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Questões de Concursos SESPA PA

Resolva questões de SESPA PA comentadas com gabarito, online ou em PDF, revisando rapidamente e fixando o conteúdo de forma prática.


881Q1056332 | Medicina, Dermatologia, Dermatologia, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

A psoríase é uma doença cutâneo-articular desencadeada em indivíduos predispostos por fatores como traumas, infecções ou medicamentos, provocando ativação imunológica, aceleração do ciclo evolutivo dos queratinócitos e hiperplasia epidérmica. A partir do gatilho inicial, a psoríase tem evolução crônica, com ciclos de remissão e exacerbação. Em 2020, a Sociedade Brasileira de Dermatologia publicou o Consenso Brasileiro de Psoríase. Considerando tal documento, é INCORRETO afirmar que:
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882Q1056101 | Saúde Pública, Políticas Públicas, Administrador, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

A Rede de Atenção às Urgências (RAU) foi implementada no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) para organizar e otimizar o atendimento às situações de urgência e emergência em saúde. Essa rede visa garantir uma resposta rápida e adequada às demandas de saúde que requerem atendimento imediato, como acidentes, traumas, infartos, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) entre outros casos de alta gravidade e risco de morte. A Rede de Atenção às Urgências (RAU) é constituída pelos seguintes componentes, EXCETO:
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883Q1056368 | Medicina, Ortopedia e Traumatologia, Ortopedia e traumatologia, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

As fraturas da coluna tóraco-lombar são as mais comuns do esqueleto axial e correspondem a, aproximadamente, 90% das fraturas da coluna. Cerca de 2/3 ocorre na transição tóraco-lombar, entre T11 e L2, e isso ocorre devido à mudança brusca do segmento torácico rígido, mais estável e cifótico para a coluna lombar, um segmento mais flexível, menos estável e lordótico. Considerando que foi desenvolvida a classificação de Dennis, que busca correlacionar o tipo e o mecanismo de trauma com a coluna acometida (anterior, média e posterior) para as fraturas tóraco-lombares, assinale a afirmativa INCORRETA.
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884Q1056120 | Pedagogia, Temas Educacionais Pedagógicos, Pedagogo, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

A aprendizagem significativa na área da saúde é essencial para os profissionais tomarem decisões difíceis, relacionando novas informações com conhecimento prévio. Isso desenvolve raciocínio crítico e habilidades de resolução de problemas. Neste contexto, abordagens educacionais como estudos de caso e simulações, por exemplo, promovem uma aprendizagem significativa. Incentivar a aprendizagem ao longo da vida também é crucial, devido à evolução constante na área da saúde. A busca contínua pelo conhecimento contribui para melhorar a prática clínica e o atendimento ao paciente. Esta aprendizagem significativa é um pilar para o desenvolvimento de profissionais preparados e competentes na área da saúde. A aprendizagem é significativa quando uma nova informação é relacionada de forma não arbitrária e substantiva a conceitos já existentes na estrutura cognitiva do indivíduo. Tais conhecimentos, presentes na estrutura cognitiva e que servem de apoio para que novos conhecimentos sejam apreendidos, tratam-se de:
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885Q1056149 | Biomedicina, Imunologia em Biomedicina, Biomédico, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Os anticorpos são compostos por uma cadeia pesada (cadeia H) e uma cadeia leve (cadeia L); as Lambda e Kappa do tipo leve são encontradas nos anticorpos. Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
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886Q1056150 | Biomedicina, Imunologia em Biomedicina, Biomédico, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Considerando que na interação da molécula do anticorpo com o antígeno específico observa-se que regiões localizadas de sequência hipervariável formam o sítio de ligação com o antígeno, assinale a afirmativa INCORRETA.
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887Q1056175 | Economia, História Econômica e Economia Contemporânea, Economista, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Sobre a dívida pública na década de 1980, analise as afirmativas a seguir.

I. Ao final de 1983, as Letras ao Tesouro Nacional (LTN) representavam o principal instrumento de dívida pública em poder do público, constituindo 96% desta. Como efeito positivo desse movimento, pela troca de títulos prefixados (ORTN), mais curtos, por indexados à inflação (LTNs), mais longos, verificou-se o aumento do prazo médio da dívida.

II. Os anos de 1984 e 1985 apresentaram crescimento mais acentuado, com o país se expandindo a 5,4% e 7,8%, respectivamente. Apesar disso, o deficit público não foi controlado, e o recrudescimento da inflação obrigou o governo a implementar uma política monetária restritiva, levando as taxas reais de juros a patamares historicamente altos.

III. Em 1985, embora os instrumentos ofertados em mercado continuassem sendo os mesmos leiloados no início da década (LTN e ORTN), seus prazos apresentaram aumento e suas taxas passaram a refletir a crescente inflação.

Está correto o que se afirma apenas em
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888Q1056193 | Enfermagem, Legislação de Enfermagem, Auditoria em Serviços de Saúde, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

O enfermeiro, que anuncia a prestação de serviços para os quais está habilitado, tendo as atividades comprovações técnico-científicas, está
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889Q1056209 | Enfermagem, Epidemiologia e Vigilância Epidemiológica, Enfermeiro, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

O Sistema de Informações Sobre Mortalidade (SIM) atua como fonte de dados e de informações que subsidiam a tomada de decisão em diversas áreas da assistência à saúde. O documento básico e essencial à coleta de dados da mortalidade no Brasil é a declaração de óbito. Podemos afirmar que a emissão de tal declaração é de responsabilidade
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890Q1056216 | Fisioterapia, Fisioterapia Respiratória, Fisioterapeuta, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Muitos pacientes infectados com Covid-19 podem apresentar delirium. O delirium pode ser uma manifestação decorrente de invasão direta do Sistema Nervoso Central (SNC); indução de mediadores inflamatórios do SNC; efeito secundário de falha de outro sistema de órgãos; efeito de estratégias sedativas; tempo prolongado de VM; ou, fatores ambientais, incluindo isolamento social. Em pacientes que necessitam de suporte de Ventilação Mecânica (VM), o quadro poderá se agravar, dificultando o desmame e prolongando o tempo de VM. As taxas de delirium entre pacientes de UTI mecanicamente ventilados foram de 70 a 75%;sua duração tem se mostrado, também, um preditor independente de longa permanência na UTI. Nesses pacientes, é mandatório o rastreio ativo de delirium, por meio do uso de ferramentas de avaliação como a escala Confusion Assessment Method in an Intensive Care Unit (CAM-ICU). Sobre a relação entre a Covid-19 e a dificuldade no desmame da VM, analise as afirmativas a seguir.

I. Muitos pacientes infectados com Covid-19 podem apresentar despertar difícil da VM em razão do delirium.

II. O enfrentamento do delirium em pacientes com Covid-19, para melhora do desmame da VM, exige ações farmacológicas e não farmacológicas.

III. Manuseio multidisciplinar para dor e ansiedade pode apresentar benefícios para pacientes com Covid-19 em VM.

IV. Pacientes intubados e ventilados com Covid-19 e IMC menor ou igual a 30 kg/m2 apresentaram menor chance de extubação do que aqueles com IMC < 30 kg/m2 .

Está correto o que se afirma apenas em
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891Q1056270 | Português, Interpretação de Textos, Agente Administrativo, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Texto associado.
A falta que ela me faz


Como bom patrão, resolvi, num momento de insensatez, dar um mês de férias à empregada. No princípio achei até bom ficar completamente sozinho dentro de casa o dia inteiro. Podia andar para lá e para cá sem encontrar ninguém varrendo o chão ou espanando os móveis, sair do banheiro apenas de chinelos, trocar de roupa com a porta aberta, falar sozinho sem passar por maluco.
Na cozinha, enquanto houvesse xícara limpa e não faltassem os ingredientes necessários, preparava eu mesmo o meu café. Aprendi a apanhar o pão que o padeiro deixava na área – tendo o cuidado de me vestir antes, não fosse a porta se fechar comigo do lado de fora, como na história do homem nu. Esticar a roupa da cama não era tarefa assim tão complicada: além do mais, não precisava também ficar uma perfeição, já que à noite voltaria a desarrumá-la. Fazia as refeições na rua, às vezes filava o jantar de algum amigo e, assim, ia me aguentando, enquanto a empregada não voltasse.
Aos poucos, porém, passei a desejar ardentemente essa volta. O apartamento, ao fim de alguns dias, ganhava um aspecto lúgubre de navio abandonado. A geladeira começou a fazer gelo por todos os lados – só não tinha água gelada, pois não me lembrara de encher as garrafas. E agora, ao tentar fazê-lo, verificava que não havia mais água dentro da talha. Não podia abrir a torneira do filtro, já que não estaria em casa na hora de fechá-la, e com isso acabaria inundando a cozinha. A um canto do quarto um monte de roupas crescia assustadoramente. A roupa suja lava-se em casa – bem, mas como? Não sabia sequer o nome da lavanderia onde, pela mão da empregada, tinham ido parar meus ternos, provavelmente para sempre.
E como batiam na porta! O movimento dela lá na cozinha, eu descobria agora, era muito maior do que o meu cá na frente: vendedores de muamba, passadores de rifa, cobradores de prestação, outras empregadas perguntando por ela. Um dia surgiu um indivíduo trazendo uma fotografia dela que, segundo me informou, merecera um “tratamento artístico”: fora colorida à mão e colocada num desses medalhões de latão que se veem no cemitério.
– Falta pagar a última prestação – disse o homem.
Paguei o que faltava, que remédio? Sem ao menos ficar sabendo o quanto o pobre já havia pago. E por pouco não entronizei o retrato na cabeceira de minha cama, como lembrança daquela sem a qual eu simplesmente não sabia viver.
Verdadeiro agravo para a minha solidão era a fina camada de poeira que cobria tudo: não podia mais nem retirar um livro da estante sem dar logo dois espirros. Os jornais continuavam chegando e já havia jornal velho para todo lado, sem que eu soubesse como pôr a funcionar o mecanismo que os fazia desaparecer. Descobri também, para meu espanto, que o apartamento não tinha lata de lixo, a toda hora eu tinha de ir lá fora, na área, para jogar na caixa coletora um pedacinho de papel ou esvaziar um cinzeiro.
Havia outros problemas difíceis de enfrentar. Um dos piores era o do pão: todas as manhãs, enquanto eu dormia, o padeiro deixava à porta um pão quilométrico, do qual eu comia apenas uma pontinha – e na cozinha já se juntava uma quantidade de pão que daria para alimentar um exército, não sabia como fazer parar. Nem só de pão vive o homem.
Eu poderia enfrentar tudo, mas estar ensaboado debaixo do chuveiro e ouvir lá na sala o telefonema esperado, sem que houvesse ninguém para atender, era demais para a minha aflição.
Até que um dia, como uma projeção do estado de sinistro abandono em que me via atirado, comecei a sentir no ar um vago mau cheiro. Intrigado, olhei as solas dos sapatos, para ver se havia pisado em alguma coisa lá na rua. Depois saí farejando o ar aqui e ali como um perdigueiro, e acabei sendo conduzido à cozinha, onde ultimamente já não ousava entrar.
No que abri a porta, o mau cheiro me atingiu como uma bofetada. Vinha do fogão, certamente. Aproximei-me, protegendo o nariz com uma das mãos, enquanto me curvava e com a outra abria o forno.
– Oh não! – recuei horrorizado.
Na panela, a carne assada, que a empregada gentilmente deixara preparada para mim antes de partir, se decompunha num asqueroso caldo putrefato, onde pequenas formas brancas se agitavam.
Mudei-me no mesmo dia para um hotel.


(SABINO, Fernando. As Melhores Crônicas de Fernando Sabino. Rio de Janeiro, Record, 1986.)
Percebe-se uma ironia por parte do narrador do texto no trecho:
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892Q1056271 | Português, Interpretação de Textos, Agente Administrativo, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Texto associado.
A falta que ela me faz


Como bom patrão, resolvi, num momento de insensatez, dar um mês de férias à empregada. No princípio achei até bom ficar completamente sozinho dentro de casa o dia inteiro. Podia andar para lá e para cá sem encontrar ninguém varrendo o chão ou espanando os móveis, sair do banheiro apenas de chinelos, trocar de roupa com a porta aberta, falar sozinho sem passar por maluco.
Na cozinha, enquanto houvesse xícara limpa e não faltassem os ingredientes necessários, preparava eu mesmo o meu café. Aprendi a apanhar o pão que o padeiro deixava na área – tendo o cuidado de me vestir antes, não fosse a porta se fechar comigo do lado de fora, como na história do homem nu. Esticar a roupa da cama não era tarefa assim tão complicada: além do mais, não precisava também ficar uma perfeição, já que à noite voltaria a desarrumá-la. Fazia as refeições na rua, às vezes filava o jantar de algum amigo e, assim, ia me aguentando, enquanto a empregada não voltasse.
Aos poucos, porém, passei a desejar ardentemente essa volta. O apartamento, ao fim de alguns dias, ganhava um aspecto lúgubre de navio abandonado. A geladeira começou a fazer gelo por todos os lados – só não tinha água gelada, pois não me lembrara de encher as garrafas. E agora, ao tentar fazê-lo, verificava que não havia mais água dentro da talha. Não podia abrir a torneira do filtro, já que não estaria em casa na hora de fechá-la, e com isso acabaria inundando a cozinha. A um canto do quarto um monte de roupas crescia assustadoramente. A roupa suja lava-se em casa – bem, mas como? Não sabia sequer o nome da lavanderia onde, pela mão da empregada, tinham ido parar meus ternos, provavelmente para sempre.
E como batiam na porta! O movimento dela lá na cozinha, eu descobria agora, era muito maior do que o meu cá na frente: vendedores de muamba, passadores de rifa, cobradores de prestação, outras empregadas perguntando por ela. Um dia surgiu um indivíduo trazendo uma fotografia dela que, segundo me informou, merecera um “tratamento artístico”: fora colorida à mão e colocada num desses medalhões de latão que se veem no cemitério.
– Falta pagar a última prestação – disse o homem.
Paguei o que faltava, que remédio? Sem ao menos ficar sabendo o quanto o pobre já havia pago. E por pouco não entronizei o retrato na cabeceira de minha cama, como lembrança daquela sem a qual eu simplesmente não sabia viver.
Verdadeiro agravo para a minha solidão era a fina camada de poeira que cobria tudo: não podia mais nem retirar um livro da estante sem dar logo dois espirros. Os jornais continuavam chegando e já havia jornal velho para todo lado, sem que eu soubesse como pôr a funcionar o mecanismo que os fazia desaparecer. Descobri também, para meu espanto, que o apartamento não tinha lata de lixo, a toda hora eu tinha de ir lá fora, na área, para jogar na caixa coletora um pedacinho de papel ou esvaziar um cinzeiro.
Havia outros problemas difíceis de enfrentar. Um dos piores era o do pão: todas as manhãs, enquanto eu dormia, o padeiro deixava à porta um pão quilométrico, do qual eu comia apenas uma pontinha – e na cozinha já se juntava uma quantidade de pão que daria para alimentar um exército, não sabia como fazer parar. Nem só de pão vive o homem.
Eu poderia enfrentar tudo, mas estar ensaboado debaixo do chuveiro e ouvir lá na sala o telefonema esperado, sem que houvesse ninguém para atender, era demais para a minha aflição.
Até que um dia, como uma projeção do estado de sinistro abandono em que me via atirado, comecei a sentir no ar um vago mau cheiro. Intrigado, olhei as solas dos sapatos, para ver se havia pisado em alguma coisa lá na rua. Depois saí farejando o ar aqui e ali como um perdigueiro, e acabei sendo conduzido à cozinha, onde ultimamente já não ousava entrar.
No que abri a porta, o mau cheiro me atingiu como uma bofetada. Vinha do fogão, certamente. Aproximei-me, protegendo o nariz com uma das mãos, enquanto me curvava e com a outra abria o forno.
– Oh não! – recuei horrorizado.
Na panela, a carne assada, que a empregada gentilmente deixara preparada para mim antes de partir, se decompunha num asqueroso caldo putrefato, onde pequenas formas brancas se agitavam.
Mudei-me no mesmo dia para um hotel.


(SABINO, Fernando. As Melhores Crônicas de Fernando Sabino. Rio de Janeiro, Record, 1986.)
Apesar do texto apresentado possuir predominantemente uma linguagem denotativa, é possível identificar conotação em:
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893Q1056274 | Português, Interpretação de Textos, Agente Administrativo, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

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A falta que ela me faz


Como bom patrão, resolvi, num momento de insensatez, dar um mês de férias à empregada. No princípio achei até bom ficar completamente sozinho dentro de casa o dia inteiro. Podia andar para lá e para cá sem encontrar ninguém varrendo o chão ou espanando os móveis, sair do banheiro apenas de chinelos, trocar de roupa com a porta aberta, falar sozinho sem passar por maluco.
Na cozinha, enquanto houvesse xícara limpa e não faltassem os ingredientes necessários, preparava eu mesmo o meu café. Aprendi a apanhar o pão que o padeiro deixava na área – tendo o cuidado de me vestir antes, não fosse a porta se fechar comigo do lado de fora, como na história do homem nu. Esticar a roupa da cama não era tarefa assim tão complicada: além do mais, não precisava também ficar uma perfeição, já que à noite voltaria a desarrumá-la. Fazia as refeições na rua, às vezes filava o jantar de algum amigo e, assim, ia me aguentando, enquanto a empregada não voltasse.
Aos poucos, porém, passei a desejar ardentemente essa volta. O apartamento, ao fim de alguns dias, ganhava um aspecto lúgubre de navio abandonado. A geladeira começou a fazer gelo por todos os lados – só não tinha água gelada, pois não me lembrara de encher as garrafas. E agora, ao tentar fazê-lo, verificava que não havia mais água dentro da talha. Não podia abrir a torneira do filtro, já que não estaria em casa na hora de fechá-la, e com isso acabaria inundando a cozinha. A um canto do quarto um monte de roupas crescia assustadoramente. A roupa suja lava-se em casa – bem, mas como? Não sabia sequer o nome da lavanderia onde, pela mão da empregada, tinham ido parar meus ternos, provavelmente para sempre.
E como batiam na porta! O movimento dela lá na cozinha, eu descobria agora, era muito maior do que o meu cá na frente: vendedores de muamba, passadores de rifa, cobradores de prestação, outras empregadas perguntando por ela. Um dia surgiu um indivíduo trazendo uma fotografia dela que, segundo me informou, merecera um “tratamento artístico”: fora colorida à mão e colocada num desses medalhões de latão que se veem no cemitério.
– Falta pagar a última prestação – disse o homem.
Paguei o que faltava, que remédio? Sem ao menos ficar sabendo o quanto o pobre já havia pago. E por pouco não entronizei o retrato na cabeceira de minha cama, como lembrança daquela sem a qual eu simplesmente não sabia viver.
Verdadeiro agravo para a minha solidão era a fina camada de poeira que cobria tudo: não podia mais nem retirar um livro da estante sem dar logo dois espirros. Os jornais continuavam chegando e já havia jornal velho para todo lado, sem que eu soubesse como pôr a funcionar o mecanismo que os fazia desaparecer. Descobri também, para meu espanto, que o apartamento não tinha lata de lixo, a toda hora eu tinha de ir lá fora, na área, para jogar na caixa coletora um pedacinho de papel ou esvaziar um cinzeiro.
Havia outros problemas difíceis de enfrentar. Um dos piores era o do pão: todas as manhãs, enquanto eu dormia, o padeiro deixava à porta um pão quilométrico, do qual eu comia apenas uma pontinha – e na cozinha já se juntava uma quantidade de pão que daria para alimentar um exército, não sabia como fazer parar. Nem só de pão vive o homem.
Eu poderia enfrentar tudo, mas estar ensaboado debaixo do chuveiro e ouvir lá na sala o telefonema esperado, sem que houvesse ninguém para atender, era demais para a minha aflição.
Até que um dia, como uma projeção do estado de sinistro abandono em que me via atirado, comecei a sentir no ar um vago mau cheiro. Intrigado, olhei as solas dos sapatos, para ver se havia pisado em alguma coisa lá na rua. Depois saí farejando o ar aqui e ali como um perdigueiro, e acabei sendo conduzido à cozinha, onde ultimamente já não ousava entrar.
No que abri a porta, o mau cheiro me atingiu como uma bofetada. Vinha do fogão, certamente. Aproximei-me, protegendo o nariz com uma das mãos, enquanto me curvava e com a outra abria o forno.
– Oh não! – recuei horrorizado.
Na panela, a carne assada, que a empregada gentilmente deixara preparada para mim antes de partir, se decompunha num asqueroso caldo putrefato, onde pequenas formas brancas se agitavam.
Mudei-me no mesmo dia para um hotel.


(SABINO, Fernando. As Melhores Crônicas de Fernando Sabino. Rio de Janeiro, Record, 1986.)
Dentre os trechos destacados a seguir, está expressa ideia de oposição em:
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894Q1056328 | Enfermagem, Dengue, Técnico em Enfermagem, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Os objetivos do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) se concentram em evitar infecções pelo vírus da dengue, bem como controlar a ocorrência de epidemias evitando a ocorrência de óbitos. As ações devem ser realizadas de forma integrada com a assistência aos pacientes, vigilância epidemiológica e controle vetorial. São consideradas atribuições dos auxiliares/técnicos em enfermagem da Atenção Básica/Saúde da Família no controle da dengue, EXCETO:
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895Q1056344 | Medicina, Gastroenterologia, Gastroenterologia, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Texto associado.

O caso hipotético a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


Mulher, 55 anos, com pirose e regurgitação há quatro meses, associados a episódios de náuseas e vômitos, perda ponderal e odinofagia. É tabagista e possui histórico familiar de câncer de esôfago.

Para diagnóstico de Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), o método que avalia os movimentos anterógrados e retrógrados e a natureza física e química do refluxato trata-se de:
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896Q1056377 | Medicina, Otorrinolaringologia, Otorrinolaringologia, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

A cirurgia endoscópica dos seios paranasais é um procedimento médico comumente empregado para tratar diversas condições nasais, como sinusite crônica; pólipos nasais; e, demais patologias dos seios paranasais. Apesar dos benefícios dessa técnica minimamente invasiva, existem riscos inerentes, especialmente quando se considera a proximidade de estruturas nobres, como nervos e vasos sanguíneos importantes. A análise criteriosa da tomografia dos seios da face pré-operatória é essencial para o cirurgião identificar variações anatômicas e prever possíveis dificuldades, minimizando os riscos de iatrogenia durante o procedimento. Em análise pré-operatória para uma cirurgia endoscópica dos seios paranasais foi verificada na tomografia de seios da face a presença de uma célula etmoidal mais posterior, se estendendo até o seio esfenoidal superior e lateralmente. Tal variação anatômica acarreta em maior risco de lesão de qual estrutura?
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897Q1056380 | Medicina, Otorrinolaringologia, Otorrinolaringologia, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

O estridor laríngeo em recém-nascidos e lactentes pode ser causado por diversas condições, incluindo laringomalácia, paralisia unilateral ou bilateral de pregas vocais; estenose subglótica; e, hemangioma subglótico. Sobre tais condições, assinale a afirmativa INCORRETA.
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898Q1056140 | Biomedicina, Microbiologia, Biomédico, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

O êxito na observação e isolamento do agente etiológico é condicionado, além dos procedimentos adequados de coleta, transporte, conservação e armazenamento da amostra, à execução correta de seu processamento prévio ao exame micológico. Trata-se de uma correta recomendação em relação ao processamento de amostras para o exame micológico:
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899Q1056143 | Biomedicina, Hematologia em Biomedicina, Biomédico, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

A automação em hematologia revolucionou os processos laboratoriais, permitindo o processamento rápido e preciso de amostras sanguíneas. Um dos métodos amplamente utilizados na automação em hematologia é a citometria de fluxo. Diante disso, assinale a afirmativa correta sobre o método de citometria de fluxo empregado na automação em hematologia.
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900Q1056399 | Medicina, Ginecologia e Obstetrícia, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, SESPA PA, CONSULPLAN, 2023

Sobre a torção ovariana, assinale a afirmativa INCORRETA.
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