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Questões de Concursos Português

Resolva questões de Português comentadas com gabarito, online ou em PDF, revisando rapidamente e fixando o conteúdo de forma prática.


3781Q2235 | Português, Agente Administrativo, Fundação Casa, VUNESP

Texto associado.
Síndrome de Suri

RIO DE JANEIRO – Temo estar perdendo maravilhas, mas
nunca vi um filme com Katie Holmes. Sei que é mulher de um
ator chamado Tom Cruise, de quem também só assisti a “De Olhos
Bem Fechados”, por causa do diretor Stanley Kubrick, e que o
casal tem uma filha de 3 anos, Suri, que vive saindo na mídia por
usar sapatos de salto alto, tomar vinho tinto e ter seu próprio
cartão de crédito.
Holmes e Cruise devem ter suas razões – despreparo, carreirismo
ou deslumbramento – para permitir tal precocidade na
biografia da filha. Nas reportagens sobre Suri, os ortopedistas
alertam para o fato de que saltos altos são incompatíveis com uma
estrutura óssea cuja formação, segundo eles, só se completará aos
12 ou 13 anos. Além de serem uma garantia de dores, calos e
joanetes para Suri e, na vida adulta, de pernas curtas e dificuldade
para caminhar. Esses alertas, pelo visto, caem no vazio.
O problema não se limita a Hollywood ou a filhos de pais
famosos. No Brasil, talvez mais que em outros países, há meninas
entre 3 e 10 anos com hora marcada no salão para depilar a sobrancelha,
aplicar “luzes” no cabelo ou fazer tratamento contra
celulite. Toda garota quer se parecer com a mãe, é normal. O
problema é quando os fabricantes de cosméticos, sutiãs etc. assumem
o controle dessa estética infantil e passam a impô-la às
crianças com a conivência das mães.
O humanista americano Neil Postman (1931-2003) alertou para
esse problema num grande livro de 1982, “O Desaparecimento da
Infância” (há versão brasileira, pela editora Graphia). Todas as
previsões de Postman se confirmaram: sem saber, estamos gerando
crianças-adultos, que dificilmente chegarão à maturidade.

(Folha de S.Paulo, 14.12.2009)
Assinale a alternativa em que o verbo em destaque está devidamente flexionado.
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3782Q1767 | Português, Auxiliar de Enfermagem, Prefeitura de Poço Redondo SE, CONSULPLAN

Texto associado.
A sordidez humana

     Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não
para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que
podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais
livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é
desproporcionalmente grande para tal anjo.
     Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por
essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se
o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo
para consolar falsamente o atingido?
     O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso
alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da
mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados,
debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto
do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários
como: “Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha”. Ou: “Ela conseguiu um
bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele”. Mais ainda: “O filho deles passou de primeira no
vestibular, mas parece que...”. Outras pérolas: “Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...”.
     Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém
suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o
outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade?
Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.
     Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e
covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres,
lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma
pequena lembrança pérfida, como dizer “Ah! Sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político
honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...”, e aí se lança o malcheiroso petardo.
     Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se
imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... e se dirá que é por
idealismo, pela fé, porque seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o
que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20
reais ou um celular, mata uma jovem grávida ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de
velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.
     A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso
agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai,
um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga
que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de
perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.

(Lya Luft, Veja 20/05/2009 pág.24)
Há ERRO de grafia na seguinte alternativa:
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3783Q1158 | Português, Assistente em Ciência e Tecnologia, INCA, CESPE CEBRASPE

Texto associado.
Entre os maiores obstáculos ao pleno desenvolvimento
do Brasil, está a educação. Este é o próximo grande desafio
que deve ser enfrentado com paciência, mas sem rodeios. É a
bola da vez dentro das políticas públicas prioritárias do Estado.
Nos anos 90 do século passado, o país derrotou a inflação —
que corroía salários, causava instabilidade política e
irracionalidade econômica. Na primeira década deste século,
os avanços deram-se em direção a uma agenda social, voltada
para a redução da pobreza e da desigualdade estrutural. Nos
próximos anos, a questão da melhoria da qualidade do ensino
deve ser uma obrigação dos governantes, sejam quais forem os
ungidos pelas decisões das urnas.

Jornal do Brasil, Editorial, 21/1/2010 (com adaptações).

Em relação aos significados e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue os itens a seguir.
A substituição do travessão por vírgula, em "derrotou a inflação - que corroía salários" (l.5-6), prejudica a correção gramatical do período.
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3784Q834 | Português, Agente Administrativo, MDS, CESPE CEBRASPE

Texto associado.
     A miséria no Brasil não é algo ocasional, mas
resultado de um processo histórico que não resolveu questões
básicas. Com a explosão dos índices de desemprego nos anos
90 do século XX, ela se agravou. Hoje, há amplo consenso
de que o mais terrível dos efeitos da miséria, a fome, não é
consequência da baixa produção de alimentos, mas da falta
de renda das famílias para adquirir os alimentos na
quantidade necessária e com a qualidade adequada.
     A implantação de políticas estruturais para erradicar
a miséria requer muitos anos para gerar frutos consistentes.
Mas a fome não espera e segue matando a cada dia,
produzindo desagregação social e familiar, doenças,
desespero e violência crescentes. Para combater a fome, não
nos podemos limitar às doações, bolsas e caridade. É
possível erradicar a fome por meio de ações integradas que
aliviem as condições de miséria e que estejam articuladas
com uma política econômica que garanta a expansão do
Produto Interno Bruto de, pelo menos, 4% ao ano. Esse
objetivo pode ser conseguido em até uma geração. Os
instrumentos que colocaremos em ação permitirão promover
o desenvolvimento, gerar emprego e distribuir renda. O
combate à fome integra-se, assim, à concepção de novo tipo
de desenvolvimento econômico.

Internet: <www.historianet.com.br> (com adaptações).

Com base no texto acima, julgue os itens a seguir.
A miséria e a fome no Brasil surgiram nos anos 90 do século passado, em decorrência da falta de produção de alimentos em quantidade suficiente para toda a população.
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3785Q861836 | Português, Cadetes do Exército, AMAN, AMAN, 2022

A ortoépia ocupa-se da boa pronunciação das palavras. A prosódia é a parte da fonética que tem por objeto a exata acentuação tônica das palavras. Assinale a alternativa correta quanto à pronúncia indicada entre parênteses após cada palavra.

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3786Q683118 | Português, Clareza e Correção, Oficial Estadual de Trânsito, DETRAN SP, FCC, 2019

Texto associado.
Atenção: Para responder às questões de números 16 a 20, baseie-se no texto abaixo.

Conversa entreouvida na antiga Atenas
            Ao ver Diógenes ocupado em limpar vegetais ao pé de um chafariz, o filósofo Platão aproximou-se do filósofo rival e alfinetou: “Se você fizesse corte (*) a Dionísio, rei de Siracusa, não precisaria lavar vegetais”. E Diógenes, no mesmo tom sereno, retorquiu: “É verdade, Platão, mas se você lavasse vegetais você não estaria fazendo a corte a Dionísio, rei de Siracusa.”
(*) fazer corte = cortejar, bajular, lisonjear
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 92)
Está inteiramente correta a redação da seguinte frase:
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3787Q595215 | Português, Interpretação de Textos, Vestibular UERJ, UERJ, UERJ

Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Castelo. Começaram a subir pelo lado da Rua
do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais
nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira.
Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que
5   de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.
Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o morro do Castelo,
por mais que ouvissem falar dele e da cabocla que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e
remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às
duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho,
10   cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que
desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos
olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire*
que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão no andar, comparada à
rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam. (...)
15   Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla, até
que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha,
estreita, sombria, adequada à aventura. Quiseram entrar depressa, mas esbarraram com dous
sujeitos que vinham saindo, e coseram-se ao portal. Um deles perguntou-lhes familiarmente se
iam consultar a adivinha.
20   – Perdem o seu tempo, concluiu furioso, e hão de ouvir muito disparate...
– É mentira dele, emendou o outro, rindo; a cabocla sabe muito bem onde tem o nariz.
Hesitaram um pouco; mas, logo depois advertiram que as palavras do primeiro eram sinal certo
da vidência e da franqueza da adivinha; nem todos teriam a mesma sorte alegre. A dos meninos
da Natividade podia ser miserável, e então... Enquanto cogitavam passou fora um carteiro, que
25   as fez subir mais depressa, para escapar a outros olhos. Tinham fé, mas tinham também vexame
da opinião, como um devoto que se benzesse às escondidas.
Velho caboclo, pai da adivinha, conduziu as senhoras à sala. (...)
– Minha filha já vem, disse o velho. As senhoras como se chamam?
(...)
A falar verdade, temiam o seu tanto, Perpétua menos que Natividade. A aventura parecia
30   audaz, e algum perigo possível. Não ponho aqui os seus gestos; imaginai que eram inquietos
e desconcertados. Nenhuma dizia nada. Natividade confessou depois que tinha um nó na
garganta. Felizmente, a cabocla não se demorou muito; ao cabo de três ou quatro minutos, o
pai a trouxe pela mão, erguendo a cortina do fundo.
MACHADO DE ASSIS
Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
*donaire - elegância
No texto de Machado de Assis, narra-se um episódio protagonizado por duas personagens que se dirigem a uma consulta com uma adivinha.
Com base no exposto no texto, uma motivação para essa consulta pode ser descrita como:
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3788Q374647 | Português, Colocação Pronominal, Técnico legislativo, Assembléia Legislativa SE, FCC, 2018

Embora controverso, na maioria dos festivais de cinema, é conferido o prêmio do público. Enquanto alguns enaltecem o prêmio do público, há aqueles que consideram o prêmio do público pouco representativo da qualidade de um filme; outros, ainda, interpretam o prêmio do público como mera estratégia mercadológica.

Os elementos sublinhados acima podem ser substituídos, respectivamente, por:

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3789Q374615 | Português, Redação, Analista Legislativo, Assembléia Legislativa RO, FGV, 2018

“O policial guardou as anotações e a arma na gaveta da sala. Parou os olhos no cartão de ponto... [Falaria ou não com o delegado sobre o caso daquele furto?] Enfiou a caneta no bolso da camisa e dirigiu-se ao estacionamento”.

Esse segmento narrativo mostra uma interrupção marcada por colchetes; esse tipo de interrupção é caracterizado por um(a):

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3790Q236677 | Português, Promotor de Justiça, MPE SC, FEPESE

Texto associado.

Analise os enunciados das Questões abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado.

No Brasil, seguindo o que consta no novo acordo ortográfico (2009), em razão da predominante pronúncia com timbre fechado, costuma-se colocar acento circunflexo em palavras como econômico, acadêmico, fêmur. Todavia, em respeito ao novo acordo ortográfico, se um brasileiro escrever económico, académico, fémur, não cometerá erro de grafia.
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3791Q205574 | Português, Relação de causa e consequência, Escrevente Técnico Judiciário, TJ SP, VUNESP

Texto associado.

Conta-se que, um dia, Sócrates parou diante de uma tenda
do mercado em que estavam expostas diversas mercadorias.
Depois de algum tempo, ele exclamou: "Vejam quantas coisas
o ateniense precisa para viver." Naturalmente ele queria dizer
com isto que ele próprio não precisava de nada daquilo.
Esta postura de Sócrates foi o ponto de partida para a filosofia
cínica, fundada em Atenas por Antístenes - um discípulo
de Sócrates, por volta de 400 a. C. Os cínicos diziam que a
verdadeira felicidade não depende de fatores externos, como
o luxo, o poder político e a boa saúde. Para eles, a verdadeira
felicidade consistia em se libertar dessas coisas casuais e efêmeras.
E justamente porque a felicidade não estava nessas coisas,
ela podia ser alcançada por todos. E, uma vez alcançada, não
podia mais ser perdida.

(Jostein Gaarden, O Mundo de Sofia. São Paulo, Cia. das Letras, 1995)

Assinale a alternativa que substitui corretamente, sem alteração de sentido, as expressões em destaque nas frases:

Conta-se que, um dia, Sócrates parou diante de uma tenda do mercado em que estavam expostas diversas mercadorias.

E porque a felicidade não estava nessas coisas, ela podia ser alcançada por todos.
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3792Q172959 | Português, Acentuação Gráfica, Distribuidor, TJ MT, UFMT

A partir de 2012, entrou em vigência, no Brasil, o novo Acordo Ortográfico assinado pelos países de língua portuguesa. Assinale a afirmativa que apresenta palavra ou expressão cuja escrita NÃO obedece ao Acordo.

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3793Q61246 | Português, Assistente Administrativo, UFMS, FAPEC, 2018

Assinale a alternativa correta quanto à regência (verbal ou nominal) e uso (presença ou ausência) do “acento” indicativo de crase:
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3794Q55686 | Português, Vícios da Linguagem

Texto 1 – Problemas Sociais Urbanos
Brasil escola

Dentre os problemas sociais urbanos, merece destaque a questão da segregação urbana, fruto da concentração de renda no espaço das cidades e da falta de planejamento público que vise à promoção de políticas de controle ao crescimento desordenado das cidades. A especulação imobiliária favorece o encarecimento dos locais mais próximos dos grandes centros, tornando-os inacessíveis à grande massa populacional. Além disso, à medida que as cidades crescem, áreas que antes eram baratas e de fácil acesso tornam-se mais caras, o que contribui para que a grande maioria da população pobre busque por moradias em regiões ainda mais distantes.
Essas pessoas sofrem com as grandes distâncias dos locais de residência com os centros comerciais e os locais onde trabalham, uma vez que a esmagadora maioria dos habitantes que sofrem com esse processo são trabalhadores com baixos salários. Incluem-se a isso as precárias condições de transporte público e a péssima infraestrutura dessas zonas segregadas, que às vezes não contam com saneamento básico ou asfalto e apresentam elevados índices de violência.
A especulação imobiliária também acentua um problema cada vez maior no espaço das grandes, médias e até pequenas cidades: a questão dos lotes vagos. Esse problema acontece por dois principais motivos: 1) falta de poder aquisitivo da população que possui terrenos, mas que não possui condições de construir neles e 2) a espera pela valorização dos lotes para que esses se tornem mais caros para uma venda posterior. Esses lotes vagos geralmente apresentam problemas como o acúmulo de lixo, mato alto, e acabam tornando-se focos de doenças, como a dengue.

PENA, Rodolfo F. Alves. “Problemas socioambientais urbanos”; Brasil Escola. Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/brasil/problemas-ambientais-sociais-decorrentes-urbanização.htm. Acesso em 14 de abril de 2016. 

“a espera pela valorização dos lotes para que esses se tornem mais caros para uma venda posterior”; esse segmento do texto 1 apresenta um problema de construção, que é: 
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3795Q55628 | Português, Conotação e Denotação

Ao filósofo americano Daniel Dennett, os editores da revista Edge perguntaram: “Em 2013, o que deve nos preocupar?”. Ele contou que em 1980 se temia que a revolução do computador aumentasse a distância entre os países ricos “do Ocidente” e os países pobres, que não teriam acesso à nova tecnologia e a seus aparelhos. A verdade é que a informática criou fortunas enormes, mas permitiu também a mais profunda disseminação niveladora da tecnologia que já se viu na história. “Celulares e laptops e, agora, smartphones e tablets puseram a conectividade nas mãos de bilhões”, afirmou Dennett.
O planeta, segundo o filósofo, ficou mais transparente na informação como ninguém imaginaria há 40 anos. Isso é maravilhoso, disse Dennett, mas não é o paraíso. E citou a lista daquilo com que devemos nos preocupar: ficamos dependentes e vulneráveis neste novo mundo, com ameaças à segurança e à privacidade. E sobre as desigualdades, ele disse que Golias ainda não caiu; milhares de Davis*, porém, estão rapidamente aprendendo o que precisam. Os “de baixo” têm agora meios para confrontar os “de cima”. O conselho do filósofo é que os ricos devem começar a pensar em como reduzir as distâncias criadas pelo poder e pela riqueza de poucos.
* referência ao episódio bíblico em que Davi, aparentemente mais fraco, derrota o gigante Golias.
(Míriam Leitão. História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI. Rio de Janeiro, Intrínseca, 2015)
Há flagrante emprego de linguagem figurada na seguinte passagem: 
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3796Q55123 | Português, Verbos Auxiliares

Considere o trecho abaixo, extraído da Nova gramática do português contemporâneo, de Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra.

...o gerúndio apresenta duas formas: uma simples [...], outra composta [...].

A forma composta é de caráter perfeito e indica uma ação concluída anteriormente à que exprime o verbo da oração principal [...]. 


O que está exposto acima justifica o emprego do gerúndio na frase: 
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3797Q42640 | Português, Professor de Química, SEDUC PE, FGV

“Nisto erramos: em ver a morte à nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto grande parte dela já ficou para trás. Cada hora do nosso passado pertence à morte.” (Sêneca

O pensamento de Sêneca mostra um conjunto de conectores de valores semânticos diferentes.
Assinale a opção que apresenta o conector que tem seu significado corretamente indicado.
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3798Q42272 | Português, Motorista, FACELI, FUNCAB

Texto associado.
Atenção ao Sábado

    Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
    No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
    Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
    De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.
    Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
    No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
    Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
    Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
    Domingo de manhã também é a rosa da semana. 
    Não é propriamente rosa que eu quero dizer.

LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer . São Paulo: Editora Siciliano, 1992.
Levando em consideração a passagem “e alguém despeja um balde de água no terraço" e suas possíveis reescrituras a seguir, é correto dizer que: 

I. DESPEJAM UM BALDE DE ÁGUA NO TERRAÇO.
II. DESPEJA-SE UM BALDE DE ÁGUA NO TERRAÇO.
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3799Q42126 | Português, Interpretação de Textos, Assistente Administrativo, EMDEC SP, IBFC

Texto associado.
Aprendendo a pensar
(Frei Beto)

  Nosso olhar está impregnado de preconceitos. Uma das miopias que carregamos é considerar criança ignorante. Nós, adultos, sabemos; as crianças não sabem.
  O educador e cientista Glenn Doman se colocou a pergunta: em que fase da vida aprendemos as coisas mais importante que sabemos?
  As coisas mais importantes que todos sabemos é falar, andar, movimentar-se, distinguir olfatos, cores, fatores que representam perigo, diferentes sabores etc. Quando aprendemos isso? Ora, 90% de tudo que é importante para fazer de nós seres humanos, aprendemos entre zero e seis anos, período que Doman considera “a idade do gênio”.
  Ocorre que a educação não investe nessa idade. Nascemos com 86 bilhões de neurônios em nosso cérebro. As sinapses, conexões cerebrais, se dão de maneira acelerada nos primeiros anos da vida.
  Glenn Doman tratou crianças com deformações esqueléticas incorrigíveis, porém de cérebro sadio. Hoje são adultos que falam diversos idiomas, dominam música, computação etc. São pessoas felizes, com boa autoestima. Ao conhecer no Japão um professor que adotou o método dele, foi recebido por uma orquestra de crianças; todas tocavam violino. A mais velha tinha quatro anos...
  Ele ensina em seus livros como se faz uma criança, de três ou quatro anos, aprender um instrumento musical ou se autoalfabetizar sem curso específico de alfabetização. Isso foi testado na minha família e deu certo. Tenho um sobrinho- neto alfabetizado através de fichas. A mãe lia para ele histórias infantis e, em seguida, fazia fichas de palavras e as repetia. De repente, o menino começou a ler antes de ir para a escola.
[...]

(Disponível em: http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.Dhp?artld=5069. Acesso em 27/12/15, adaptado)
Considerando o contexto em que se encontra, assinale a única opção em que o vocábulo destacado NÃO corresponde a um exemplo de substantivo.
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3800Q35024 | Português, Odontólogo, IFSUL

Texto associado.
Leia o texto, para responder à questão.

Contra a mera “tolerância” das diferenças
Renan Quintanilha

    “É preciso tolerar a diversidade”. Sempre que me defronto com esse tipo de colocação, aparentemente progressista e bem intencionada, fico indignado. Não, não é preciso tolerar.
    “Tolerar”, segundo qualquer dicionário, significa algo como “suportar com indulgência”, ou seja, deixar passar com resignação, ainda que sem consentir expressamente com aquela conduta.
    “Tolerar” o que é diferente consiste, antes de qualquer coisa, em atribuir a “quem tolera” um poder sobre “o que tolera”. Como se este dependesse do consentimento daquele para poder existir. “Quem tolera” acaba visto, ainda, como generoso e benevolente, por dar uma “permissão” como se fosse um favor ou um ato de bondade extrema.
    Esse tipo de discurso, no fundo, nega o direito à existência autônoma do que é diferente dos padrões construídos socialmente. Mais: funciona como um expediente do desejo de estigmatizar o diferente e manter este às margens da cultura hegemônica, que traça a tênue linha divisória entre o normal e o anormal.
    Tolerar não deve ser celebrado e buscado nem como ideal político e tampouco como virtude individual. Ainda que o argumento liberal enxergue, na tolerância, uma manifestação legítima e até necessária da igualdade moral básica entre os indivíduos, não é esse o seu sentido recorrente nos discursos da política.
    Com efeito, ainda que a defesa liberal-igualitária da tolerância, diante de discussões controversas, postule que se trate de um respeito mútuo em um cenário de imparcialidade das instituições frente a concepções morais mais gerais, isso não pode funcionar em um mundo marcado por graves desigualdades estruturais.
    Marcuse1 identificava dois tipos de tolerância: a passiva e a ativa. No primeiro caso, a tolerância é vista como uma resignação e uma omissão diante de uma sociedade marcadamente injusta em suas diversas dimensões. Por sua vez, no segundo caso, ele trata da tolerância enquanto uma disposição efetiva de construção de uma sociedade igualitária. Não é este, no entanto, o discurso mais recorrente da tolerância em nossos tempos.
    Assim, quando alguém te disser que é preciso “tolerar” a liberdade das mulheres, os direitos das pessoas LGBT, a busca por melhores condições de vida das pessoas pobres, as reivindicações por igualdade material das pessoas negras, dentre outros segmentos vulneráveis, simplesmente não problematize esse discurso.
    Admitir a existência do outro não significa aceitá-lo em sua particularidade como integrante da comunidade política. É preciso valorizar os laços mais profundos de reciprocidade e respeito pelas diferenças, o que só o reconhecimento, estágio superior da tolerância, pode ajudar a promover, como ensinou Axel Honneth2
    Diversidade é um valor em si mesmo e não depende da concordância dos que ocupam posições de privilégios. Direitos e liberdades não se “toleram”. Devem ser respeitados e promovidos, por serem conquistas jurídicas e políticas antecedidas de muitas lutas.
    O que não se pode tolerar é o discurso aparentemente “benevolente” e “generoso” – mas na verdade bem perverso – da “tolerância das diferenças”. Ninguém precisa da licença de ninguém pra existir.

Disponível em:  Acesso em: 03 mai 2016. 

1 Marcuse: filósofo e sociólogo alemão, naturalizado norte-americano.
2 Axel Honneth: filósofo e sociólogo alemão.
Sobre o texto, são feitas as seguintes afirmações:

I. Tolerar aquele que é diferente significa aquiescer a sua existência.
II. Não há tolerância em relação à existência autônoma do que é diferente dos padrões sociais.
III. Tolerar não basta; é preciso admitir a existência do outro como membro da comunidade política.
IV. Não existe consonância entre o argumento liberal sobre a tolerância e o sentido recorrente nos discursos da política.

Está (ão) correta (s) apenas a (s) afirmativa (s)
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