Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, em
“Psicogênese da Língua Escrita” (1999),
realizaram investigações experimentais com
crianças de 4 a 6 anos para compreender os
processos de construção do conhecimento sobre
a escrita. No Capítulo 2, as autoras analisam os
critérios utilizados por crianças pré-escolares para
distinguir o que “serve para ler” do que “não serve
para ler”, mesmo antes de saberem ler
convencionalmente. Considerando os dados e as
interpretações apresentados pelas autoras,
analise o texto-base extraído do Capítulo 2 e
responda à questão.
“Que uma criança não saiba ainda ler, não é
obstáculo para que tenha idéias bem precisas
sobre as características que deve possuir um texto
escrito para que permita um ato de leitura. Quando
apresentamos às crianças diferentes textos
escritos em cartões e lhes pedimos que nos
dissessem se todos esses cartões ‘servem para
ler’ ou se existem alguns que 'não servem',
observamos dois critérios primordiais utilizados:
que exista uma quantidade suficiente de letras, e
que haja variedade de caracteres. Em outras
palavras, a presença das letras por si só não é
condição suficiente para que algo possa ser lido;
se há muito poucas letras, ou se há um número
suficiente; porém, da mesma letra repetida,
tampouco se pode ler. E isso ocorre antes que a
criança seja capaz de ler adequadamente os
textos apresentados.” (p. 43)
“O critério de quantidade mínima de caracteres foi
utilizado por 57,41% da totalidade da amostragem;
porém, mais frequentemente em CM (na qual se
mantém próximo aos 70% em todas as idades)
que em CB (na qual aumenta progressivamente
de 4 a 6 anos para situar-se ali em torno dos 60%).
O critério de variedade de caracteres foi utilizado
por 68% da totalidade da amostragem.” (p. 49).
“Isso nos indica que, inclusive quando uma letra é
reconhecida como tal e mais ainda, nomeada
adequadamente, não serve de garantia que seja
sempre uma letra; depende do contexto em que se
encontra. Para um adulto é óbvio que uma letra é
sempre uma letra em qualquer contexto em que se
apresente. Para as crianças, o problema surge de
outra maneira: a mesma forma gráfica pode ser
uma coisa ou outra em função do contexto. Para
que algo seja uma letra, é preciso que esteja com
outras letras.” (p. 47).
Com base nos critérios de legibilidade
identificados por Ferreiro e Teberosky e nas
interpretações das autoras sobre os processos de
conceitualização infantil, assinale a alternativa
correta.
-
-
-
-
-