Leia o poema, a seguir, de Gregório de Matos. Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a Luz é, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. Gregório de Matos. Poemas escolhidos. Organização de José Miguel Wisnik. São Paulo: Cultrix, s.d.p.317. No poema, o eu-lírico aborda o tema da efemeridade ou da inconstância das coisas do mundo que era uma das preocupações do homem no período do Barroco. Para expressar essa ideia o autor
✂️ a) apela para afirmação bíblica em que o homem retornará às suas origens e no fim será apenas pó, pois sua luz não dura como a do Sol. ✂️ b) aceita a sua ignorância e o desconcerto do mundo mostrando que a vida é um constante questionamento para a autocompreensão no mundo. ✂️ c) mostra a transformação por meio de contrastes e o inconformismo ao construir sequências interrogativas concluindo que a firmeza é a inconstância. ✂️ d) reitera que a vida é uma constante tristeza e que o ser humano precisa dela para se apropriar dos bens da natureza para atingir o equilíbrio. ✂️ e) reflete sobre a idealização do mundo, buscando pela clareza a partir dos questionamentos para atingir a lucidez e a razão para sobreviver.