública, Assistente Social, UFF, COSEAC

A contratação de professores, técnicos e cientistas estrangeiros é permitida, na forma da Constituição:
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547Q689172 | Eletrotécnica, Técnico em Eletrotécnica, UFF, COSEAC, 2019

A Norma ABNT NBR 5410/04 estabelece critérios para determinação da seção mínima do condutor de proteção.
Num determinado circuito trifásico, cujos condutores de cobre das fases ABC têm seção 185 mm2, a seção
mínima comercial admissível do condutor de proteção é:
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548Q53278 | Pedagogia, Agente Educacional, Prefeitura de Niterói RJ, COSEAC

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), é correto afirmar que: 
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549Q53310 | Pedagogia, Pedagogo, Prefeitura de Niterói RJ, COSEAC

O Art. 61 da LDBEN 9394/1996, que trata Dos Profissionais da Educação, determina que a formação de profissionais de educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as caraterísticas de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos, o aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades, e ainda a:
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550Q46163 | Português, Médico Veterinário, UFF, COSEAC

Texto associado.
Texto
                                     A IMAGEM NO ESPELHO

      Aos 20 anos escreveu suas memórias. Daí por diante é que começou a viver. Justificava-se:
      – Se eu deixar para escrever minhas memórias quando tiver 70 anos, vou esquecer muita coisa e mentir demais. Redigindo-as logo de saída, serão mais fiéis e terão a graça das coisas verdes.
      O que viveu depois disto não foi propriamente o que constava do livro, embora ele se esforçasse por viver o contado, não recuando nem diante de coisas desabonadoras. Mas os fatos nem sempre correspondiam ao texto e, para ser franco, direi que muitas vezes o contradiziam.
      Querendo ser honesto, pensou em retificar as memórias à proporção que a vida as contrariava. Mas isto seria falsificação do que honestamente pretendera (ou imaginara) devesse ser a sua vida. Ele não tinha fantasiado coisa alguma. Pusera no papel o que lhe parecia próprio de acontecer. Se não tinha acontecido, era certamente traição da vida, não dele.
      Em paz com a consciência, ignorou a versão do real, oposta ao real prefigurado. Seu livro foi adotado nos colégios, e todos reconheceram que aquele era o único livro de memórias totalmente verdadeiro. Os espelhos não mentem.
                             (ANDRADE, C. D. de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1981, p. 23.) 
O princípio do Orçamento Público que estabelece a obrigatoriedade da previsão de todas as receitas e fixação de todas as despesas é denominado: 
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551Q693894 | Medicina, Farmacêutico Bioquímico, UFF, COSEAC, 2019

Paciente apresenta leucocitose acentuada, acompanhada de anemia e plaquetopenia intensas. Na contagem diferencial do esfregaço sanguíneo, há predomínio de blastos contendo bastonetes de Auer. Esses achados laboratoriais são indicativos de uma leucemia:

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552Q686652 | Nutrição, Nutricionista, UFF, COSEAC, 2019

A hidrólise do açúcar que se processa pela evolução contínua na presença de ácidos provoca mudanças na isomeria das moléculas dos monossacarídeos que o compõem. Essa mudança permite a formação de um composto muito utilizado na indústria de alimentos e na confeitaria, conhecido como:
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553Q694375 | Engenharia Elétrica, Engenheiro Elétrica, UFF, COSEAC, 2019

A porcentagem de desequilíbrio das tensões é obtida a partir da medição das tensões nas três fases e da utilização da equação do desequilíbrio de tensão percentual que é igual a 100 vezes o desvio máximo da tensão em relação à tensão média dividido pela tensão média. Nessas condições, para valores de tensões entre fases de 222 V, 217 V e 212 V, a porcentagem de desequilíbrio das tensões é:
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554Q53422 | Legislação Municipal, Guarda Municipal, Prefeitura de Niterói RJ, COSEAC

Mário Andrade, membro do Corpo da Guarda, presenciou tentativa de roubo praticado por Cátia Soares, detendo-a em flagrante. No entanto, sabedor por populares que a adolescente vinha praticando diversos roubos na comunidade em que mora, permite que populares deem um corretivo na menina, que é levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima com fraturas nos membros superiores e com múltiplas lesões no tórax e na face. A infração praticada por Mário Andrade é, segundo o Estatuto da Guarda Municipal de Niterói, de natureza:
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555Q690609 | Química, Técnico em Química, UFF, COSEAC, 2019

A síntese de Wurtz consiste na reação de um derivado halogenado com sódio metálico em condições de reação. Tendo como referência tal síntese, a reação de uma mistura de iodoetano e 1-iodopropano com sódio metálico em condições de reagir produzirá: 
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556Q53453 | Informática, Guarda Municipal, Prefeitura de Niterói RJ, COSEAC

No Internet Explorer 9, os cookies podem ser bloqueados por meio do acesso ao menu “ferramentas”, seguido de “opções da internet” e, em seguida, clicando-se na guia:
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557Q782898 | Agrimensura, Engenheiro Agrimensor, Ministerio do Desenvolvimento Agrário MDA, COSEAC

Em sensoriamento remoto, um sistema sensor pode ser definido como qualquer equipamento capaz de transformar alguma forma de energia em um sinal passível de ser convertido em informação sobre o ambiente. No caso específico do sensoriamento remoto, a energia utilizada é a radiação eletromagnética. O equipamento que registra irradiações diretas ou refletidas de fontes naturais, e depende de uma fonte de radiação externa para que possa operar, como por exemplo câmara fotográfica, é denominado:
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558Q688088 | Economia, Economista, UFF, COSEAC, 2019

A Teoria da Política Monetária no modelo keynesiano recebeu uma importante contribuição a partir do instrumental desenvolvido por Hicks, que descreve os fenômenos essenciais da macroeconomia. Nesse instrumental, o conjunto de pontos de equilíbrio no mercado de bens (demanda igual ao produto ofertado) representado no plano renda (Y) e taxa de juros (i) denomina-se:
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559Q693229 | Português, Médico Cirurgia Geral, UFF, COSEAC, 2019

Texto associado.
A DISCIPLINA DO AMOR
Lygia Fagundes Telles
Foi na França, durante a Segunda Grande
Guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os
dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho.
Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da
5 tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu
encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu
passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já
conhecia o cachorro e as pessoas que passavam
faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava
10 até a correr todo animado atrás dos mais íntimos.
Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar
sentado até o momento em que seu dono apontava
lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o
15 jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou
de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a
esquina, fixo o olhar naquele único ponto, a orelha
em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a
presença do dono bem - amado. Assim que
20 anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida
normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então,
disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso
à pata, voltava ao posto de espera. O jovem morreu
num bombardeio, mas no pequeno
25 coração do cachorro, não morreu a esperança.
Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando
ia chegando aquela hora, ele disparava para o
compromisso assumido, todos os dias.
Todos os dias, com o passar dos anos (a
30 memória dos homens!), as pessoas foram se
esquecendo do jovem soldado que não voltou.
Casou-se a noiva com um primo. Os familiares
voltaram-se para outros familiares. Os amigos para
outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era
35 jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo
na sua esquina.
As pessoas estranhavam, mas quem esse
cachorro está esperando? Uma tarde (era inverno),
ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.
TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. Disponível em:
< http://claricemenezes.com.br/2018/02/05/a-disciplina-doamor/>.
Acesso em jan. 2019.
No trecho “... acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa”, a forma verbal destacada encontra-se no mesmo tempo verbal
que a seguinte também sublinhada:
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560Q25663 | Português, Interpretação de Textos, Auxiliar de Enfermagem do Trabalho, CLIN, COSEAC

Texto associado.
Primavera

1 A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

2 Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, - e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

3 Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jaipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, - e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

4 Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

5 Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, - e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

6 Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

7 Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento em que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, - e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora, se entendeu e amou.

8 Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

9 Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, - por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida - e efêmera.

(MEIRELES, Cecília. "Cecília Meireles - Obra em Prosa?, Vol. 1. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1998, p. 366.)
I – "...e vem dançar neste mundo CÁLIDO, de incessante luz." (5º §)
II – "...e a eufórbia se vai tornando PULQUÉRRIMA, em cada coroa vermelha que desdobra." (8º §)
III - "Saudemos a primavera, dona da vida — e EFÊMERA."(9º §)

A opção em que estão expressos, respectivamente, os sinônimos dos adjetivos em destaque acima é:
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