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Questões de Concursos Veterinário

Resolva questões de Veterinário comentadas com gabarito, online ou em PDF, revisando rapidamente e fixando o conteúdo de forma prática.


41Q53941 | Veterinária, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Em relação as Patologias do Sistema Cardiovascular, analise as afirmativas a seguir e marque (V) para as VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS.

( ) Anasarca é caracterizado por congestão generalizada, com presença de hidrotórax, hidropericárdio, hidroperitôneo e edema subcutâneo, observado principalmente na insuficiência cardíaca esquerda.
( ) Trombo é caracterizado por ser elástico, gelatinoso, liso, brilhante e solta-se facilmente.
( ) A Intoxicação por Crotalaria Retusa causa lesões tipicamente conhecidas como "Fígado de Noz-moscada". 

Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA
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42Q53936 | Veterinária, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

A Salmonella é um dos gêneros mais destacados da família Enterobacteriaceae, família de microrganismos que compõem a microbiota intestinal de animais e humanos. Há mais de 2.600 sorovares identificados de Salmonella, onde a ampla maioria é considerada como potencialmente patogênica. Entre as Salmonelas, assinale aquela que é considerada como um sorovar não contaminante para o homem. Salmonella
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43Q11105 | Raciocínio Lógico, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

Considere os seguintes dados de certo ano:  

- foi ano da segunda metade do século XX; 
- começou num domingo e terminou numa segunda-feira;    
- a soma de seus algarismos é 22. 


O ano em questão é
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44Q11106 | Veterinária, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

Com o objetivo de facilitar a compreensão das expressões utilizadas nos princípios e diretrizes para a aplicação da avaliação de risco microbiológico, a comissão do Codex Alimentarius adotou algumas definições. A expressão “risco”, segundo a comissão do Codex Alimentarius, refere-se ao(à)
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45Q53935 | Veterinária, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Em um dos municípios do Ceará, no último dia 6 de outubro foi confirmado um foco de PSC (Peste Suína Clássica), em propriedade de criação familiar de subsistência, sem vínculos com estabelecimentos comerciais ou de reprodução de suínos. O foco a encontrava-se á mais de 500 km distante da divisa com a zona livre de PSC do Brasil, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Diante desse acontecimento, como deverão proceder, nas suas respectivas esferas, a Agência de Defesa Sanitária do Estado do Ceará – ADAGRI e o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA?
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46Q53955 | Português, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Analise as afirmativas a seguir, com relação ao uso do artigo e marque a opção INCORRETA.
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47Q11108 | Veterinária, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

Dentre as características desejáveis pela indústria de carne em um bovino estão o peso de carcaça, o acabamento de gordura e a maturidade/idade do animal, que, somados a outros fatores, são parâmetros para atender a Cota Hilton. O sistema brasileiro de classificação de carcaças bovinas padronizou a cronologia dentária como maturidade. Ao se avaliar a porção incisiva da mandíbula de um bovino e identificar a erupção do segundo par de dentes médios permanentes, este animal será incluído na categoria
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48Q53959 | Português, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Analise as afirmativas a seguir e marque a opção CORRETA quanto à classificação das orações destacadas.
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49Q11098 | Português, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

Texto associado.
As verdades da razão

            Raciocinar não é algo que aprendemos na solidão, mas algo que inventamos ao nos comunicar e nos confrontar com os semelhantes: toda razão é fundamentalmente conversação. “Conversar” não é o mesmo que ouvir sermões ou atender a vozes de comando. Só se conversa - sobretudo só se discute - entre iguais. Por isso o hábito filosófico de raciocinar nasce na Grécia, junto com as instituições políticas da democracia. Ninguém pode discutir com Assurbanipal ou com Nero, e ninguém pode conversar abertamente em uma sociedade em que existem castas sociais inamovíveis. [...] Afinal de contas, a disposição a filosofar consiste em decidir-se a tratar os outros como se também fossem filósofos: oferecendo-lhes razões, ouvindo as deles e construindo a verdade, sempre em dúvida, a partir do encontro entre umas e outras.
            [...]Oferecemos nossa opinião aos outros para que a debatam e por sua vez a aceitem ou refutem, não simplesmente para que saibam “onde estamos e quem somos”. E é claro que nem todas as opiniões são igualmente válidas: valem mais as que têm melhores argumentos a seu favor e as que melhor resistem à prova de fogo do debate com as objeções que lhe sejam colocadas.
            [... ]A razão não está situada como um árbitro semidivino acima de nós para resolver nossas disputas; ela funciona dentro de nós e entre nós. Não só temos que ser capazes de exercer a razão em nossas argumentações como também - e isso é muito importante e, talvez, mais difícil ainda - devemos desenvolver a capacidade de ser convencidos pelas melhores razões, venham de quem vierem. [...] A partir da perspectiva racionalista, a verdade buscada é sempre resultado, não ponto de partida: e essa busca incluía conversação entre iguais, a polêmica, o debate, a controvérsia. Não como afirmação da própria subjetividade, mas como caminho para alcançar uma verdade objetiva através das múltiplas subjetividades.

(Fernando Savater. “As verdades da razão”. In: As perguntas da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2001.)
 
Considerando que o texto é construído a partir de sequências argumentativas, assinale a afirmativa compatível com o  posicionamento do autor acerca do tema abordado.
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50Q11120 | Veterinária, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

“O programa de redução de patógenos, monitoramento microbiológico e controle de Salmonella sp. em carcaças de frangos e perus da Secretaria de Defesa Agropecuária implementa a análise laboratorial sistemática e contínua de carcaças de frangos e perus in natura, para pesquisa de Salmonella sp., em todos os estabelecimentos de abate registrados no serviço de inspeção federal (SIF). A qualidade dos processos de controle de Salmonella sp. nos estabelecimentos será monitorada por meio de ciclos de amostragem, com cada ciclo formado por 51 amostras. O programa estabelece o número máximo de amostras positivas (contaminadas) em cada ciclo.” Considerando o referido Programa, o número máximo de amostras positivas aceitáveis em cada ciclo de amostragem é
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51Q53940 | Veterinária, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Leia a afirmativa a seguir.

“ ...é considerada infestação intensa por cisticercose quando em bovídeos há, pelo menos 8 cistos, viáveis ou calcificados, distribuídos da seguinte maneira: 4 ou mais cistos nos músculos do quarto dianteiro ou do quarto traseiro e 4 ou mais cistos em pelo menos dois locais de eleição ao mesmo tempo, como por exemplo nos músculos da mastigação, língua, esôfago, coração, diafragma e fígado.”

Marque a opção CORRETA. Essa afirmativa está
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52Q11122 | Veterinária, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

Considerando que Joaquim seja aprovado em concurso público e que, havendo disponibilidade de horário, acumule um cargo na administração federal e um emprego público em empresa pública estadual, ambos remunerados, e sabendo que tal situação não é permitida pela Constituição, é correto afirmar, de acordo com o disposto na Lei nº 8.027/90, que
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53Q53939 | Veterinária, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

No processo de destruição térmica a curva D é definida pelo tempo X temperatura necessários para se reduzir uma população bacteriana em um ciclo logarítmico. A determinação de quantas vezes esse valor será aplicado (Valor D) para completa destruição dos microrganismos da colônia dependerá da 
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54Q11104 | Raciocínio Lógico, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

Um pai comprou 6 barras de chocolate e pretende entregar 1 para cada um de seus 6 filhos. Se 2 dessas barras são de  chocolate branco e as demais, de chocolate preto, de quantas formas ele poderá distribuir as barras?
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55Q53949 | Português, Interpretação de Textos, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Texto associado.
Leia o texto a seguir para responder à questão.

As caridades odiosas

    Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.
    ― Um doce, moça, compre um doce para mim.
    Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água. Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.
    De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: – Que doce você...
    Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelezinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.
    ― Que outro doce você quer? Perguntei ao menino escuro.
    Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.
    ― Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:
    ― Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.
    Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o Sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

Clarice Lispector
Sobre o texto, marque a opção INCORRETA.
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56Q53961 | Português, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Analise as afirmativas a seguir e marque em qual das opções a palavra melhor funciona como advérbio.
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57Q53950 | Português, Interpretação de Textos, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Texto associado.
Leia o texto a seguir para responder à questão.

As caridades odiosas

    Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.
    ― Um doce, moça, compre um doce para mim.
    Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água. Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.
    De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: – Que doce você...
    Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelezinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.
    ― Que outro doce você quer? Perguntei ao menino escuro.
    Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.
    ― Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:
    ― Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.
    Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o Sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

Clarice Lispector
Que atitude do menino revela seu orgulho?
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58Q53946 | Veterinária, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Como em outras profissões, a Medicina Veterinária possui seu código de ética o qual é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, cuja sede fica no Distrito Federal. Podemos afirmar que o Código de Ética do Médico Veterinário em vigor está regulamentado pela legislação:
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59Q266066 | Veterinária, Veterinário, MAPA, CONSULPLAN

"A utilização de matérias?primas contaminadas para a produção de ração animal, bem como a contaminação que pode ocorrer durante a fabricação, o transporte ou o armazenamento destas rações podem trazer sérios riscos à saúde animal. O fornecimento de alimentos contaminados para equinos pode causar danos ao fígado que, em exames patológicos, podem ser observados em tamanho diminuído, firme e ictérico, com necrose e fibrose centrolobular. As lesões causadas por estes contaminantes também podem ser especificamente caracterizadas, em equídeos, por uma necrose de liquefação na substância branca dos hemisférios cerebrais, conhecida por leucoencefalomalácia equina." Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a substancia tóxica e a origem provável do quadro patológico de intoxicação alimentar descrito.

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60Q53948 | Português, Interpretação de Textos, Veterinário, EMATERCE, CETREDE, 2018

Texto associado.
Leia o texto a seguir para responder à questão.

As caridades odiosas

    Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa se enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos.
    ― Um doce, moça, compre um doce para mim.
    Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água. Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.
    De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: – Que doce você...
    Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelezinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.
    ― Que outro doce você quer? Perguntei ao menino escuro.
    Este, que mexendo as mãos e a boca ainda espera com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com uma delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.
    ― Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los... E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:
    ― Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas, mas ninguém quis dar.
    Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o Sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso foi necessário que outros não lhe tivessem dado doce.

Clarice Lispector
O objetivo maior do texto é
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